Paulo Oom: "A entrada no infantário não é motivo para qualquer pânico" - Pumpkin.pt

Paulo Oom: “A entrada no infantário não é motivo para qualquer pânico”

o infectario

O autor do livro "O Infectário" responde às perguntas da Pumpkin (e de todos os pais!)

Paulo Oom é douturado em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e divide o dia-a-dia entre o ensino e a atividade clínica. É pai de cinco filhos, partilhando nos seus livros a sua experiência profissional e familiar. Publicou, em 2010, O Livro dos Pais, e, em 2011, Não te volto a dizer!, ambos pela Matéria-Prima Edições. Lançou agora “O Infectário” e a Pumpkin conversou com ele para perceber os motivos que estão por detrás desta obra.

Porque é que decidiu escrever o livro “O Infectário”? Sente que existia pouca informação acerca deste assunto?

A entrada de uma criança para o infantário ou creche é sempre acompanhada de alguma ansiedade por parte dos pais, não apenas pela questão da separação, mas também por saberem que a seu historial de doenças vai finalmente ter início. E quando a criança (inevitavelmente) adoece procuram informações sobre os sintomas ou doenças nas mais variadas fontes, com destaque para a internet. Acontece que muitas vezes as informações que conseguem dessas fontes estão distorcidas, erradas ou desfasadas da realidade portuguesa. Este livro procura devolver aos pais alguma tranquilidade fornecendo-lhes informação precisa, correcta e adaptada à realidade do nosso país.

Que dúvidas os pais verão esclarecidas com a sua leitura?

Este livro é para consultar em SOS, não é um romance. Ao longo do livro os pais vão encontrar informação sobre cada uma das doenças incluindo os seus sintomas, em que altura do ano mais frequente e como tratar. Também muito importante vão encontrar informação preciosa sobre quais são os sinais de alarme que devem motivar a ida da criança ao médico e instruções sobre se a criança, com aquela doença, pode ou não frequentar a escola.

Acha que quando as crianças entram para o infantário, é motivo para os pais entrarem em pânico?

Não é motivo para qualquer pânico. O importante é os pais estarem preparados para o que aí vem e perceberem que a série de doenças que se aproxima é uma situação normal e não indica necessariamente que o seu filho ou filha tenha problemas nas defesas ou na imunidade.

Porque é que quando as crianças entram para o infantário têm mais tendência a ficarem doentes?

O infantário apresenta as condições ideais para uma doença contagiosa se poder espalhar: muitas crianças juntas, algumas delas doentes, num espaço fechado, como a sala de aula, num clima frio, de que muitos virus gostam para se multiplicar. É a junção destes três factores que leva a que as doenças nestes espaços se espalhem muito rapidamente de criança para criança através da tosse, dos espirros ou simplesmente transportadas através das mãos.

Em relação às idas às urgências, porque diz que este é um dos erros mais comuns entre os pais? Qual o melhor procedimento? A linha Saúde 24 pode ajudar?

A ida às urgências deve ser encarada como um último recurso. Se a criança adoece os pais devem iniciar o seu tratamento em casa, em contacto com o pediatra. Só nas situações em que a doença é muito grave, surge algum sinal de alarme ou não está a ser controlada ao fim de alguns dias, se justifica a visita ao médico. Mas mesmo nestes casos o ideal é a criança ser observada pelo médico que habitualmente a segue e que já a conhece. A ida à urgência deve ser reservada para os casos graves. Ir à urgência é também um perigo. Uma sala de espera de uma urgência hospitalar deve ser o local onde estão concentradas mais crianças doentes (ainda mais do que na creche ou infantário) e a criança que é levada a este local por uma doença banal, como uma simples constipação por exemplo, pode aí apanhar uma doença grave como uma meningite.

paulo oom
Fotografia: Universo do Bebé

No livro escreve que a internet pode ser um inimigo na pesquisa de uma doença. Afinal, o Sr. Google não é tão certo como o pensamos?

O Dr. Google diz muitas coisas certas mas também muitos disparates. E tem uma tendência imensa para alarmar, ao mostrar imagens e relatos dos casos mais graves, em que tudo correu mal. Existe informação de grande qualidade na internet, mas os pais muitas vezes não sabem onde a encontrar ou como a interpretar. Isto leva com muita frequência a situações de grande ansiedade, completamente injustificadas.

Há uma idade certa para introduzir a criança no infantário?

Cada caso é um caso. Em termos globais podemos dizer que o ideal se situa algures entre os dezoito meses e os três anos de idade. MAs depende de muitos outros factores como por exemplo com quem ficaria a criança se não fosse para a escola, se tem irmãos, se tem maior ou menor tend~encia para ficar doente, se já teve uma doença grave antes de entrar para a escola, etc, etc.

Quando é que teve a certeza que queria ser pediatra, e porquê?

Foi já depois de te finalizado o curso de medicina. O ensino tradicional da medicina raramente é cativante em qualquer área, pelo que no final do curso não me sentia atraído por qualquer especialidade em especial. Foi depois de finalizado o curso, ao trabalhar em pediatria, com profissionais de excelência, que percebi que esse era o cominho que queria trilhar.

Também se baseou no facto de ter cinco filhos para escrever este livro?

O facto de ter cinco filhos ajuda-me muito a ser pediatra pois consigo perceber muitas das angústias referidas pelos pais pois também eu as vivi na primeira pessoa. Todos os meus livros estão preenchidos por textos que sem dúvida reflectem o facto de ser em simultâneo pediatra e pai. Mas não são só os pais que aprendem comigo…muitas vezes também eles me dão dicas importantes sobre a melhor forma de lidar com algumas situações, principalmente agora que o meu filho mais novo já é também adolescente…

O que é para si ser um bom pai?

Neste momento considero que a característica principal de um bom pai (ou mãe) é a disponibilidade. Dar tempo é o bem mais precioso que podemos dar aos nossos filhos. E é aquilo de que eles mais necessita, Tempo de qualidade.

Este artigo foi útil para si?

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (No Ratings Yet)
Loading...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *