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Famílias que nos inspiram: família Leandro Veselko

familias inspiradoras surf Leandro Veselko-final

O surf como forma de vida!

Ao longo dos próximos meses, vamos desvendar histórias de famílias que nos motivam e inspiram no nosso dia-a-dia. São famílias que ousam fazer diferente, que têm a coragem de desafiar os padrões e que vão sempre à procura daquilo que as faz feliz. As famílias que nos inspiram tiram o melhor partido da vida, gozam cada momento e divertem-se juntas. E a diversão vem de série!

“Famílias que nos inspiram” tem o apoio Renault Grand Scénic, o automóvel para a família da nova geração. Com 7 lugares, permite alargar a diversão às viagens e ampliar o conceito familiar – no Grand Scénic há espaço para os pais e os filhos, os primos e os avós, e as suas funcionalidades foram pensadas para que todos, dos 8 aos 80 anos, possam aproveitar a viagem – que é a vida – juntos.

São histórias diferentes, bonitas e originais, que esperamos que vos inspirem também!

Renault Familias que nos inspiram

Filipa Leandro e os filhos, Joey, Kika e Jaime Veselko, não vivem sem uma prancha de surf. A mãe rompeu os preconceitos que afastavam as mulheres do mar ao ser das primeiras surfistas portuguesas, e hoje escreve histórias infantis sobre a modalidade. Os filhos pertencem à nova vaga de talentos nacionais – e ainda têm tanto para conquistar!

As palavras são entrecortadas pelo deslizar do skate no paredão de pedra que acompanha o extenso areal da Praia de Carcavelos. Há algo de espantoso nos vinte graus de Fevereiro, que, sublinhados pelo azul do céu e pelas famílias a passear à beira-mar, prometem a aproximação rápida da Primavera. Jaime não pára: tem, no corpo miúdo de oito anos, uma energia muito maior do que ele. Francisca está encostada ao varandim que separa a areia do resto do mundo, e numa proximidade confortável com a mãe, Filipa, observa as manobras do irmão. No colo, tem Sister, a pequena cadelinha que os acompanha para todo o lado. Estão à nossa espera.

A Teoria do Caos

Nem todas as histórias começam com um “era uma vez”. Não as que Filipa Leandro transforma em livros, e não certamente a da sua vida. O bater das asas de uma borboleta num ponto do mundo pode provocar uma tormenta a milhares de quilómetros de distância, no intervalo de tempo de semanas. É importante recuar à adolescência de Filipa, esse momento que tudo muda, e perceber o efeito borboleta das suas escolhas.

O surf apareceu na vida de Filipa aos 10 anos. O primeiro contato aconteceu através da experiência do seu irmão Gonçalo, que, com sete anos, já praticava a modalidade. Estavam sempre na praia. O bichinho entrou no corpo de Filipa muito cedo, mas não ver outras raparigas na água foi-lhe refreando a vontade. 

Quando a irmã tinha dezassete anos, Gonçalo participou num intercâmbio desportivo e cultural com outros jovens americanos. Foi assim que Filipa cruzou destinos com o pai dos seus filhos – embora só mais tarde tenham percebido o quão ligadas as suas vidas estavam. “Na altura eu não fazia surf, muito por causa dos preconceitos, mas comecei a fazer logo assim que eles partiram. Ficaram dois surfistas californianos connosco, outros distribuídos por várias famílias portuguesas, e acabámos a encontrar-nos: os surfistas todos, e eu que já estava no meio, andava sempre com eles. Estava a querer começar, na altura… e o Joe foi um incentivo, o impulso final para um desejo de há muito tempo. Namoriscámos, mas ficámos dez anos sem ter nada um com o outro”.

Muito antes do amor chegou, então, o surf. Filipa passou grande parte da sua infância a desejá-lo à distância e a realidade confirmou que era no mar o seu caminho.

“Quando comecei, chamavam-me maria-rapaz, diziam-me que tinha que fazer bodyboard, que o surf não era desporto de raparigas, mas eu pensava que não gostava de estar deitada, que queria fazer as ondas em pé, e o que é que eu podia fazer? Persisti.”

Foi das primeiras. Ao quebrar preconceitos, aquela miúda de dezassete anos estava também a interromper o percurso natural das coisas. Gravou, nessas ondas que surfou, o seu passado, mas também um futuro além do seu: o dos filhos com que ainda não sonhava.

O futuro é um passado que se repete várias vezes

Filipa Leandro
Fotografia: arquivo pessoal de Filipa Leandro

Filipa conciliou o surf com os estudos. Nunca se focou a 100% na competição, embora o talento e a diferença – eram muito poucas as raparigas no circuito – lhe tenham aberto portas e apoios desde o início. Os olhares de desconfiança dentro do mar não a incomodaram, mas fala com alguma tristeza da vida que não seguiu.

“Podia ter viajado mais com as minhas amigas: aos 18 anos, recebi um convite para fazer surf numa viagem à volta do mundo. Elas trabalharam em bares, nas limpezas, mas fizeram sempre surf e divirtiram-se à grande – e, depois, lá fizeram os seus cursos. Sinto que podia ter aproveitado mais, escolhido outro caminho. Tenho uma licenciatura e um mestrado e, no fim, não trabalhei em nenhuma das áreas. Não tenho urgência nenhuma em que a Kika faça a universidade. No meu caso, aconteceu muito por peso da responsabilidade: sentia que tinha que seguir o caminho que toda a gente segue, fazer as coisas da forma certa. Hoje percebo que há tempo para tudo. Acho que ela deve aproveitar o agora, ser responsável sim, mas focar-se naquilo que realmente quer e a faz feliz.”

Francisca responde com um sorriso rápido à pergunta “o que é que queres ser quando fores grande?”. Surfista profissional. Tem o espírito competitivo que a mãe não cultivou e o apoio da Escola de Carcavelos. O método de ensino inovador permite-lhe consolidar conhecimentos e manter o rendimento, apesar dos treinos e da vida cansativa que leva. “Só temos um teste. Damos uma matéria e fazemos uma ficha de observação. Eu prefiro assim: é preciso estudar menos de cada vez e relembramos os conteúdos assim que acabamos de estudá-los”.

A Austrália é o próximo destino da jovem que, com 14 anos, já compete nos escalões acima do seu. É a segunda vez que viaja para a terra dos cangurus, mas desta vez, com um propósito diferente: vai, à semelhança do pai, fazer um intercâmbio cultural e ficar alojada na casa de uma família australiana. Esta é apenas a primeira de várias coincidências que demonstram o espírito competitivo e aventureiro da família.

A Francisca fez parte da Selecção Nacional em 2016, no Europeu em Marrocos. Não sei porque o Europeu foi em Marrocos, mas foi em Marrocos (risos). Ela ficou em 3º lugar de sub-18 feminino  europeu, com 13 anos, e os miúdos foram campeões. Já não éramos campeões europeus em juniores há 20 anos. Quem é que fez parte da selecção campeã há 20 anos? O meu irmão Duarte Leandro! Ele é o padrinho dela, é uma coincidência engraçadíssima.”

A multiculturalidade

Kika, Joe e Jaime Veselko
Fotografia: arquivo pessoal de Filipa Leandro

A família nasceu de vários acasos. “Ele teve as relações dele, e eu as minhas. Um dia eu estava no Hawaii e ele ligou para cá, a perguntar onde é que eu estava, porque queria vir ter comigo. O meu irmão Gonçalo disse-lhe, e pronto… ficámos juntos durante 14 anos, tivemos três filhos lindos. O Joey nasceu cá e fui logo viver para a Califórnia, onde estivemos três anos. A Francisca nasceu lá e veio para Portugal com um mês e meio. Separámo-nos há quatro anos. Ele vive agora nos Estados Unidos: está a importar vinhos portugueses. Os miúdos passam temporadas lá, e ele vem visitá-los quando consegue.””

Conviveram sempre bem com a a diferença que leva à multiculturalidade – e, hoje em dia, com as ausências, indas e vindas.

“A minha família é uma confusão. Os meus pais também se separaram, quando eu tinha 17 anos. Entretanto, o meu pai casou com uma chinesa e a minha mãe com um francês! E o meu irmão Gonçalo, que também teve uma relação de 20 anos, separou-se entretanto… e está com uma eslovena! (risos)”

Joey, Kika e Jaime são, naturalmente, bilingues. Navegam bem entre ondas, inglês e português. Esse conhecimento alargado do mundo, e as tecnologias,  funcionam como motor para a liberdade que Filipa oferece aos filhos: a de procurarem o melhor para si.

“O meu filho Joey foi para a Califórnia há três anos, com o pai, porque não se identificava com o sistema de educação português. Sentia uma grande incompatibilidade com os métodos de ensino, e achava os professores agressivos. Nos Estados Unidos, a escola é muito mais prática, ensinam aos miúdos coisas do dia-a-dia, e ele sente-se mais confortável. Ele não está cá, mas é como se estivesse dentro de casa: falamos imenso à noite, e como são oito horas de diferença, está ele a almoçar mas a jantar connosco à mesa.”

O desporto corre-lhes no sangue

Filipa e Joe nunca impuseram o surf como uma obrigação. Foi uma paixão que surgiu naturalmente, através do exemplo, na vida dos filhos. “O desporto está-nos no sangue, acaba por ser inevitável os miúdos seguirem-nos os passos. Há até uma história engraçada com a Kika: ela tinha mais ou menos 3 anos quando fomos para Porto Covo com uns amigos. Um deles pediu para a empurrar numa prancha enorme, a prancha virou e ela ficou lá debaixo. Fartou-se de chorar com o susto.”

Francisca não se lembra do episódio, mas ficou traumatizada: só voltou a querer experimentar a modalidade com seis anos e meio. Aos oito, disparou. “Entrou num grupo de surfistas da idade dela, e começou a fazer alguns campeonatos locais pequeninos. Ela adora competir e foi acontecendo.”

Kika e Jaime Veselko
Fotografia: arquivo pessoal de Filipa Leandro

Francisca é um dos maiores talentos nacionais. Em 2016, sagrou-se campeã nacional em sub-16 (com 13 anos), e conquistou já várias medalhas de ouro em competições internacionais de renome. O mundo da competição também se abre agora para Jaime, que, com a sua energia, continua a embalar a nossa conversa com o rasgar do skate no alcatrão.

“Ele quer competir e eu é que o estou a travar, mas recebeu há pouco tempo um patrocínio de pranchas e querem que entre como wild card, ou seja, surfista convidado, num campeonato importantíssimo na Costa da Caparica, com muitos miúdos. Então, lá vai ele, é inevitável… mas não sei se será para continuar. Ele puxa muito para tudo. Puxa para o surf, para o skate, adora os dois, mas também adora cavalos, joga ténis lindamente, é um autêntico desportista. Também quer fazer yoga comigo, acho muito importante porque permite controlar a respiração e fazer alongamentos, mas ainda não se consegue focar tanto.”

Kika, Jaime e Joe Veselko
Fotografia: arquivo pessoal de Filipa Leandro

Joey, que tem 17 anos, não se dedicou ao surf desde pequeno, mas adora o desporto tanto quanto os irmãos.

“O Joey teve oportunidade para começar, mas depois quis impor-se, marcar a diferença. Não quis fazer surf apenas porque os pais faziam. Então, na altura dedicou-se ao skate. É um miúdo diferente dos mais novos: lê muito, vê muitos documentários. Quer regressar a Portugal no final do 12º ano, e talvez vá passar alguns anos ao Reino Unido, para seguir Quiriopatia. O curso não existe cá. Como tem um jeito enorme com as mãos e com as pessoas, é uma excelente possibilidade.

Nos últimos anos também voltou a interessar-se mais pelo surf. Surfa todos os dias às 6h30h da manhã, com a escola (NSSA), e é um substituto da Educação Física. Já experimentou vários desportos: baseball, futebol americano, ju-jitso, e também faz yoga… começou comigo e adora. Faz sozinho em casa. É super disciplinado. Estuda, tem ótimas notas e trabalha numa hamburgueria, mas vai mudar para um restaurante, onde faz bonecos com balões para crianças. Está a tirar um curso de 50 horas e pode vir a ganhar 30dólares/hora.”

A educação comum e os genes ditam semelhanças entre os três. “São muito destemidos e têm todos imenso jeito com as mãos. A minha mãe é pintora, o meu pai desenha lindamente, e na família do pai deles têm todos uma caligrafia linda de morrer. Acho que eles herdaram o dom dos dois lados. Já eu não desenho nada, sou uma nódoa (risos).”

Uma família como outra qualquer

Filipa aproveita todo o tempo disponível para estar com os filhos. Fez de ser mãe sua prioridade – e também a maior preocupação.

“Ui, estou sempre, sempre, sempre a chateá-los, entre aspas. Tento estar sempre a passar-lhes alguns valores: ser impecável com a palavra, não tirar conclusões precipitadas, gostava que fossem justos e que não julgassem. Lembro-os sempre da importância de não desistirem, de perseguirem os seus sonhos e darem o seu melhor. Falo-lhes também da questão alimentar, e tento que não levem as coisas a peito, de forma a não sofrerem sem motivos. Para mim é o mais importante: formá-los como pessoas, cultivar o civismo, o respeito pelos outros e pelo ambiente.”

O tempo livre que têm é passado quase sempre perto da praia, um local especial, que marca a história de toda a família, e também por isso a escolha lógica para o nosso encontro. Mas Filipa tenta encontrar espaço para mais. Os fins-de-semana não têm rotinas – andam, sempre juntos, aos saltos por todo o lado. “Tentamos fazer mini viagens dentro do país e também lá fora. Estivemos em Hossegor, no sudoeste de França, para fazer surf. Vamos também a Peniche, vamos para o Algarve, andamos sempre atrás das ondas. Passamos muito tempo na praia e no skate park, mas tento fazer outras coisas: ir ao teatro ou ao cinema, a Sintra ou ao Chiado, ver coisas bonitas.”

Vem surfar com a Pipa, o Jaime e a Kika

Vem surfar com a Pipa, o Jaime e a Kika
Fotografia: arquivo pessoal de Filipa Leandro

Os livros surgiram na vida de Filipa como uma consequência lógica das aventuras que vivem em família.

“Trabalho com os meus livros, dou aulas e giro uma pequena unidade de alojamento local, mas depois sou mãe: as compras, a casa, ir buscar e levar o Jaime, acompanhá-los aos treinos. Tenho as rotinas de toda a gente, mas tentei sempre trabalhar em algo que me permitisse estar com os miúdos, ser eu a gerir o meu tempo. Não quero ter que os deixar às sete da manhã no ATL, ir buscá-los depois às sete da tarde. Estou sempre a pedir que seja possível manter este esquema”.

Os livros são, além de um incentivo para as outras crianças, um legado que deixa aos filhos: as memórias da sua vida em família.

“A ideia surgiu de uma forma muito engraçada: sempre adorei escrever e em 2012 estava aqui, na Casa da Praia, a dar aulas a um grupo muito giro de miúdos, muito multicultural. Um era chinês, outra da Suécia, e pensei em criar histórias divertidas com eles, e também sobre as minhas viagens. A ideia ficou na gaveta durante três anos, porque não tinha meios para investir, nem sabia bem como gerir a questão da editora e das ilustrações. E um dia, também numa aula com a Sofia Oliveira, falei-lhe do projecto e ela incentivou-me a avançar, ofereceu-se para fazer os desenhos. Entretanto, os meus filhos já tinham evoluído muito no surf e pensei em contar antes as nossas histórias, as experiências das viagens que fazemos, partilhar bons valores e dar a conhecer a modalidade.”

Francisca nunca tinha pensado ser personagem de um livro, muito menos de uma colecção, mas gosta muito da ideia. “Podemos ser inspirações, ajudar outras crianças a seguir uma boa alimentação, e sobretudo incentivá-los a que nunca desistam daquilo de que mais gostam. É bom.”

Jaime aparece de repente. Vem de skate debaixo do braço. Pede um gelado e pergunta à mãe se a entrevista ainda demora muito. A pergunta vem devolvida.

“O que é que queres ser quando fores grande?”

Nem hesita. Surfista profissional. Não podia ser de outra forma. A sua história começou a ser escrita há muito tempo. Quando Filipa tinha dezassete anos e desafiou as regras impostas.

Inspiração para uma vida melhor (e mais feliz!)

Família Leandro Veselko

5 inspirações para a vida em família

– A mãe de Filipa (inspira todos lá em casa e qualquer pessoa que a conheça)

– A perfeição de toda a natureza

– Ondas

– Aventuras

– John John Florence

5 músicas para viagens em família

Coldplay & Big Sean – Miracles

Coldplay – Don´t Panic

Marshmello ft. Khalid – Silence

DJ Snake  – A different way

Justin Bieber – Let me Love You

5 lugares para visitar com crianças

– Quinta da Regaleira

– Castelo dos Mouros

–  Ilhas Berlengas

– Vilas como Castelo Novo

– Portugal dos Pequenitos

5 livros infantis que todos, pais e filhos, devem ler

– Coleção do “Vem Surfar com a Pipa, jaime e Kika” (Filipa Leandro)

– O Principezinho (Antoine de Saint-Exupéry)

– As Rosas Inglesas (de Madonna)

– Stella a Rainha da Neve (Marie-Louise Gay)

– One fish, two fish, red fish, blue fish (Dr. Seuss)

5 filmes que adoram

– Sozinho em casa

– Monsters University

– A Idade do Gelo

– Coco

– Pipi das Meias Altas

– Em busca da Felicidade (uma extra, para os mais velhos)

Podem encontrar a Família Leandro nos seguintes locais

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Podem também comprar a colecção “Vem Surfar com Pipa, Jaime e Kika” através da página da autora no Amazon. Em Portugal, estão à venda na WOOK (loja online da Porto Editora), na Ler Devagar no LX Factory, nas várias Câmaras Municipais (Nazaré, Peniche e Cascais Visitor Center), na PoP Store no Parque das Gerações, entre outros locais.


Gostaram de conhecer a família da Filipa, Francisca, Jaime e Joey?

Conheçam outras famílias que nos inspiram!

Família Vieira-Gillet

– Família Terra do Sempre

– Família Mum’s the Boss

– Família Piangers

– Família Övén-Vieira

“Famílias que nos inspiram” tem o apoio Renault.

Renault Familias que nos inspiram

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