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Diabetes Gestacional: tudo o que precisa de saber!

diabetes gestacional

A Diabetes Gestacional pode originar complicações no bebé, no parto e até na mãe. Saiba tudo.

A diabetes é um problema de saúde que pode surgir em qualquer idade da vida, incluído na gravidez. Alguns profissionais e redes de saúde, como Sofia Serrano, médica ginecologista e autora do blog Café, Canela e Chocolate, Luísa Raimundo, do hospital dos Lusíadas e a CUF explicam como ocorre a diabetes gestacional, os fatores de risco, o diagnóstico e quais os tratamentos. 

Diabetes Gestacional

O que é?

A diabetes gestacional corresponde a um elevado valor de glucose (açúcar) no sangue durante a gravidez. Normalmente, após o parto desaparece. Esta condição pode acontecer em qualquer fase da gravidez, embora seja mais frequente na segunda metade – a partir das 24 semanas de gravidez.

A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas cuja função é diminuir a glicemia, ou seja, o açúcar do sangue. Durante a gravidez, como  as hormonas produzidas pela placenta dificultam a ação da insulina, quando o organismo da gestante não é capaz de aumentar a produção de insulina de modo a manter a glucose em valores normais para a gravidez, originando assim a diabetes gestacional.

Fatores de risco da Diabetes Gestacional

Existem fatores de risco que aumentam o risco de ter o quadro de diabetes gestacional:16

  • idade igual ou superior a 30 anos;
  • antecedentes familiares de diabetes tipo 2;
  • obesidade;
  • multiparidade (4 ou mais partos);
  • 2 ou mais abortos espontâneos;
  • morte perinatal anterior;
  • macrossomia fetal;
  • diabetes gestacional em gravidez prévia.

Para além disso, a estrutura social e o estilo de vida têm sofrido alterações nos últimos anos, que se refletem nas características da mulher, que engravida mais tarde e tem excesso de peso ou é obesa, situações muitas vezes associadas a défice de produção de insulina.

Riscos da Diabetes gestacional

Sabe-se que existe uma relação linear entre os valores da glicémia materna (açúcar no sangue) e a qualidade da sua gravidez, nascimento e crescimento do bebé:

  • o bebé pode nascer com peso excessivo (feto macrossómico);
  • problemas no parto (distócia de ombros, aumento da taxa de cesarianas, hipóxia perinatal, aumento dos partos instrumentados, como o parto com a utilização fórceps ou com ventosas);
  • o aumento da grávida desenvolver, no futuro, diabetes.

Para além disso, a exposição à diabetes no meio intrauterino está associado a um risco acrescido:

  • do bebé sofrer de obesidade no início da infância;
  • de maior risco de diabetes tipo 2 e aumento do risco cardiovascular – o conceito de “programação fetal”.

Como se diagnostica

Segundo Luísa Raimundo, coordenadora da Unidade de Endocrinologia do Hospital Lusíadas Lisboa, o diagnóstico passa por uma primeira avaliação da glicemia na 1ª consulta pré-natal (entre as 8 e as 12 semanas de gravidez). Confirma-se que a gestante tem diabetes gestacional se a glicemia for igual ou superior 92 mg/dl (miligramas por decilitro de sangue).

No entanto, se os valores de glicemia forem normais (menores que 92 mg/dl, de acordo com a norma da Direção Geral de Saúde), é solicitado à gestante que realize realizado um teste de tolerância à glucose oral entre as 24 e 28 semanas de gravidez, que consiste num primeiro teste de glicemia em jejum e outro após 1 hora ou 2 horas depois de ingerir uma solução bebível de 75 g de glucose.

Cerca de 6 a 8 semanas após o nascimento do bebé, é realizada uma nova análise de diagnóstico para verificar se a diabetes desapareceu, como é esperado neste tipo de Diabetes, explica a rede hospitalar CUF no seu site.

É ainda importante frisar que as mulheres com diabetes gestacional têm maior probabilidade de, no futuro, virem a desenvolver Diabetes tipo 1 ou 2.

Tratamento da Diabetes Gestacional

O tratamento é baseado em dois pontos:

1. Na auto vigilância glicémica rigorosa, o que implica que a grávida faça picadas regulares para saber o seu nível de açúcar no sangue;

2. Num plano alimentar personalizado, que vá de encontro ao estado nutricional da grávida e tendo em conta o IMC (Índice de Massa Corporal) antes da gravidez e o ganho de peso durante a mesma.

Recomenda-se: a ingestão de água é recomendada, e as bebidas alcoólicas desaconselhadas. Além disso, o exercício físico regular deve ser estimulado, preferencialmente a marcha, sobretudo após as refeições.

DICA:

“Se os objetivos terapêuticos (glicemias em jejum entre 60-90 mg/dl e 1h após início das refeições entre 100-120 mg/dl) não forem atingidos num período de 1 a 2 semanas após a instituição das medidas não farmacológicas, será necessário iniciar terapêutica com insulina, que é o tratamento preferencial, apesar de já existirem diversos estudos com antidiabéticos orais. A ecografia de gravidez das 28-32 semanas, para avaliar o crescimento fetal, pode determinar o inicio e/ou intensificação da terapêutica com insulina”, explica Sofia Serrano, médica ginecologista.

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