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Dicas para as grávidas: Para que serve o pré-natal?

pré-natal

Mas, afinal qual o objetivo das consultas e dos exames do pré-natal?

Para que serve o pré-natal (as suas consultas e exames)? A autora do blog Café, Canela e Chocolate, Sofia Serrano, e o especialista em Pediatria do Desenvolvimento no Centro Pediátrico de Telheiras, Armando Fernandes, ajudam nas respostas.

Consulta pré-natal

Todos os casais que tenham idealizado a chegada de um filho devempara além da normal vigilância obstétrica, efetuar uma visita ao pediatra durante o último trimestre da gravidez – idealmente no 7.º mês-, consulta esta chamada de consulta pré-natal.

Normalmente, a grávida e o companheiro imaginam três bebés:

  • o perfeito (cuja ilusão vêm recompensada quando o bebé perfaz quatro meses, altura em que começa a sorrir com mais frequência e com a tentativa de falar com os progenitores e os que estão em seu redor, através do seu doce palrar);
  • o diminuído (cujas deficiências variam todos os dias);
  • o misterioso bebé real (cuja presença começa a ser evidente nos movimentos do feto- por volta dos 4 ou 5 meses de gestação).

É aconselhável – ou mesmo imprescindível – que ambos os pais assistam à consulta pré-natal.

Objetivo da consulta pré-natal:

  • Esclarecimento de todas as dúvidas e preocupações dos pais;
  • A influência dos estilos de vida e da profissão da mãe sobre o bem-estar e o crescimento saudável do bebé (evitar o tabaco, o álcool, o stress, etc.);
  • Consultas e exames complementares de diagnóstico e de terapêutica (análises, ecografias, administração de Rhogan, prescrição de ácido fólico, etc.).

Exames pré-natal

Com a evolução da tecnologia e medicina, hoje em dia já é possível perceber se o bebé está saudável, mesmo antes de ter nascido. A ecografia é um exemplo disso mesmo – existem já ecografias a 4D, que lhe permitem ver a aparência do seu bebé de uma forma mais real, além de, claro, detetar malformações no feto.

 – Hemograma completo

O hemograma avalia todos os compostos do sangue, como os glóbulos vermelhos (importante para saber se sofre de anemia na gravidez), os glóbulos brancos (para verificar como está o sistema imunológico e se existe alguma infeção no corpo) e as plaquetas (mostra como está a coagulação do sangue).

 – Glicemia

Este exame é realizado em jejum e indica a quantidade de glicose que está presente na corrente sanguínea. Quando os valores estão acima do normal, o médico pode suspeitar que a gestante possa estar perante um quadro de diabetes gestacional, o que torna a gravidez mais arriscada, podendo complicações durante a gravidez e o parto.

 – Sistema ABO e fator Rh

Esse exame permite a mulher saber qual o seu tipo de sangue, caso não tenha conhecimento e não esteja em qualquer registo clínico, o que é extremamente importante para, se for necessário, poder receber transfusões de sangue.

O fator Rh é também muito importante. “As mães que sejam fator (Rh) negativo e tenham bebés com fator positivo podem obter um quadro chamado eritoblastose fetal. No parto, quando o sangue de ambos entra em contato, são formados anticorpos anti-Rh no corpo da mãe, que podem destruir as hemácias do próximo bebé Rh+ que ela tiver”, explica Fabio Rosito, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, ao site Minha Vida. Para evitar que isso aconteça, é ministrado um medicamento após o parto que impede que esses anticorpos se formem.

 – Toxoplasmose e Rubéola

Os exames indicam se a mulher já teve contacto com os que originam estas duas doenças. O exame mede os anticorpos contra os agentes infecciosos. A toxoplasmose na gravidez pode provocar malformações no feto, e a rubéola pode provocar complicações neurológicas, cegueira e surdez no bebé.

 – Sorologias para Hepatite B e C e para citomegalovírus

Visto que tanto a Hepatite B e C e o Citomagalovírus podem interferir negativamente no desenvolvimento do feto, é recomendado, pelo médico assistente ou obstetra, que a mulher realize estes dois exames para verificar se contraiu alguma destas doenças.

 – Exame estreptococo do tipo B

O exame para o estreptococo do tipo B é feito com uma espécie de cotonete, que recolhe amostras vaginais e do ânus entre as 35 semanas de gravidez e as 37 semanas de gravidez. Se o resultado der positivo, significa que tem a bactéria estreptococo B na região vaginal (normal, tendo em conta que uma em quatro grávidas têm essa bactéria). Apesar de não haver risco nem para a mãe, nem para o bebé é conveniente saber o resultado, para a mãe ser tratada com um antibiótico para prevenir que a bactéria seja transferida para o bebé na altura do parto, que podem causar infeções graves no bebé.

 – Exame de urina

O exame de urina normalmente indica se a mulher tem alguma infecção urinária, muito importante porque a infeção pode espalhar-se e causar problemas tanto na mãe como no bebé e originar um parto prematuro.

Exames específicos

A par disso, surgiu também o doseamento de algumas proteínas no sangue materno, que, conjugadas com os dados da ecografia no 1º trimestre, permitem fazer um rastreio combinado, lhes permite ter acesso à probabilidade de o feto ter uma das principais alterações genéticas, como a Trissomia 21 (Síndrome de Down), a 18 e a 13.

Para que serve o Harmony, amniocentese e outros testes pré-natais?

Mas para perceber se os cromossomas do bebé que vai nascer são normais, existem exames aos quais pode recorrer, como o rastreio combinado, à Amniocentese, Cordonsetese, Harmony Prenatal Test, ou à biópsia das vilosidades coriónicas.

Perante isto, surgem as dúvidas “Qual o melhor?”, “Será que um substitui o outro?”, “Quais as principais vantagens e desvantagens de cada um?”. Vamos perceber um pouco melhor como funciona cada um deles.

Rastreio Combinado

De acordo com o Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, o Rastreio Combinado do 1º Trimestre “é um rastreio precoce, que tem por objectivo avaliar o grau de risco para a existência no feto da Trissomia 21 (Síndrome de Down), Trissomia 18 (Síndrome de Edwards) e Trissomia 13 (Síndrome de Patau)”.

Como é realizado:

  • Realiza-se entre as 11 e as 13 semanas e 6 dias;
  • Implica uma ecografia, com avaliação da medição da nuca e dos ossos próprios do nariz e colheita de sangue à mãe para dosear algumas hormonas maternas (PAPP-A e Beta-HCG);
  • Com um software específico, onde se introduzem os dados anteriores, a idade materna, o peso e outros dados da mulher, obtém-se dados que permitem ter uma probabilidade de o feto ter Trissomia 21, 18 e 13;
  • Nos casos de risco elevado, propõe-se biópsia das vilosidades coriónicas ou amniocentese;
  • Detecta cerca de 97% das Trissomias;
  • Sem risco para a mãe ou para o feto.

Amniocentese

Com a amniocentese é possível identificar problemas no desenvolvimento do bebé, como a existência de Síndrome de Down e outras anomalias cromossómicas. Além disso, pode detetar doenças genéticas, como a fibrose quística, a doença de células falciformes e defeitos abertos no tubo neural.

Como é realizado:

  • Implica a colheita de uma amostra de líquido amniótico através de uma punção através da barriga da mãe, com controlo ecográfico;
  • Permite o estudo dos cromossomas do feto para despiste de doenças genéticas específicas;
  • Pode ser feita nos casos em que há doenças genéticas familiares, se houve casos anteriores de bebés com malformações, ou se o rastreio combinado foi positivo (entre outras indicações);
  • Assegurado às grávidas pelo Serviço Nacional de Saúde.

Riscos:

  • Risco de perda fetal de 1%. O Resultado completo fica disponível ao fim de cerca de 2 semanas;
  • Risco de infecção ou traumas no bebé;
  • Trabalho de parto prematuro.

Cordocentese

Similar à Amniocentese, este exame, através da recolha de sangue do bebé do cordão umbilical, permite determinar se o seu filho sofre de Trissomia 21 ou Síndrome de Down, doenças do sangue (talassemia, anemia falciforme, hemofilia, doença de Von Wilebrand, púrpura trombocitopénica, entre outras), doenças metabólicas (distrofia muscular de duchene, doença de Tay-Sachs), Rubéola, Citomegalovírus ou alguma outra infeção fetal congénita.

Como é realizado:

  • A grávida deita-se de barriga para cima;
  • O médico aplica a anestesia local;
  • Com a ajuda da imagem dada através do ecógrafo, o médico insere uma agulha no local onde se une o cordão umbilical e a placenta;
  • É retirada uma pequena amostra (entre 2 a 5 ml) de sangue do bebé;
  • Essa amostra de sangue é enviada para o laboratório.

Riscos:

  • 1% de risco de aborto;
  • Perda de sangue no local onde é inserida a agulha;
  • Bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos) do bebé;
  • Rutura prematura das membranas.

Harmony Prenatal Test

O Teste Harmony:

  • Implica colheita de sangue à mãe;
  • Não acarreta risco para a mãe ou para o feto;
  • Permite determinar na amostra obtida o DNA fetal livre e determinar se o feto tem as 3 principais Trissomias, e as aneuploidias dos cromossomas sexuais;
  • Detecta cerca de 99% das principais Trissomias;
  • Não comparticipado.

Biópsia das Vilosidades Coriónicas

Este exame é realizado entre as 11 e as 14 semanas de gravidez e consiste em retirar uma amostra das vilosidades coriónicas (parte da placenta em desenvolvimento), de forma a realizar um teste genético.

Como é realizado:

  • Implica uma biópsia das vilosidades da placenta (que pode ser feita através do abdómen ou através do colo do útero);
  • Permite efectuar, na amostra obtida, um estudo alargado dos genes ou cromossomas do feto, diagnosticando assim doenças genéticas específicas;
  • Deve ser realizada nos casos em que há doenças genéticas familiares, se houve casos anteriores de bebés com malformações, ou se o rastreio combinado foi positivo (entre outras indicações);

Riscos:

  • Risco de perda fetal de 1-2%;
  • Pequeno risco de o procedimento causar sangramento.

Outras formas de rastreio pré-natal não invasivo

No entanto, existem também rastreios pré-natal não invasivos, como um teste realizado através de colheita de sangue à grávida, a partir das 10 semanas de gravidez, na qual será medida a quantidade de ADN dos cromossomas 13, 18 e 21 (e, se for solicitado, dos cromossomas X e Y), sendo, posteriormente, essa quantidade comparada com a quantidade de outros cromossomas que não estão “envolvidos” em trissomias.

Como explica Sérgio Castedo, Professor Associado de Genética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ao portal Sapo, afirma que “o facto destes testes detetarem mais de 99% dos casos de Trissomia 21, através do estudo do sangue da grávida, com apenas 0,1% de falsos positivos, representa, efetivamente, um enorme avanço na área do rastreio pré-natal”.

De acordo com o professor, os atuais métodos de rastreio pré-natal que se baseiam em análises de sangue, dados da ecografia e da idade da grávida, permitem detetar entre 70% e 90% dos casos de trissomia 21, com cerca de 5% de falsos positivos. Isto quer dizer que nos métodos tradicionais de rastreio apenas 1 em cada 20 grávidas, o equivalente a 5%, será identificada como rastreio positivo e será indicada a realizar uma amniocentese ou uma biópsia de vilosidades coriónicas para verificar se o bebé tem ou não Trissomia 21.

Ou seja, “a maioria dos rastreios positivos nesses testes são falsos alarmes, falsos positivos”, avança. Já com os testes não invasivos, apenas 1 em cada 1000 (e não 1 em 20, como no caso dos restantes testes) gestantes fará uma amniocentese (ou biópsia das vilosidades) sem ser necessário, o que ajuda também a diminuir o risco de perda gestacional que está sempre associado a estes procedimentos. além disso, estes teste de sangue permite detetar mais de 99% dos casos de trissomia 21.

No entanto, Sérgio Castedo adverte:

“Os testes não invasivos não são para detetar outra coisa que não seja a trissomia 13, 18 ou 21 e, se requerido, as anomalias de número dos cromossomas X e Y. Ou seja, não detetam todos os problemas do bebé, detetam trissomias”.

Veja também:

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