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O conceito da Escuta Activa, ou porquê que o Príncipe William se agacha quando fala com o filho

Escuta Activa Príncipe William

Lembra-se do momento, tornado viral pelas redes sociais, em que o Príncipe William parece levar um puxão de orelhas da Rainha Elizabeth? “Stand up, William!” (levanta-te, William) diz a monarca ao neto, com cara de poucos amigos, na celebração dos seu 90º aniversário. A imprensa inglesa analisou ao detalhe as últimas aparições públicas de William com o filho George e encontrou um denominador comum: o Duque de Cambridge aparece sempre de cócoras. 


Desenvolvido pelos psicólogos americanos Carl Rogers e Richard E. Farson em 1957, o conceito da “Escuta Activa” parece ser a explicação mais óbvia para os “agachamentos” de William, que fala com George sempre olhos nos olhos. Esta corrente educacional defende que colocarmo-nos no lugar do outro é uma forma de comunicação entre os membros da família que permite desenvolver a empatia e proteger os vínculos afectivos. O contacto visual directo é, defendem, a melhor forma de expressarmos aos nossos filhos o quanto eles importam e têm valor. Quando nos colocamos ao seu nível, a mensagem que passamos é clara: estamos a dar verdadeira atenção àquilo nos dizem, e não apenas a ouvir a sua voz. 

Muitas vezes, mais do que educar, os pais pretendem que os filhos lhes obedeçam de forma cega. Esta atitude faz com que não sejam analisados as motivações para determinados comportamentos das crianças. Porquê que os miúdos não querem ir à escola? Porquê que o João Manuel fez birra para se ir embora de uma festa? A “Escuta Activa” permite perceber que os nossos filhos podem ter medo de um teste para o qual não estudaram ou que não querem sair enquanto não se despedirem do seu melhor amigo. Implica um posicionamento de “igual para igual” e não de superioridade perante a criança. Através da “Escuta Activa” vemos os filhos como pessoas, com opiniões, sentimentos e frustrações com as quais não sabem lidar ainda da melhor forma. O mundo perceptivo das crianças só iguala o nosso por volta dos seus 12 anos de idade, daí a necessidade de tentarmos transmitir-lhes a confiança necessária para que tentem expressar aquilo que lhes passa pela cabeça. 

Este tipo de atitude para com as crianças fá-los sentirem-se respeitados, amados, considerados na sua individualidade, o que potencia, claro, um desenvolvimento pessoal mais sustentado, confiante e auto-suficiente. Ao ser tratado como igual pela família, a criança dificilmente permitirá situações de abuso de poder ou de humilhação/falta de respeito mais tarde. Promover a auto-confiança é fundamental e até o Herdeiro ao trono parece pensar assim… além de Barack Obama, que também deu o exemplo! 

(A fotografia foi retirada do site do jornal espanhol El País.)