Quando, no supermercado, varre com os olhos a prateleira de comida para bebé, tem o cuidado de consultar os rótulos no frasco, de forma a perceber quais são os ingredientes que está a oferecer ao seu bebé, ou escolhe os potes de papa com base no nome da marca ou na beleza do frasco?

E na farmácia, cinge-se apenas à opinião do farmacêutico, ou procura perceber se aquela fórmula de leite oferece à criança os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e saúde?

A Nestlé promoveu recentemente uma conferência - Conferência “Primeiros 1000 dias do bebé: uma janela única de oportunidade para Começar Saudável e Viver Saudável” – na qual Catarina Dias, Assessora Técnica da ANID - Associação Nacional da Indústria de Alimentação Infantil e Nutrição Especial, foi oradora.  

A especialista centrou a sua intervenção nas necessidades específicas dos bebés, que são diferentes dos adultos, clarificando que a sua elevada taxa de crescimento e desenvolvimento, a par da limitada capacidade gástrica, deve levar-nos a repensar a qualidade e quantidade de alimentos a oferecer ao bebé nesta etapa.

A verdade é que a maioria de nós, pais, não está informada o suficiente. Escapam-nos as questões ligadas à produção e proveniências das matérias-primas, processos de fabrico e controlo de qualidade, por exemplo. Enquanto cuidadores, devemos ser capazes de ler e interpretar as embalagens em termos de ingredientes bons e maus, bem como estar conscientes das necessidades nutricionais dos nossos filhos, que mudam conforme a idade e à medida do seu crescimento.

Falámos com Catarina Dias, que nos explicou como fazer essa gestão de informação, de forma a proporcionar aos seus filhos uma alimentação saudável desde o berço, fundamental para a sua saúde futura.

Há um défice de conhecimento generalizado em relação à leitura dos rótulos das embalagens. Resumidamente, quais são os nutrientes que devemos sempre procurar, e quais aqueles que são proibitivos?

Os  nutrientes de forma geral não são proibitivos quando consumidos de forma adequada. O que é proibitivo sim é o excesso que poderemos fazer de alguns deles.

Efetivamente ainda há uma grande percentagem dos consumidores que não sabe ler e interpretar corretamente a informação fornecida pelos rótulos alimentares. Embora toda a informação seja importante, devemos estar atentos às quantidades dos nutrientes que impactam mais diretamente a saúde pública, sendo eles os açúcares, as gorduras, principalmente as saturadas, e o sal. A informação disponibilizada sobre a presença de substâncias que podem provocar alergias ou intolerâncias é também muito importante, sendo que atualmente esta informação encontra-se normalmente destacada nas listas de ingredientes.

Quais são os cuidados que os pais devem ter na hora de escolher o leite de fórmula mais adequado ao seu bebé?

Em primeiro lugar devem ser tidas em conta as necessidades nutricionais do bebé ou outras necessidades ou condições específicas, como por exemplo as intolerâncias à lactose ou à proteína do leite de vaca. Antes de escolherem qual a fórmula mais adequada ao seu bebé, os pais devem sempre aconselhar-se com o profissional de saúde que acompanha o bebé.

É possível sabermos a origem das matérias-primas e como funciona a produção destes alimentos?

Sim, as empresas que produzem e comercializam este tipo de produtos são responsáveis e inovadoras. Todas as matérias primas utilizadas são produzidas tendo como principal objetivo cumprir com rigorosos requisitos e estabelecer padrões de elevada qualidade e segurança. Essa informação encontra-se no rótulo. No entanto, caso os pais tenham alguma questão que queiram ver esclarecida há sempre uma forma de contactar a empresa responsável.

Onde é que os pais podem procurar ajuda e, se interessados, mais informação em relação a estes temas? Os médicos e pediatras podem ajudar?

Os profissionais de saúde que trabalham nas áreas da nutrição infantil, em especial os pediatras, são as pessoas mais indicadas para tirar todas as dúvidas sobre a alimentação mais adequada para os bebés.