Depois do gatinhar, há toda uma realidade nova. Preparem-se para esta espécie de 5º dimensão.
Há um dia exato (vocês vão lembrar-se dele) em que a vossa abobrinha deixa de ser um bebé que está parado e passa a ser uma pessoa em movimento.
Pode ser aos seis meses, pode ser aos dez. Não é igual em todos. Mas o sinal é sempre o mesmo: vocês saem da sala dois minutos para ir buscar uma chávena à cozinha e quando voltam, o bebé está três metros para a esquerda do sítio onde o tinham deixado.
A partir desse dia, a casa muda. E vocês também.
O dia em que tudo abaixo de 1 metro passou a importar
Antes do gatinhar, a casa era a casa dos adultos. Vocês olhavam para a sala ao nível dos olhos, decidiam onde pôr o sofá, escolhiam quadros para a parede.
Depois do gatinhar, há uma realidade nova: existe um nível paralelo da casa, abaixo do metro, que vocês nunca tinham olhado a sério. E é nesse nível que a vossa abobrinha vai passar a viver.
Tentem, pelo menos uma vez, gatinhar a sério pela vossa casa. Vão descobrir coisas: aquela tomada partida que ninguém notava porque estava atrás do sofá; o canto afiado da mesa de centro que está exatamente à altura da cabeça do bebé que se levanta; o fio do candeeiro que está pendurado num sítio onde alguém pode puxar; o pó debaixo da estante que ninguém limpa há um ano.
Esta perspetiva nova é a perspetiva da vossa abobrinha. E é a perspetiva a partir da qual têm de pensar a casa nos próximos dois anos.
As tomadas, os fios e as outras armadilhas invisíveis
A primeira fronteira a tratar é a elétrica.
As tomadas baixas – todas as tomadas a menos de um metro do chão – precisam de proteção. Há protetores básicos que se compram em qualquer drogaria. Servem para a maior parte dos casos. Para casas mais antigas, com instalações elétricas dos anos 80 ou 90, vale a pena ir mais longe.
Aqui é onde se justifica chamar um serviço de eletricista do FIXO para uma visita honesta. Não é o tipo de coisa em que se quer poupar – uma instalação elétrica antiga, com tomadas sem terra ou com fios à vista, é um risco real para um bebé que descobriu agora a função do dedo indicador. O eletricista pode rever tudo numa manhã: tomadas com proteção infantil, fios escondidos, candeeiros fixos de forma segura, extensões eliminadas. É um investimento de uma única vez que vos dá tranquilidade durante anos.
Os fios soltos são uma categoria à parte. O fio do candeeiro de mesa, o cabo do carregador do telemóvel, o fio do router. Tudo isso, ao nível do bebé, parece um brinquedo. E é. E pode ser perigoso. A regra simples: ou está fora de alcance, ou não existe nessa zona da casa.
O sofá já não é um móvel – é um tapete
Há uma transformação engraçada que acontece em todas as casas com bebés: o sofá deixa de ser um sítio de adultos e passa a ser uma extensão do chão.
A vossa abobrinha vai gatinhar para cima do sofá assim que conseguir. Vai babar nas almofadas. Vai derramar o biberão em pleno encosto. Vai descobrir, num momento de pura inspiração, que o sofá é um sítio fantástico para se sentar enquanto come uma bolacha – e a bolacha é exatamente a única coisa que faz um estrago perfeitamente distribuído.
Em três meses, o vosso sofá tem todas as memórias do gatinhar do bebé incrustadas no tecido.
A esta altura, vale a pena pensar num serviço de limpeza de sofás profissional, talvez uma vez por estação. Não é só estética – é higiene. Um sofá onde o bebé passa horas precisa de ser tratado a sério, com produtos próprios, e não só com o pano húmido habitual. As nódoas de leite ficam, com o tempo, com cheiro. As migalhas instalam-se em sítios que o aspirador não chega.
Uma limpeza profissional resolve isto de uma vez e o sofá fica como novo, pronto para a próxima ronda de descobertas da abobrinha.
A higiene de uma casa onde o chão passou a ser sala de estar
Esta é a mudança maior e a que pesa mais nos pais.
O chão da vossa casa, até agora, era uma superfície decorativa. Passava-se aspirador uma vez por semana, esfregava-se de vez em quando. Era suficiente.
Agora, o chão é onde a vossa abobrinha passa metade do dia. É onde gatinha, brinca, deixa cair brinquedos que volta a meter na boca, encontra migalhas esquecidas, descobre poeiras invisíveis. O standard de limpeza tem de subir, queiram ou não.
Para muitos pais, isto significa decidir que a limpeza profunda da casa não vai ser feita por eles próprios todas as semanas. Não há tempo, não há energia, e francamente – depois de um dia inteiro a cuidar de um bebé que gatinha – não é assim que vocês querem passar a noite de sexta-feira.
Uma empresa de limpeza de casas particulares que venha uma vez por semana resolve esta equação. O chão fica realmente limpo, os cantos são tratados, os tapetes são aspirados em condições. E vocês ganham tempo para fazer aquilo que queriam fazer há meses: brincar com a vossa abobrinha sem estar a pensar no estado da cozinha.
Pequenos truques que mudam o dia-a-dia
- Cantos arredondados em todas as mesas baixas: Os protetores de canto são baratos e salvam-vos de várias visitas às urgências.
- Tudo o que partir vai partir, agora: Aquela jarra que era da avó? Sobe. O quadro pesado? Vai mais para cima. A vossa abobrinha não tem culpa de ter os braços ao alcance da estante.
- Comida fora dos sítios óbvios: Os armários baixos da cozinha têm de ter trincos ou ser dedicados a coisas que não fazem mal: tupperwares, tampas de panela, esponjas novas. As coisas perigosas – produtos de limpeza, em particular – vão para o alto.
- O cesto do lixo é uma armadilha mortal: Tampa pesada, ou cesto fora do alcance. A vossa abobrinha tem um radar para o que está dentro do cesto do lixo.
- Aspirar todos os dias é normal agora: Não é exagero. É a vida nova.
Uma última coisa antes de irem
Há uma fase, entre os 9 e os 18 meses, em que a casa parece estar permanentemente em modo de adaptação. A vossa abobrinha aprende uma coisa nova todas as semanas – andar, agarrar, abrir gavetas, virar puxadores. E vocês andam dois passos atrás dela, a tornar a casa mais segura à medida que ela descobre uma nova forma de a explorar.
Daqui a um ano, a maior parte das adaptações deixa de fazer sentido. As tomadas vão voltar a estar livres. Os protetores de canto vão sair das mesas. A casa vai voltar a ser uma casa de adultos com uma criança dentro – em vez de um circuito de obstáculos para um bebé.
Por agora, façam a casa segura. Peçam ajuda profissional onde fizer sentido. E aproveitem este capítulo porque a vossa abobrinha vai gatinhar durante muito pouco tempo, em comparação com os anos todos que vem a seguir.
Famílias felizes não têm casas perfeitas. Têm casas adaptadas para que os miúdos possam ser miúdos sem que ninguém esteja a respirar fundo de dois em dois minutos.rfeitas. Fazem mudanças com bom humor e com a infraestrutura tratada antes de a primeira mala entrar.
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