A minha criança é LGBT+, e agora? - Pumpkin.pt

A minha criança é LGBT+, e agora?

crianças homossexuais

Agora nada!

Dia 11 de outubro assinala-se o Dia do Coming Out, ou seja, o dia de “sair do armário”, reunir coragem e força e assumir perante os familiares uma orientação sexual não-normativa.

Temos alguma dificuldade em lidar com a palavra “assumir” porque ela carrega, em si, o peso de um erro. Assumir parece ser sinónimo de reconhecer que há no comportamento algo de duvidoso, questionável ou mau.

Por isso, reformulemos: Dia 11 de outubro assinala-se o Dia do Coming Out, ou seja, o dia de “sair do armário”, ser-se orgulhoso de quem se é e partilhar com os familiares uma orientação sexual não-normativa.

Como crescemos, ainda hoje, formatados por caixinhas herdadas de conceitos morais antiquados, e porque vemos, no nosso círculo e rotinas diárias, uma maioria significativa de casais heterossexuais, existe uma tendência para as crianças/os adolescentes LGBT+ se sentirem desde cedo questionadxs nos seus sentimentos.

(Íamos dizer escolha, mas é outra palavra para banir deste artigo: amar alguém do mesmo sexo não é consequência de uma opção consciente e sim fruto de um traço biológico. A única “opção sexual” que existe é a de termos, ou não, uma vida sexual ativa.)

As crianças homossexuais e transexuais entendem-se como “estranhxs”, “erradxs” e “diferentes” porque, nos desenhos animados, o príncipe casa sempre com a princesa e nunca com o príncipe do reino vizinho. Nos livros, a menina bonita nunca fica com a outra menina bonita, e sim com o rapaz mais corajoso da cidade. Nos filmes, o menino é sempre um menino, usa roupa “de menino”, brinca com coisas “de menino”. Ou quase sempre – já lá vamos.

Às vezes é fácil para os adultos perceber, identificar sinais. Outras vezes, a abobrinha aprende a fingir e a restringir-se de tal forma para caber na norma que acaba a tornar-se extremamente infeliz, frustrada e, até, agressiva.

Às vezes a criança transforma-se em adolescente e, sem que “nada o faça prever”, identifica-se como homossexual. Às vezes a criança sente, desde sempre, que o seu corpo não lhe pertence. Às vezes tem dúvidas. Todos os casos são normais e possíveis.

Ainda que as manifestações sexuais conscientes no nosso corpo aconteçam, por norma, a partir dos 12 anos (as crianças não namoram!), a verdade é que no nosso corpo existem mecanismos instintivos que não controlamos.

A melhor forma de criarmos crianças e adolescentes conscientes, seguros, felizes e amados é dar às nossas crianças, desde sempre, a possibilidade de serem livres.

Permitir ser

crianças lgbt+

Lembram-se de quando anunciaram estar à espera de bebé e toda a gente vos perguntava se era “menino ou menina”? Lembram-se de responder que “não importa, desde que tenha saúde”?

A homossexualidade (como qualquer outra variante LGBT+) não é doença – por isso, que más dá, diriam os nossos amigos espanhóis, que no futuro os nossos filhos se relacionem com pessoas do mesmo ou de outro sexo?

Ou que, afinal, a nossa filha se identifique como homem, se até gostávamos de ter tido um menino e não tivemos? Muitas vezes a não-aceitação de uma realidade externa ao que somos acontece porque estamos demasiado auto-centrados. Como é que agora vou olhar para ela? Olhando. É a mesma pessoa de sempre – se calhar apenas mais confortável, agora que tirou um peso grande de cima.

Consoante os casos, pode fazer sentido procurar ajuda médica – não para “desmotivar” ou tentar mostrar à criança que está errada, mas para que ela se possa sentir melhor, encontrar um caminho.

Amar não é crime, ser-se feliz não é crime, mas a homofobia sim. Aquilo que realmente importa é ensinar as nossas crianças a serem emocionalmente responsávels nos seus envolvimentos, fornecer-lhes uma educação sexual consciente -, deixar o Pedro confortável para, no momento certo, apresentar a Teresa ou o Diogo com a mesma confiança, normalizar o que é normal e não trilhar por ninguém um caminho que não nos pertence.

Não reprimir manifestações de personalidade, como um menino gostar de vestidos ou uma menina adorar jogar futebol, é também importante para não quebrar a auto-confiança da criança. Pode ser um sinal, pode não ser – a brincadeira não tem género.

Permitir aos outros ser

crianças lgbt+

Entendemos que a maior parte dos pais reaja mal a uma “saída” do armário não pelo seu preconceito mas pelo alheio. Aceitamos e partilhamos a preocupação. Lamentamos que num mundo moderno como o nosso existam tantas pessoas em perigo de vida por algo que não controlam. Mas sabemos que está nas nossas mãos mudar as gerações futuras para que, daqui a 20 anos, seja seguro amar.

E como é que isso se faz? Mostrando aos nossos filhos, hétero ou homossexuais, que desde que as pessoas se amem, está tudo bem.

Livros LGBT+

Felizmente, existem cada mais vez livros infantis que abordam temáticas LGBT+, a sigla que engloba a comunidade lésbica, gay, bissexual e transexual (o + refere-se a intrasexuais). Que tal descobrirem mais em conjunto?

Estes livros servem para dar conforto – outras pessoas antes de si foram também “diferentes” e segurança – “nós estamos aqui” – a crianças LGBT+ (ou a crescer em famílias LGBT+), mas também para dar a conhecer outras realidades a abobrinhas (que pertencem a famílias) normativas.

Um Dia na Vida de Marlon Bundo

marlon bundo

Conheçam o Marlon Bundo, um coelhinho solitário que vive no Observatório Naval com o seu avô – o Vice-Presidente dos Estados Unidos da América. Mas, num Dia Muito Especial, a vida do Marlon está prestes a mudar para sempre…

Com uma mensagem de tolerância e respeito pela diferença, este livro infantil fala-nos sobre a importância do amor, a amizade e a democracia. Doce, divertido e magistralmente ilustrado, este livro é dedicado a todos os coelhinhos que se sentiram diferentes.

O Jaime é uma Sereia

o jaime é uma sereia

Todos os sábados de manhã, o Jaime vai com a avó à natação.

 Mas no dia em que vê três mulheres vestidas de sereias no metro, tudo muda. O Jaime fica maravilhado. Quando chega a casa, só consegue pensar numa coisa: tornar-se também ele uma sereia.

 Mas o que irá dizer a avó?

 Belo e terno, “O Jaime é uma Sereia“, o livro de estreia de Jessica Love é uma maravilhosa celebração da individualidade e uma vitória do amor incondicional.

 Uma história sobre a felicidade de podermos ser amados como somos.

Um Crocodilo de Vestido

crocodilo de vestido

O Alfredo encontrou um vestido perdido e ao vesti-lo sentiu-se maravilhosamente. Mas, nesse momento, umas hienas maldosas viram-no e começaram a gozar com ele. Atrapalhado, o Alfredo diz que está apenas a preparar-se para um espetáculo no qual será a estrela.

A verdade é que não havia espetáculo nenhum, mas agora elas iam espalhar a novidade a toda a gente, incluindo ao pai do Alfredo — um crocodilo motoqueiro, de aspecto masculino e feroz.

O Alfredo fica apavorado… o que irá o pai dizer quando o vir assim vestido? Será que já não gostará mais dele? Será que lhe dará um fanico?

Um Crocodilo de Vestido” é uma fabulosa e divertida história sobre sermos nós próprios, inclusão e respeito pela diferença.

A Vila das Cores

a vila das cores

A Família Violeta veio recordar aos habitantes da vila que, com tantas cores existentes no mundo, não há razões para indiferença ou preconceito. Somos todos diferentes e devemos ser livres de viver como mais gostamos. E é de toda esta diversidade que vem a riqueza.

A Vila das Cores” aborda, de uma forma simples e divertida, a homossexualidade, a homofobia e a diversidade de famílias, desmistificando preconceitos e deixando uma mensagem de tolerância e respeito, tanto a crianças como a pessoas adultas.

Três com Tango

três com tango

 Na casa dos pinguins havia dois pinguins que eram um bocadinho diferentes. Um chamava-se Roy e o outro chamava-se Silo. Roy e Silo eram dois rapazes, mas faziam tudo juntos. Faziam vénias um ao outro. Caminhavam juntos. Cantavam um para o outro. E nadavam juntos. Onde quer que Roy fosse, Silo também ia… 

Três com Tango” é a história verdadeira de um casal de pinguins-de-barbicha que, graças ao seu tratador do Zoo do Central Park em Nova Iorque, pôde ter um filhote. Rob Gramzay, depois de observar as suas tentativas infrutíferas para chocar uma pedra, colocou-lhes um ovo no ninho, contribuindo para que assim nascesse Tango, o primeiro pinguim-fêmea a ter dois pais. 

Este livro infantil inaugural de Justin Richardson e Peter Parnell foi um êxito e, desde a sua publicação em 2005, já arrecadou vários prémios; apesar de também ter sido censurado pelo setor conservador, opositor aos novos modelos de família. 

A história combina texto informativo e literário num perfeito equilíbrio. As ilustrações expressivas cumprem uma função descritiva, com imagens realistas e algumas composições em formato de vinheta para representar a passagem do tempo.

Viagem a Coimbra

viagem a Coimbra

Desde que, por ocasião de uma visita de estudo a Coimbra, os colegas da Inês descobriram que ela tinha dois pais – e não uma mãe e um pai, como a maioria deles -, não mais deixaram de a incomodar na escola. Um dia, até o seu diário, onde registava os pensamentos mais íntimos, lhe tiraram…

Viagem a Coimbra” faz parte da série “Jovens como nós”, escrita por Bruno Magina, tal como “Sete Dias de Verão”.

Teodorico e as Mães Cegonhas

Teodorico e as duas mães

Dedicado aos mais pequenos, Teodorico e as Mães Cegonhas fala-nos das aventuras de um menino que, abandonado ainda bebé, foi adotado pela Cegonha Branca e pela Cegonha Rosa que partilham o mesmo ninho no alto da Árvore dos Sorrisos. As Mães Cegonhas vão educá-lo com muito amor, mostrar-lhe o mundo e protegê-lo de todos os perigos. Mas os imprevistos acontecem…

Trata-se de uma história tão empolgante quanto terna, que conduz os pequenaos leitores por entre as aventuras do Teodorico e dos seus amigos, introduzindo ao mesmo tempo com subtileza, o tão atual tema da homoparentalidade, aos mais pequenos.

Outros livros:

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2 comentários em “A minha criança é LGBT+, e agora?

  1. Madalena Albuquerque Outubro 18, 2020

    Gostei muito do artigo. Somos uma família de duas mães com dois filhos, mudámos para Portugal há um ano e é muito raro ver este tema tratado desta forma aberta e sincera. Obrigada Filipa.

    1. Filipa Lopes - Equipa Pumpkin Outubro 19, 2020

      Olá, Madalena, obrigada pelas palavras, ficamos muito felizes por saber que estamos a conseguir tratar este tema tão importante da forma certa. Tudo de bom para a vossa linda família.

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