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Lidar com o Bullying

Lidar Bullying

O conceito de Bullying só agora está a ser explorado mas é algo que infelizmente já existe há muitos anos. Se já passou por alguma situação semelhante ou se quer apenas conhecer sobre as melhores formas de lidar com este tipo de agressão, a Magda do Blog Mum’s the Boss partilha connosco algumas dicas.

Para além do insucesso escolar [e quero acreditar que mais do que isso] os pais preocupam-se com a sanidade da vida na escola.

A palavra Bullying ouve-se demasiadas vezes e até já foi aqui falada algumas vezes. Estou convencida, como explico nesse texto, que muitos dos comportamentos de bullying poderiam ser eliminados se houvesse mais pessoal auxiliar que estivesse mais presente nos intervalos e que andasse de olho nessas situações. Mas entre todo o serviço que há e a existência de um ou dois funcionários auxiliares para um pavilhão inteiro, desconfio que a coisa não vai lá.

É por isso importante que enquanto pais possamos fazer o nosso TPC. Dói, só de pensar, na forma como nos tratamos e também na fragilidade de algumas crianças.

O Bullying mexe com a auto-estima de qualquer miúdo. Mexe na sua integridade e também na sua inocência. Tira-nos a todos o sono e a segurança que a infância, afinal de contas, pode ser um lugar maldito. Para lidar com estas situações e também para as prevenir, peço-lhe que leia e partilhe os pontos abaixo. Peço-lhe que pense neles e que partilhe aqui o que você pensa que pode ser feito, que conte experiências que conhece e que possa ter vivido para que todos possamos atentos – a quem é vítima e a quem vitimiza.

1. Identificar concretamente junto dos nossos filhos, o que é o Bullying. Bullying pode ser uma situação quase subliminar. Pode ser ser-se gozado de forma subtil mas contínua e com maldade consciente. É quando a outra pessoa [neste caso, a criança], tem como objectivo provocar o outro e mostrar-se mais forte.

2. Por vezes o ‘mau’ da fita é o melhor amigo [ou o melhor amigo desejado] Esta situação é muito frequente – há miúdos que são populares e de quem os nossos filhos querem ser amigos. Mas, ao que parece, essa amizade parece estar a sair cara. Uns dias são amigos, no outro dia o Carlos diz ao nosso Manuel que não o quer no recreio com ele. E todas as semanas é o vira o disco e toca o mesmo. Sim, isso é bullying.

3. O tom, ai o tom! “Desculpa lá, deixas-me passar, por favor” é muito diferente de ‘Desculpa LÀAAAA! Deixas-me PASSAR, por favoooooor’ “Que gira mochila” de ‘Que gira mochila [sorriso e revirar de olhos]. Não é apenas o que se diz e sim como se diz – mas o problema é mostrar/recriar o tom…

4. A insegurança Costuma dizer-se que a vítima de bullying é uma criança insegura. Pode ser mas não em todos os casos. Muitas vezes é apenas uma criança que não tem grande ‘maldade’, como se costuma dizer e que acredita na bondade dos outros. É uma criança que foi apanhada desprevenida e que, porque não soube responder/não quis responder ou não sabe lidar com a situação, foi reenviando uma mensagem dela própria menos positiva e está com dificuldades em sair dali porque não sabe como fazê-lo – sobretudo porque na maior parte das vezes lhe foi dito que não se bate, não se responde e que temos de nos portar bem. No entanto, a maior parte das vezes,de todas as crianças, a mais insegura é a que provoca. Na verdade, os estudos deste tema apresentam esse traço/característica. E se pensares aqui comigo vais ver que os estudos até têm razão. É que quando se tem uma auto-estima equilibrada, não precisamos de rebaixar os outros para sermos os mais importantes ou os mais populares. Não nos sentimos ameaçados porque, estando bem connosco, não temos absolutamente nada a provar… ora, é justamente quando nos sentimos ameaçados que atacamos. O bullying é um ataque.

5. Ajuda o teu filho a afirmar-se. a) Ignorando as bocas e as provocações – por vezes é o bastante. Não ligando, não dando troco, não há resposta e, onde não pode haver fogo onde não há fumo. Claro que é mais fácil dizer do que fazer por isso é importante que possas treinar com o teu Manuel os ‘olhos que rebolam e os ares que sopram para o ar’, com sinal de quem está ali a apanhar uma valente seca.

b) Se a) não funciona, continua a treinar com o teu filho coisas como Oi? Estás a falar comigo? Ai estás? Agora não dá, talvez mais tarde [e va-se embora]. A sério, precisas sempre de estar a vir aqui ao pé de mim para fazeres essas coisas? Não tens mais com que te entreteres? Uauuuuu! És o máximo, Carlos. Agora podes ir divertir aquele grupo ali, que eles também se querem rir um bocadinho. E amanhã podes trazer frases novas.

O que é que isto tem de especial? Primeiro são respostas que os miúdos passam a ter na ponta da língua para se defenderem. E isso é ainda mais interessante para as crianças que NÃO têm a resposta na ponta da língua. Por outro lado, não ofendem nem são malcriadas mas mostram que aquele comportamento é, no mínimo, desadequado.

c) um-dois, esquerdo-direito, encolhe a barriga-estica o peito. O hábito faz o monge – andem direitos [tu e o teu Manuel] – esta afirmação também se faz pela postura – para os outros e para nós.

d) Inspira, expira Ensine-o a respirar fundo e a acalmar-se. E já agora, faz isso tu também! Quando estamos nervosos não pensamos. Para nos acalmar uma boa respiração ajuda.

e) Não o provoques ao dizer que ele devia isto e devia aquilo. Ele gostava muito de saber/conseguir defender-se. Mas o teu Manuel não sabe, não tem a coragem para fazê-lo ou outro motivo qualquer. Porque se conseguisse fazê-lo, é muito possível que este tema não te interessasse tanto. Então não aumentes o sentimento de culpa dele. Lembra-te da alínea d) e reconhece a dificuldade dele. Quando ele sente que tu sabes o que ele sente, então é a partir daí que ele tem hipótese de renascer. Por outro lado, porque se sente tido e achado vai sentir que tem retaguardar, é muito possível que comece a afirmar-se mais vezes

f) Sonda o espaço Vai à escola, está presente. Fala com a professora, com as auxiliares. A ideia não é fazeres de protectora. A ideia é mostrares que estás atenta e alerta. E porque não procurar saber quem é/são as crianças envolvidas e até identificar quem são os pais.

g) Desportos de auto-defesa Há uma série de desportos de auto-defesa muito interessantes e que podem ter impacto na auto-estima e na afirmação do teu filho. Leva-o a experimentar sem necessariamente dizer que é por causa desta situação.

h) Escolhe os amigos dos teus filhos, sempre que possível Lê este post.

i) Muda-o de escola A ideia é sempre que a criança possa resolver esta situação e que, no final, a situação até tenha sido positiva, porque lhe deu aprendizagens boas. Mas isto é o melhor do mundo e das situações. Se a situação for mesmo má, se os adultos envolvidos não são capazes de terminar com a situação, então eu equacionava mudar o meu filho de escola. São raras as situações que chegam a este limite mas é uma opção a tomar depois de se esgotarem todas as outras.

j) Vínculo e comunicação Quanto melhor for a nossa relação com os nossos filhos, mais eles falam e mais nos escutam. Vamos manter a porta aberta e criar oportunidades para estarmos sempre mais perto.

 

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