Défice de atenção, um problema real

défice de atenção

Défice de atenção é, a par com a hiperatividade, um problema que merece toda a nossa atenção.

Sente que por mais que se esforce não consegue resolver a situação? Vamos com calma. Uma coisa de cada vez. Em primeiro lugar, há que compreender no que consiste este problema, quais os seus sintomas, quais poderão ser as causas e, posteriormente, tentar definir estratégias para atenuar o problema.

Défice de Atenção

Muitas crianças são, hoje em dia, distraídas e desorganizadas, o que não significa que não sejam capazes de concluir as tarefas do seu dia-a-dia.

O que é o Défice de atenção?

Segundo a rede hospitalar CUF, “o défice de atenção corresponde à ocorrência de períodos de atenção escassos ou breves e uma impulsividade exagerada para a idade. Este défice pode associar-se ou não à hiperatividade.”

De acordo com esta entidade de saúde, o défice de atenção é um problema que afeta entre 5% a 10% das crianças em idade escolar, sendo 10 vezes mais frequente em rapazes do que em raparigas.

O défice de atenção, quando isolado ou associado a hiperatividade, pode originar problemas em casa, na escola e nas relações pessoais, pelo que o seu diagnóstico e uma correta abordagem são fundamentais para o desenvolvimento de estratégias e terapêuticas com o objetivo de controlar esta perturbação e a atenuar, ensinando a criança e os que estão à sua volta a lidar com esta questão.

Sintomas do Défice de atenção

défice de atenção - foto Unsplash - menina a olhar para o horizonte

As primeiras manifestações costumam surgir antes dos 4 anos e quase sempre antes dos 7.

A principal característica desta síndrome é, de acordo com os especialistas da CUF, a dificuldade de atenção, de concentração e de persistência a nível contínuo nas tarefas.

Além disso, as crianças que sofrem de Défice de Atenção podem também manifestar um comportamento mais impulsivo e hiperativo.

Na idade pré-escolar (3, 4 e 5 aos), as crianças com este défice podem sentir-se:

  • mais inquietas, com níveis de ansiedade mais altos – quando comparados às restantes crianças da sua faixa etária;
  • manifestar problemas de comunicação, de relacionamento, o que pode levar a padrões comportamentais inadequados;
  • a agitação constante das pernas;
  • o mexer ou agitar e esfregar as mãos;
  • falar sem parar, interrompendo quem está a falar recorrentemente;
  • esquecer facilmente as coisas;
  • e ser desorganizado.

Na altura que dizem ser a mais difícil de um jovem em crescimento – a adolescência -, é possível que estes jovens desenvolvam uma depressão, nível elevado de ansiedade ou até agressividade.

Apesar da impulsividade e da hiperatividade terem tendência a diminuir com a idade, a falta de atenção e os seus sintomas podem permanecer até à idade adulta.

De acordo com alguns estudos já realizados, concluiu-se que cerca de 20% das crianças com défice de atenção apresentam dificuldades de aprendizagem e 90% têm um mau desempenho escolar, razão pela qual é tão importante definir estratégias de atuação na escola.

Estratégias para o Défice de Atenção na escola

défice de atenção - foto Unsplash - menino a ver uma história

Quando as crianças são muito distraídas, o progresso de alterações comportamentais é lento e, por esse motivo, é necessário que os professores encontrem ou trabalhem algumas estratégias para apoiar estes alunos.

De acordo com o Centro de Desenvolvimento educativo Pegadas, existem três principais “programas” a implementar para manter as crianças e jovens incluídos na comunidade e no ambiente escolar e, simultaneamente, melhorar o seu desempenho académico.

1. Ensinar os alunos a autocontrolar a sua atenção

Se o professor sentir que está a gastar todo o tempo útil da aula a chamar a atenção em aluno, o que se deve fazer? De acordo com o Centro de Desenvolvimento educativo, pode ajudar o aluno a reconhecer que não se está a concentrar na tarefa, podendo até ir mais longe e pedir-lhe que se acalme e se concentre na sua respiração.

2. Criar um ambiente propício para que não haja forma de se distraírem

Pode certificar-se que as mesas estão limpas e que os objetos que constituam distrações estão fora do campo visual dos alunos mais distraídos e mantenha as paredes da sala livres, sem muita informação.

No caso do explicador ao domicílio, tente dar a aula numa divisão da casa que esteja livre de distrações, que seja um espaço tranquilo e na qual não haja interrupções.

3. Gerir o tempo do aluno

O conceito de tempo é entendido de forma diferente de criança para criança, e para os alunos mais distraídos ou com défice de atenção geralmente é um conceito muito abstrato, uma vez que estes não têm ideia de como desenvolver as tarefas diárias ao longo do dia.

Para criar o efeito contrário, deve:

  • Manter uma rotina previsível das atividades. Pode fazê-lo ao anotar a sua programação diária e deixar o aluno alinhar o tempo definido para cada atividade consigo;
  • Ensinar os alunos a usar o planeamento diário para se organizarem;
  • Usar o relógio para controlar o tempo;
  • Incentivar o aluno a estimar quanto tempo demora a finalizar cada tarefa;
  • No final, comparar as estimativas do aluno com o tempo real que as atividades demoraram a ser concluídas.

O objetivo destes planos estratégicos é que os alunos adquiram ou desenvolvam as seguintes competências:

  • o planeamento (através da identificação e da realização das atividades);
  • a organização do material escolar, por exemplo;
  • a capacidade de autogestão de tempo; a memória de trabalho – lembrarem-se das instruções;
  • as respostas inibidoras, que são as respostas a estímulos depois de os processar e pensar, em vez de agir por impulso e de imediato;
  • o controlo emocional;
  • a atenção sustentada, ou seja, a realização de uma só tarefa de forma totalmente autónoma;
  • a iniciação da tarefa por iniciativa própria;
  • a adaptação às circunstâncias e imprevistos (flexibilidade);
  • a persistência – não desistir de uma tarefa ou desafio.

Tratamento do Défice de Atenção

défice de atenção - foto Unsplash - meninos em turma

Por norma, “o tratamento associa o uso de medicamentos a uma terapia comportamental realizada por um psicólogo infantil e adaptada a cada caso. Quando as crianças que não são muito agressivas e estão inseridas num ambiente familiar estável, pode ser suficiente o tratamento com recurso à medicação”, explicam os especialistas da rede de cuidados de saúde CUF.

As crianças com défice de atenção não costumam, geralmente, ultrapassar totalmente as suas dificuldades.

Os problemas que se manifestam ou persistem na adolescência e na idade adulta incluem o fracasso escolar, pouca autoestima, ansiedade, depressão e dificuldades na manutenção de um comportamento social adequado.

Se suspeitar que o seu filho tenha Défice de Atenção, consulte um profissional e solicite uma avaliação especializada.

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