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Hiperatividade na escola: dicas para lidar com ela

Hiperatividade na escola

A Hiperatividade e Défice de Atenção pode condicionar o sucesso de uma criança no seu percurso escolar.

Sendo uma perturbação que surge na infância e pode perdurar até à fase adulta, a PHDA (Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção) reflete-se num conjunto de sintomas associados ao défice de atenção, ao excesso de atividade motora (notória numa grande agitação da criança) e à impulsividade. A psicomotricista Beatriz Pereira e a pediatra Ana Serrão Neves partilham algumas dicas para ajudar as crianças com hiperatividade na escola a se integrarem no ambiente escolar mais facilmente e de uma forma eficaz.

Hiperatividade na escola

O simples facto de estar sentado numa cadeira, manter-se em silêncio e virado para o quadro a copiar o que lá está escrito ou, até mesmo, saber esperar pela sua vez para falar na sala de aula são tarefas que normalmente difíceis para estas crianças com esta perturbação (hiperatividade e défice de atenção) ser difíceis para estas crianças.

E atenção: não são tarefas difíceis porque são crianças “mal-educadas” ou “com falta de regras e limites”, explica Beatriz Pereira. São tarefas difíceis porque, após lhes ser feito um diagnóstico, se compreende que a razão pela qual lhes é difícil controlar o seu comportamento e gerir as suas emoções. Trata-se de um problema que pode ser controlado e atenuado e não de uma criança “sem limites”.

Dicas para lidar com a Hiperatividade na escola

hiperatividade na escola - Foto Peter Hershey Unsplash - professor a ajudar menina

Foto: Peter Hershey (Unsplash)

Como tal, a psicomotricista Beatriz Pereira e a pediatra Ana Serrão Neto partilham algumas dicas para lidar com a hiperatividade na escola.

1. Utilize reforços positivos para todos os comportamentos da criança, mesmo que sinta que são um dever da criança.

Dessa forma, aumentará a motivação da criança e fará com que se empenhe totalmente em controlar os seus comportamentos e acreditar que é capaz de desempenhar as suas tarefas autonomamente. A criança irá sentir-se bastante melhor e muito mais confiante. Passo a passo, vai construindo o seu castelo. Está apenas nos degraus, mas rapidamente lá estará!

2. Perante um comportamento desadequado, descreva o que viu e comunique com a criança sobre o que acha que poderia ter sido feito de maneira diferente.

É normal que estas crianças tenham noção do comportamento que seria aceitável, mas pela dificuldade em controlar os seus impulsos não o levam até ao fim. É importante que sintam que acreditam que numa próxima oportunidade serão capazes de continuar a dar o seu melhor e que não estão sozinhas. Com uma mão a ajudar-nos é sempre mais fácil. Ao menos, sabemos que se cairmos, alguém estará lá para nos amparar.

3. Seja assertivo nos limites e coerente no que diz e faz.

Só assim a criança terá uma clara noção de orientação e segurança junto de si. Esta orientação e segurança por parte da criança, ajudam-na a sentir-se menos ansiosa ou inquieta, ajudando-a a ter maior autocontrolo sobre o seu comportamento.

4. Antecipe as tarefas e atividades ao longo do dia.

hiperatividade na escola - Foto Unsplash - professora prestes a escrever no quadro

Utilizando um relógio, um temporizador ou um plano visual, ajudará a criança a ter tempo para se preparar emocionalmente para as mudanças entre as tarefas e atividades.

5. Partilhe instruções diretas, curtas e claras, e uma de cada vez.

Como explica a pediatra Ana Serrão Neves, uma das estratégias a “utilizar é fazer uso das frases curtas, objetivas e reduzidas ao essencial do tema em estudo”. Seja verbalmente ou em fichas; peça à criança que as repita consigo ou com um colega.

6. Peça a colaboração da criança.

Ajude-a a desenvolver a sua autoconfiança e proporcione-lhe momentos de descontração, pedindo a sua ajuda: “Podes pedir 10 fotocópias desta ficha que vamos fazer?”; “Podes ajudar-me a apagar o quadro?”. Desta forma, vai sentir-se útil e confiante. Além disso, irá focar-se na concretização de mais uma tarefa.

7. Convide a criança a sentar-se numa mesa frente ao quadro, mas não longe si.

“Assim, facilmente mantém contato ocular com a mesma ou toca-lhe no ombro para voltar a chamar a sua atenção quando necessário”, explica Beatriz Pereira.

8. Organize atividades e fichas aos pares ou em grupo.

hiperatividade na escola - Foto Santi Vedri Unsplash - crianças numa sala de aula a estudar juntos

Foto: Santi Vedri (Unsplash)

Trabalhar com os colegas, e com diferentes materiais, pode motivar a criança. Trabalhar com outros meninos pode ser desafiante e a fazê-la sentir-se incluída e não excluída, como poderia acontecer se só trabalhasse com crianças que tenham a mesma perturbação.

9. Dê prioridade à qualidade.

Dê prioridade à qualidade e não à quantidade de fichas ou atividades que a criança tem de fazer. Dar-lhe tempo para que faça as coisas ao seu ritmo e com o acompanhamento devido, irá ajudar a motivar a criança e a que esta faça um esforço para se focar nas atividades e tenha prazer com isso.

10. Descreva o quão bem está a criança.

Estás tão bem sentado!”, “Adoro ver como estás atento!” são algumas das frases que pode utilizar com estas crianças. De acordo com Ana Serrão Neto, é importante comunicar com entusiasmo e, dessa forma, motivar a criança perante a turma. Não se esqueça que é de evitar, ao máximo, as críticas destrutivas ou potenciar problemas.

Preocupe-se se a criança está bem na sala de aula e a conseguir acompanhar a matéria. A psicomotricista aconselha os educadores e professores a não se focar em demasia na forma como a criança está sentada, se está ou não com uma bola antisstress na mão enquanto trabalha ou com outros estímulos que não são prejudiciais à sua atenção! Nas crianças com hiperatividade na escola, o importante é o progresso e a capacidade destas se manterem-se empenhadas nas tarefas, não desistindo até à sua conclusão.

11. Não esquecer que “o adulto sou eu”.

É normal que o adulto se irrite e tenha dias de mais impaciência. No entanto, é expectável que como adulto que é, procure saber como autogerir estas emoções e o que pode fazer quando sabe que é um dia “não”. Posso respirar fundo? Posso, neste dia, tirar 10 minutos de pausa? Posso ser honesto com a criança, partilhar como me sinto e pedir-lhe a sua colaboração?

Estas são apenas algumas das estratégias para colocar em prática na escola, mas o trabalho começa de casa, como declara a pediatra Ana Serrão Neves – através do auxílio quanto à organização de tarefas e a saber exatamente o que tem a criança de fazer; a estabelecer um local fixo para realizar os trabalhos e estudar (de preferência, um local iluminado, longe da televisão e de zonas que possam potenciar mais distração); a permitir e incentivar pequenas pausas e intervalos; e a reforçar o trabalho concretizado ou o comportamento desejado.

Existem ainda outras formas de ajudar uma criança a autocontrolar-se, como as que pode ver clicando no link.

“Lembre-se que a criança tem uma dificuldade e não é mal-educada por opção! Tal como tem dificuldades também tem pontos potencialidades e qualidades que DEVEM ser valorizadas.

É um desafio diário acompanhar, ensinar e educar estas crianças tão especiais. No entanto, se sentirem que têm o vosso apoio e que não são menos do que as outras crianças, serão certamente pessoas muito mais felizes e adultos totalmente independentes, capazes de ter um percurso escolar, profissional e familiar como qualquer pessoa.”

Beatriz Pereira

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