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Mas afinal o que é ter Hiperatividade e Défice de Atenção?

Mas afinal é ter Hiperatividade Défice Atencão?

Ouve-se muito falar em hiperatividade e défice de atenção, mas até que ponto é um problema que deve ser tratado?

Pedimos à Prof.ª Dra. Ana Serrão Neto e equipa de Neurodesenvolvimento do Hospital Cuf Descobertas que escreveram o livro Hiperatividade e Défice de Atenção para nos esclarecerem.

Aqui está uma resumida explicação, para mais informação e casos de estudos não deixem de ler o livro.

Hiperatividade e Défice de Atenção

O que é a PHDA?

Segundo a definição da Associação Americana de Psiquiatria, na última revisão efetuada em 2013, a PHDA é uma perturbação persistente de desatenção e/ou impulsividade-hiperatividade, que se revela de modo mais intenso e grave que o habitual para indivíduos com o mesmo grau de desenvolvimento, interferindo significativamente no rendimento académico, social e laboral. Por esta razão, o diagnóstico formal só se realiza na idade escolar, pois só a partir desta idade se podem comparar mais assertivamente padrões de comportamento.

 

Quais os sintomas de uma criança com PHDA?

A perturbação de hiperatividade e défice de atenção pode apresentar-se com sintomas variados. Todas as crianças que sofrem desta perturbação têm défice de atenção, mas nem todas são hiperativas, nem impulsivas. Estão definidos três tipos de PHDA: tipo predominantemente desatento, tipo predominantemente hiperativo-impulsivo e tipo combinado. As manifestações clínicas podem evoluir de um subtipo para outro, assim como apresentar algumas variações, consoante os diversos ambientes da criança. Estes sintomas são inconsistentes com o nível de desenvolvimento da criança, isto é, não estão adequados ao esperado para a sua idade. Dentro da PHDA há diversos índices de gravidade, ou seja, há crianças com sintomas mais ligeiros e outras com sintomas mais graves.

 

Tipo predominantemente desatento

As crianças desatentas apresentam dificuldade em manter a concentração, por tempo ajustado à sua idade, sobretudo numa tarefa rotineira. Logo desde o 1.º Ciclo de escolaridade começa a exigir-se que as crianças permaneçam centradas numa tarefa durante um tempo superior à capacidade da criança com esta perturbação. Estas distraem-se facilmente com estímulos irrelevantes, o que prejudica o ritmo de trabalho e a finalização das tarefas. Parecem não ouvir o que se lhes diz e revelam dificuldade em seguir as instruções dadas. Não conseguem prestar atenção suficiente aos pormenores, cometendo erros, mesmo nas cópias. Tipicamente perdem objetos necessários para o adequado desempenho de tarefas.

 

Tipo predominantemente hiperativo-impulsivo

• Hiperatividade

A hiperatividade pode ser motora, verbal ou cognitiva. As crianças hiperativas parecem movidas por uma fonte de energia inesgotável, correndo, saltando e trepando de forma excessiva e inapropriada em situações em que tal comportamento não é esperado. Mexem constantemente as mãos e os pés, enrolam os dedos na roupa, roem as unhas, as pernas estão constantemente irrequietas por baixo da secretária. Não conseguem manter-se sentados na sala de aula ou em outras situações em que é exigida a posição formal de sentado, como por exemplo à hora da refeição e para fazer os trabalhos escolares. A sua participação em jogos ou atividades não é feita de uma forma calma, o que prejudica a sua relação com as outras crianças, assim como pode aumentar o risco de lesões acidentais. Falam excessivamente, apresentando um discurso rápido e muitas vezes pouco percetível.

• Impulsividade

A impulsividade reflete-se na dificuldade da criança em controlar os seus impulsos e em esperar pela sua vez, quer seja numa fila, nas brincadeiras, nos jogos, nas suas atitudes e até mesmo no seu discurso. Intrometem-se e interrompem as conversas e atividades dos outros, perturbando o normal funcionamento da sala de aula. Têm tendência a antecipar respostas, isto é, a responderem a perguntas que não foram concluídas ou a completarem as frases das outras pessoas. Tomam atitudes repentinas, aparentemente inesperadas ou desajustadas à situação, tecendo comentários desadequados. Estas crianças apresentam-se com baixa tolerância à frustração, sendo difícil aos adultos que lidam com elas controlar os seus acessos de «raiva».

• Tipo misto ou combinado

As crianças que têm PHDA do tipo misto são as que, por definição, apresentam simultaneamente sintomas de défice de atenção e hiperatividade-impulsividade. É por isso uma problemática de maior complexidade, afetando negativamente tanto o comportamento como a aprendizagem e suscitando grande tensão familiar e escolar.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é sempre clínico. Não há um teste definitivo que permita fazer o diagnóstico. Todavia, as crianças devem ser submetidas a vários testes psicológicos e os pais e professores devem responder a questionários comportamentais, por forma a pormenorizar a informação clínica. Todas estas ferramentas permitem sustentar a suspeita e o diagnóstico clínico, sob a orientação do pediatra de desenvolvimento. A reunião de toda a informação clínica deve ter em atenção critérios de diagnóstico específicos estabelecidos pela entidade internacional de classificação de doenças do foro psíquico.

 

O que se pode fazer em casa? E na escola?

Tanto em casa como na escola devem existir estratégias de organização, planeamento e comunicação adequadas a estas crianças.

Em casa há que estabelecer um estilo parental e de comunicaçao adequado. Outras estratégias práticas e funcionais são:

– auxiliar a criança a organizar as tarefas e a saber exatamente o que tem que fazer

– estabelecer um local fixo para realizar os trabalhos e para estudar

– de preferência, iluminado, longe da televisão e das zonas de maior circulação dentro de casa

– permitir e incentivar pequenas pausas e intervalos

– reforçar sempre o trabalho concretizado ou o comportamento desejado.

Na escola poderão privilegiar-se as seguintes estratégias:

– comunicar com entusiasmo e motivação para a turma;

– destacar a informação importante;

– utilizar frases curtas, objetivas e reduzidas ao essencial do tema em estudo;

– evitar críticas destrutivas ou situações embaraçosas para os alunos;

 

Que tratamentos existem para PHDA?

Os principais tratamentos são comportamentais e farmacológicos e devem andar associados.

Mesmo as crianças com indicação para realizarem terapêutica farmacológica devem ter apoio psicológico educacional e/ou comportamental. Ou seja, a medicação ajuda muito a criança, mas não resolve por si só todos os problemas.

Por exemplo, a criança deve ser ensinada a resolver as dificuldades de aprendizagem decorrentes da sua desatenção, bem como deve ser ensinada a se organizar e a encontrar estratégias que a ajudem a controlar a sua impulsividade.

 

O que é que este livro traz de novo?

De acordo com os autores, “o livro “Hiperatividade e Défice de Atenção” é o único livro escrito por uma equipa constituida por médicos e técnicos de diversas áreas, que complementa toda esta informação, abordando de forma abrangente todos os aspetos da PHDA, particularmente no que respeita as estratégias práticas que lhe permitem ultrapassar as dificuldades do dia a dia. É, portanto, o livro de referência da PHDA. Estamos convictos que a sua leitura o pode ajudar. Se forem bem acompanhadas, as crianças com PHDA serão adultos bem-sucedidos”.

 

Para mais informações consultem o Livro Hiperactividade e Défice de Atenção de Prof.ª Dra. Ana Serrão Neto e Equipa de Neurodesenvolvimento do Hospital Cuf Descobertas