Vítima de bullying: como podemos ajudar?

vítima de bullying

A sua abobrinha é vítima de bullying? Descubram aquilo que devem e não devem fazer para a amparar numa fase tão delicada.

Qualquer criança ou jovem pode ser vítima de bullying – essa é uma verdade que importa sublinhar.

Há crianças atacadas por terem boas e más notas. Há crianças atacadas por estarem acima do peso e por serem muito magras. Há crianças atacadas por usarem óculos, vestirem-se de forma diferente, pela cor de pele, por terem muitas ou poucas condições financeiras.

Por isso, é muito difícil traçar o perfil da vítima de bullying. No entanto, crianças com poucos amigos, interesses diferentes dos da comum maioria, mais tímidas ou com tendência a isolarem-se podem, por uma questão social também de “desamparo” e fragilidade, estarem mais expostas à violência gratuita por parte de outros colegas.

No entanto, o bullying afeta sobretudo crianças mais novas, a frequentar o ensino básico. Na sua grande maioria, os rapazes têm uma maior probabilidade de serem vítimas de bullying físico, verbal e/ou cyberbullying. Já as raparigas sofrem mais bullying de natureza social e relacional, ou seja, ataques verbais, exclusão das atividades e grupos, e boatos mal-intencionados. Em casos extremos podem também sofrer de agressão sexual.

Como saber se a criança é vítima de bullying?

sinais de bullying

Todos os pais se preocupam com a mais remota possibilidade de que as suas abobrinhas estejam a sofrer ataques ou insultos na escola. É normal que a vítima de bullying na escola não denuncie a situação, nem sequer aos pais, por ter medo das represálias, por vergonha, ou por temer que não acreditem nela.

Ainda assim, existem sinais de bullying e comportamentos comuns a todas as vítimas que podem indicar que algo de errado se passa.

Irritabilidade

O vosso filho é, por norma, uma criança calma, que reage bem a chamadas de atenção e que raramente se irrita, mas nos últimos tempos tem-se revelado mais agressivo, “por tudo e por nada”?

As crianças vítimas de bullying podem sofrer de alterações de humor constantes, estar mais zangadas e descontar na família, ou naqueles que lhes são mais próximos, as “respostas” que não conseguem dar a quem os ataca.

Tristeza

Ninguém é feliz quando se sente sozinho, atacado, inferior. Se a vossa abobrinha tiver perdido a alegria, sorrir muito menos, mostrar-se abatida ou não se entusiasmar com assuntos ou ideias que antes a deixavam extasiante, pode ser sinal de que algo de grave se passa.

Recusa em ir à escola

A abobrinha parece com medo de ir à escola, pede para ficar em casa, arranja desculpas constantes ou finge estar doente? Pode ser um sinal, principalmente se até há pouco tempo era uma criança que gostava de estudar e que nunca mostrava vontade de faltar às aulas.

A criança ter notas mais baixas do que as habituais também pode indicar algum problema, dentro ou fora da escola. A dificuldade em manter-se atento ou motivado é outro dos sinais de bullying a que precisam de estar atentos.

Outro alerta: se a abobrinha já vai sozinha para a escola e de repente pede aos pais que lhe façam companhia, provavelmente está com medo de alguma coisa. Resta descobrir de quê, ou de quem.

Outros sinais de bullying:

  • Material escolar estragado ou perdido sem que a abobrinha consiga dar uma justificação lógica,
  • Nódoas negras ou feridas também elas sem explicação;
  • Pesadelos ou choro durante o sono;
  • Dificuldades em gerir dinheiro (pode estar a ser roubado);
  • Está mais carente;
  • Recusa falar da escola.

Como se sente a vítima de bullying?

vitima de bullying triste

Os efeitos de bullying são, por norma, variáveis, ou seja, o impacto do bullying na vida da criança varia conforme o a estrutura de apoio e a gravidade dos ataques, mas, por norma, qualquer vítima de bullying se sente vulnerável, triste, sozinha, humilhada e com medo. Ataques continuados podem afetar de forma gravíssima a confiança da criança, em si e nos outros, e destruir a auto-estima de qualquer um.

A criança vítima de bullying pode, em casos extremos, começar a acreditar que é inferior e que merece todo aquele sofrimento. Daí à violência auto infligida, comportamentos de auto mutilação e/ou pensamentos (ou tentativas) suicidas pode ir um passo pequeno.

Toda a atenção é pouca, principalmente em casos sinalizados, e convém que os adultos responsáveis pela criança tomem atitudes concretas e lhe deem apoio constante.

Há coisas que nunca devemos dizer a uma vítima de bullying, mesmo que com a melhor das intenções.

Pedir-lhe que ignore a situação e seja “superior” é uma delas. Resumir tudo a “brincadeiras de crianças” também. Esta atitude de desvalorização não só não valida o sofrimento da criança como passa a ideia de que também para nós os seus medos não têm valor. É uma atitude que, a muito curto prazo, fará a abobrinha fechar-se na sua concha, não voltar a alertar para o problema (que, entretanto, se pode agravar), e que a fará sentir-se mais sozinha do que antes.

Sugerir ao vosso filho que “evite” os colegas maldosos também é uma sugestão pouco funcional, porque muito provavelmente a criança já tentará fugir dos agressores e sente-se consumida porque não o consegue fazer. Uma boa ideia passa por reforçar a necessidade de andar sempre acompanhado de um amigo ou colega de confiança – a ser atacado, pelo menos poderá defender-se e sentir-se protegido.

Incentivar à violência como resposta para a violência, ou frases como “tens que te defender/ser forte!” também não funcionam, por norma. A criança ficará a sentir-se culpada por não ter coragem ou força suficiente para fazer frente aos bullies, e pensará que os ataques são responsabilidade sua, que não é bom o suficiente para se “agigantar”.

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Como ajudar, então, uma vítima de bullying?

PSP/Escola Segura

A Pumpkin falou com o comissário João Moura, da Polícia de Segurança Pública, para perceber se faz ou não sentido denunciar situações de bullying às autoridades, e quando.

Para as crianças, conversar com adultos responsáveis e que podem intervir diretamente na situação de abuso é um alívio, ainda para mais porque a denúncia traz alterações concretas e melhora a sua qualidade de vida na escola.

1. O que devem fazer os pais/encarregados de educação se suspeitarem que as suas crianças estão a ser vítimas de bullying na escola? Devem entrar em contacto com o professor responsável pela turma e/ou a direção da escola ou podem denunciar diretamente à Escola Segura/PSP?

Sim, podem denunciar diretamente às equipas Escola Segura da PSP. O importante é não tornar o tema tabu, avisando as Entidades competentes.

Por uma questão de proximidade podem também e desde logo denunciar na escola mas essa informação pode e deve chegar à Polícia.

Aproveitamos para relembrar um importante alerta digital deixado nas nossas redes sociais, amplamente divulgado e que nunca será demais partilhar:

PSP alerta bullying

2. Em que situações devem os pais entrar imediatamente em contacto com a PSP/Escola Segura?

Em todas as situações em que uma criança/jovem se sinta ameaçada, coagida, manietada ou agredida (física ou psicologicamente). No fundo, sempre que sinta medo de estar na escola ou de ir para a escola, fruto de uma ação ou ações premeditadas e dolosas de um ou mais agressores.

3. O contacto com o PSP/Escola Segura pode ser feito unicamente pelos pais/EE da vítima de bullying ou qualquer membro da comunidade escolar – por exemplo, funcionários, professores, outros pais a título individual ou associações de pais – pode denunciar?

Todas as Entidades ligadas ao meio escolar podem contactar/denunciar. Aliás, é importante que haja uma cultura de segurança que envolva todos os atores no meio escolar para sinalizar, denunciar e resolver casos de bullying.

4. Após uma denúncia, como atua a Escola Segura? Qual é o processo que seguem os profissionais para validar a veracidade dos factos relatados?

Há uma presença física na escola, contacto com a vítima, com funcionários e professores, com os colegas e possíveis agressores e validação tendo por base todos os mecanismos de segurança da escola (vídeo vigilância, por exemplo, se houver).

5. Confirmada a situação de bullying, qual é o raio de ação concreto da Escola Segura? Isto é, como é que esta autoridade resolve o problema? O bullying é considerado um crime à escala legal, tendo implicações jurídicas? 

Sim. As penas existem e podem ir dos 3 meses no caso de injúrias ou 25 anos no caso de homicídio qualificado. Tem de ser uma atuação com o pleno conhecimento do Conselho Diretivo da escola e não nos podemos esquecer da responsabilização criminal a partir dos 16 anos (menores emancipados).

Nos restantes caso a Lei Tutelas Educativa é um precioso auxiliar, mas é correto: as sanções existem por forma a penalizar os agressores. A escola tem autoridade para, numa primeira fase, agir sinalizando a situação e, posteriormente, solicitar a presença na PSP no recinto escolar.

6. Como podem os pais reportar situações de bullying à Escola Segura? Por telefone ou e-mail? Ou o mais adequado é dirigirem-se a uma esquadra para formalizar denúncia? 

Todas as formas de denúncia são válidas mas a mais fácil tem sido a própria base de sucesso do programa Escola Segura da PSP, que celebra este ano 25 anos de vigência: a presença física e regular destas equipas junto às escolas.

A rede de contactos e proximidade é também estimulada pela PSP havendo um contacto verbal diários com pais, professores, funcionários e alunos o que facilita caso haja uma denúncia que se queira fazer.

7. A Escola Segura/PSP realiza ações de prevenção de bullying nas escolas? Quais?

Afirmativo. Por várias formas: ações de sensibilização nas salas de aula (para os mais novos temos inclusivamente os episódios animados “Eu Faço Como Diz o Falco”, nossa mascote) ou o mais recente “ID A Tua Marca na Net” que se baseia em peças de teatro com o apoio da Fundação Altice e alguns atores conhecidos do grande público.

Isto para além dos contactos individuais com as crianças e jovens que se vão fomentando, fruto dos laços que se criam com a nossa proximidade. Já temos casos de jovens adultos que ainda se lembram do nome e se tornaram amigos dos Polícias da Escola Segura que trabalhavam na área das suas escolas quando eram crianças, o que é fantástico.

Atitude dos pais

O Centro Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem partilhou algumas estratégias para que os pais possam ajudar os filhos vítimas de bullying de forma imediata, contundente e equilibrada:

– Em primeiro lugar, reúnam os factos: falem com o vosso filha acerca do que se está a passar, quem está envolvido, onde e quando ocorreu. Quanto mais perguntas fizerem, mais informação conseguirão obter;

Anotem os dados: tente recriar uma linha do tempo com todos os acontecimentos;

– Antes de ir à escola, contem a história a alguém próximo ou da vossa família, assegurando-se de que estão a restringir-se aos factos e o mais objectivamente possível;

– Informem-se se a escola contempla alguma tipo de regra ou medidas específicas para denunciar uma situação de bullying;

Falem primeiro com o professor titular, não vão logo para a direção. O professor é o vosso maior aliado. Perguntem-lhe se ele tem algum conhecimento desta situação, contem-lhe a história de bullying do vosso filho e reúnam-se com ele novamente no espaço de uma semana, para tentar avaliar se a situação persiste ou se, pelo contrário, já se encontra resolvida;

– Se o bullying continuar, então sim deverão, juntamente com o professor, falar com a direção da escola. Tentem averiguar de que forma a direção vai lidar com o assunto.

Depois, claro, existe o apoio emocional, fulcral para crianças que se sentem diminuidas, tristes e rejeitadas. O amor faz mesmo toda a diferença no mundo: façam o vosso filho sentir-se a criança mais amada do mundo, todos os dias.

Abraços, beijos, reforço de comportamentos positivos, um jantar no seu restaurante favorito, um passeio até ao parque – não fazendo milagres, são gestos que, concertados com uma ação conjunta com a escola e as autoridades, podem devolver à criança a confiança e alegria.

APAV para Jovens

Se as vossas abobrinhas são vítimas de bullying, pode fazer-vos sentido entrarem em contacto com a APAV para Jovens. A APAV presta apoio a todas as vítimas, independentemente de terem ou não denunciado a situação às autoridades, e o apoio é gratuito e confidencial.

A APAV possui uma rede nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima espalhados por diferentes regiões do país. Neles, as crianças podem conversar com um Técnico de Apoio à Vítima, pessoas devidamente formadas e preparadas, e que podem aconselhá-las e apoiá-las, além de responder às dúvidas e preocupações das abobrinhas.

Se precisarem de ajuda ou informação podem:

  1. Ligar para o número 707 200 077, todos os dias úteis, entre as 10h e as 13h e as 14h e as 17h.
  2. Enviar um e-mail para [email protected].
  3. Visitar o Gabinete de Apoio à Vítima mais próximo do vosso local de residência.

Associação Anti-Bullying Crianças e Jovens

O Centro de Apoio “Deixa o Bullying Só!” é um serviço complementar ao projeto, executado em parceria com a Universidade do Minho, que visa ser, essencialmente, um contacto de ajuda para todos os intervenientes num comportamento agressor.

O Centro de Apoio recebe vítimas de bullying, agressores e testemunhas, garantindo o anonimato e confidencialidade dos dados pessoais de todos.

Encontrarão na equipa do Centro de Apoio, colaboradores experientes, competentes e empáticos, que ajudarão as crianças a ultrapassar todos os obstáculos relacionados com o bullying.

Entrem em contacto com o Centro de Apoio “Deixa o Bullying Só” através do e-mail [email protected].

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