Autismo: 5 coisas que precisamos de saber

Autismo: 5 coisas que precisamos de saber

Está presente na nossa sociedade, e é preciso falar sobre ele. O que é, afinal, o autismo, como funciona e como podemos acolher melhor as pessoas no espetro?

Falar sobre autismo não é fácil – mas deveria ser. Deveria ser, porque as Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) são uma questão humana e, portanto, tocam-nos a todos. Deveria ser, porque a diferença é algo mais normal do que o que o próprio nome sugere, e é urgente compreendê-la e abraçá-la.

Para informar e desmistificar, elencámos 5 tópicos que achamos essenciais sobre o autismo. Este artigo foi escrito com base nas informações divulgadas pela Associação Vencer Autismo, que também se encarregou de o rever, e a quem agradecemos a amável colaboração.

O que é o autismo?

O autismo é um espectro da neurodiversidade, ou seja, um leque no qual se enquadram várias formas de funcionamento dos cérebros humanos. Dele, fazem parte cerca de 1% de todas as pessoas do mundo!

Devido às mudanças recentemente efetuadas nos manuais de diagnóstico, atualmente, “Perturbação do espectro do autismo – PEA” ou Autism Spectrum Disorders (ASD) tornou-se a designação mais comum para este diagnóstico.

O cérebro  das pessoas com autismo funcionam de forma diferente da maioria.. No entanto, também entre elas existem diferenças no funcionamento neurológico – a forma de ver, ouvir e sentir o mundo, os desafios e os potenciais de cada pessoa no espectro são únicas.

Existem, no entanto, alguns traços comuns, como é o caso da dificuldade na interação social, dos interesses intensos (hiperfocos), do excesso ou falta de sensibilidade a estímulos, ou dos comportamentos repetitivos e exclusivos.

As pessoas com autismo podem ter dificuldades nas mais diversas áreas, desde a aprendizagem à socialização, passando pela motricidade e pela comunicação verbal. Mas em todas elas existem capacidades e potencial – enquanto algumas sentem grandes desafios em estabelecer uma conversa com outra pessoa, por exemplo, outras não manifestam nenhuma dificuldade em comunicar.

O autismo não é uma doença e, como tal, não tem uma cura. As pessoas que se enquadram no espetro podem, no entanto, ser acompanhadas para que tenham acesso a estratégias e métodos para apoiar o seu desenvolvimento, diminuir dificuldades e estimular potenciais, melhorando a sua qualidade de vida.

Quais as causas do autismo?

Ainda não são conhecidas causas para o autismo. Sabe-se que está presente em pessoas de todos os géneros, culturas, nacionalidades e camadas sociais.

A investigação para determinar qual a causa está em progresso e sugere atualmente que pode existir uma combinação de fatores – genéticos e ambientais – que podem ser responsáveis pelas diferenças de desenvolvimento.

Existem vários tipos de autismo?

Existem vários rótulos e diagnósticos diferentes no que toca ao autismo e suas variantes.Entre eles estão: Autismo, Perturbação do espectro do autismo (PEA),  Autismo clássico, Pervasive Developmental Disorder (PDD), Autismo de alto funcionamento (HFA – High Functioning Autism) e Síndrome de Asperger. No entanto, como referimos anteriormente, devido às alterações nos manuais de diagnóstico, atualmente, o termo usado é Perturbação do Espetro do Autismo, que depois pode ser definida em 3 níveis consoante o nível de apoio que a pessoa precisa.

Em 2016 (dados da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e do Autismo, aqui) revelavam que 70% das pessoas com autismo são dependentes, outras 20%/25% são semidependentes e só 5% é que são independentes e, mesmo assim, precisam de acompanhamento.

Sinais de alerta nas crianças

  • Ausência de comunicação verbal: em bebés, não fazerem sons; depois, não falar ou regredir na fala, falando o menos possível e recorrendo antes aos gestos;
  • Falta de comunicação não verbal e/ou contacto visual: não fazer expressões faciais ou não sorrir, não olhar nos olhos, não olhar quando é chamado, não olhar para ver o que os outros estão a fazer;
  • Pouco interesse no que se passa à volta: não reagir a sons ou barulhos, não brincar nem ter interesse nas outras crianças, isolar-se;
  • Comportamentos repetitivos: abanar as mãos, balancear-se, alinhar objetos, andar em bicos de pés pela casa, rodar objetos, repetir sempre a mesma palavra/frase (sem intenção de comunicar), etc;
  • Comportamentos desafiantes: birras, comportamentos agressivos e autoagressivos. Em bebés, choros intensos, difíceis e sem causas identificáveis;
  • Problemas com o sono: dificuldade em adormecer, sono instável, dormir poucas horas, acordar a meio da noite
  • Particularidades sensoriais: não gostar de contacto físico, ser seletivo em relação aos alimentos e sensível a cheiros e sons, por exemplo.

Se identificarem estes sinais nas vossas abobrinhas, falem com o médico pediatra, que saberá avaliar a situação. É importante descrever-lhe todos os sinais observados, ou mesmo mostrar-lhe vídeos dos comportamentos da criança, caso seja pertinente. O diagnóstico do autismo é feito através da observação de comportamentos – não existe nenhum exame ou teste para o efeito.

Deste modo, poderá existir um diagnóstico que abra portas para um acompanhamento adequado da criança. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais cedo a criança poderá começar a ter um apoio à medida das suas necessidades, e mais rapidamente poderá avançar.

Mas lembrem-se, o diagnóstico não é essencial para começarmos a trabalhar com as nossas crianças. Se as vossas abobrinhas mostram alguns dos sinais e têm algumas dificuldades, brinquem e façam atividades para desenvolver essas áreas, só têm a ganhar!

Como acolher melhor as pessoas no espetro?

Mais do que aceitar, é preciso acolher a diferença. Estas são algumas coisas em que todos podemos trabalhar para que o mundo seja um lugar melhor para as pessoas com autismo (e para todos, na realidade).

Travar o estigma. O autismo não é uma doença, e as pessoas que vivem com ele não são seres com menos capacidades ou que precisem de ser colocados numa redoma. As pessoas com autismo não são inferiores, elas têm diferentes experiências, competências e potenciais e têm direito a uma vida digna, com respeito e sucesso, como todas as pessoas. 

Procurar compreender. Para travar o estigma, precisamos de compreender. Quanto mais aprendermos sobre como funciona o Autismo, melhor vamos saber lidar com ele e ajudar os outros a lidarem também. A comunicação e a compreensão são duas chaves mestras para o coração de qualquer pessoa.

Respeitar as preferências de cada um. É, no fundo, o que precisamos de fazer com todos os que nos rodeiam. Todos nós somos diferentes (tal como as pessoas com autismo também o são) , o importante é conhecer e aprender a respeitar os limites e preferências de cada um. Muitas pessoas no espetro não se sentem incapacitadas ou não gostam de ouvir que são especiais, por exemplo. Do mesmo modo, enquanto algumas pessoas com autismo adoram música, a outras faz-lhes confusão, por exemplo.

Não segregar. Algumas das atividades e espaços alternativos dedicados às pessoas no espetro do autismo podem ter o efeito contrário ao da inclusão – a segregação. Mais do que criar iniciativas só para estas pessoas, é crucial encontrar formas de todos nós participarmos todos em atividades e espaços que já existem tendo a oportunidade de convivermos com todos, contribuindo para um mundo inclusivo e aberto à diferença.

Criar condições. Em casa, na escola, na comunidade e no mercado de trabalho, são necessárias mais condições para acolher as pessoas com PEA. É essencial abrir espaço e desenvolver estratégias de adaptação que lhes permitam participar em todos os ambientes e atuar como parte ativa da sociedade.

Abraçar a diferença. No fundo é isto que se pretende, acolher, integrar e abraçar a diferença como algo natural que faz parte das nossas vidas, dos nossos dias, como tantas outras coisas. Tolerar não é o mesmo que incluir. É importante que a sociedade compreenda o autismo e dessa forma abrace tudo o que o autismo traz consigo, dificuldades e potenciais – tal como acontece com todos nós. 

Ninguém gosta de se sentir excluído, nem mesmo tolerado, mas a verdade é que isto acontece muitas vezes com crianças e adultos com PEA. Faz falta aprendermos que a diferença é parte natural da vida, normalizando-a e abraçando as diferenças de cada um.

Acompanhem os Eventos da Vencer Autismo

Gostavam de saber mais sobre o autismo?

Todos os meses, a Associação Vencer Autismo organiza uma palestra sobre o autismo e um workshop para melhor compreenderem e lidarem com o autismo, ambos gratuitos.

Para participarem, basta fazerem a inscrição através dos links:

Conhecem outras iniciativas do género? Partilhem connosco nos comentários!

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