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Grafomotricidade: a psicomotricidade e as dificuldades na escrita

Psicomotricidade e dificuldades na escrita

Se a criança não tiver a noção e confiança sobre o seu corpo e as especificidades de cada parte do corpo, não saberá como usá-las de forma adequada nas ações do dia-a-dia.

Muitas são as dúvidas e preocupações dos professores e pais sobre a motricidade fina dos seus filhos e alunos no que diz respeito à escrita. Beatriz Pereira, psicomotricista e autora do blog Mais Q’ Especial, fala-nos mais sobre as possíveis abordagens a algumas destas dificuldades.


Ora porque não sabem segurar o lápis ora porque não realizam bem os movimentos implicados na grafia ora porque colocam muita pressão ou pouca pressão no lápis….todo um conjunto de dúvidas e que, naturalmente, preocupam.

Aquilo que nos devemos consciencializar é que não basta intervir-se diretamente sobre a força aplicada sobre o lápis, a correção da postura ou arranjar estratégias para promover uma preensão do lápis adequada.

Esta intervenção é fundamental sim mas há toda uma outra abordagem que é fundamental desenvolvermos juntos das crianças com estas dificuldades e que implica ligar a área motora à área cognitiva.

1. Perceber se a criança compreende e diferencia conceitos de forte/fraco, mais/menos, grande/pequeno, pesado/leve, cima/baixo, linear/circular, entre outros.

2. Promover atividades de coordenação e organização do nosso tónus muscular. Por exemplo, vamos fingir que somos um coelho e que vamos cima de um fardo de palha; Agora, vamos fingir que somos um elefante que também irá cair sobre o fardo de palha. Que diferenças existiram no barulho, no fardo de palha, etc?

3. Promover a noção de corpo.

4. Desenvolver a consciência dos movimentos de cada parte do corpo e das ações específicas associadas a essa parte do corpo.

Agora, perguntam mas como é que isto pode ajudar a criança a segurar melhor o lápis ou a realizar os movimentos implicados na grafia?

Se uma criança não souber diferenciar maior pressão e menos pressão, terá mais dificuldade em passar de um estado para o outro e terá mais dificuldades em perceber como ajustar a sua forma de segurar o lápis de forma mais funcional e adequada.

Se uma criança não tiver consciência de como é “ser pesado” ou “ser mais leve”, terá mais dificuldade em perceber a diferença entre estes estados e em ajustá-lós.

Se a criança não tiver a noção e confiança sobre o seu corpo e as especificidades de cada parte do corpo, não saberá como usá-las de forma adequada nas ações do dia-a-dia.

Fez sentido?

E isto só prova como a Psicomotricidade é uma mais-valia: um trabalho de desenvolvimento a nível do corpo, cognição e emoção porque estas áreas estão sempre ligadas.

  • Gratuito

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