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As crianças e as tecnologias digitais: o que mudou num ano?

crianças e as tecnologias digitais

Conheça o impacto das tecnologias nas crianças e o que podemos fazer para incorporar a tecnologia na nossa vida familiar

Um estudo recente sobre a utilização de tecnologia pelas crianças e famílias pretendia identificar as e práticas digitais, e também os benefícios e riscos associados. Dentro do âmbito do estudo, voltaram a entrevistar 8 das 10 famílias do estudo original, com o objetivo de perceber se houve alterações, no espaço de um ano, e as razões por detrás dessas alterações.

As principais conclusões.

O tablet continua a ser o dispositivo preferido das crianças.

O tablet, mais do que o computador ou o smartphone, continua a ser a primeira escolha das abobrinhas. As atividades favoritas? Jogar e de ver vídeos no YouTube.

As tecnologias são utilizadas agora também num contexto escolar.

Como a maioria frequenta atualmente o 3º ano da primária, as suas competências de leitura e escrita desenvolveram-se bastante relativamente ao ano passado. Assim, usam agora as tecnologias com mais regularidade para pesquisar assuntos específicos do seu interesse ou escolares. No entanto, apesar do aumento destas competências, as crianças continuam a ser mais utilizadores passivos do que produtores de conteúdos.

As tecnologias digitais deixaram de ser apenas percepcionadas como “brinquedos” e as famílias já reconhecem o seu potencial pedagógico.

Ainda assim, o entretenimento é mais associado ao tablet e a aprendizagem ao computador.

Os pais já não estão tão ansiosos com a utilização das tecnologias pelos filhos.

As percepções dos pais com relação às tecnologias são mais positivas, enfatizando e motivando a sua importância para pesquisas escolares. Consequentemente, estas percepções influenciam a mediação parental dos pais: pais com atitudes positivas relativamente às tecnologias são mais permissivos e participativos, ao passo que pais com atitudes negativas são mais restritivos e menos participativos.

Os pais evoluíram na sua mediação.

Adotaram uma postura mais atenta (admitem supervisionar também o conteúdo, e não apenas o tempo de utilização) e em alguns casos participativa.

Os pais continuam a considerar que as crianças ainda não estão expostas a muitos riscos.

Muitos dos pais já abordaram o tema de conteúdos impróprios na internet, sobretudo violentos, assustadores ou relacionados com sexo, instruindo os filhos para não verem este tipo de conteúdos, mas ainda não falaram de outros assuntos, como segurança, proteção de dados, exploração comercial, cyberbullying, entre outros.

Temem futuramente sobretudo a utilização das redes sociais e a aquisição do smartphone.

E agora?

Como os próprios pais afirmam, estão perante um novo desafio: são a primeira geração de nativos digitais que são pais de “digitods”.

Ou seja, a primeira geração de adolescentes que contactou com a internet e com os telemóveis, que em muitos aspetos se apropriou destas tecnologias, ditou tendências e estabeleceu práticas, e que atualmente são, na generalidade, utilizadores frequentes e competentes das tecnologias digitais. Esta geração de pais é confrontada com a necessidade de avaliar e decidir sobre situações completamente novas, das quais não há qualquer referência.

Nunca antes na história as crianças contactaram com tecnologias digitais desde o nascimento. E esta geração touch-screen tem uma relação diferente com a tecnologia, que não lhe surge como algo novo, mas sim como algo que sempre existiu.

As crianças continuam pouco informadas sobre segurança digital.

Amaioria dos pais considera que ainda é cedo para conversar com elas sobre estes temas, até porque não estão totalmente conscientes das atividades online dos filhos e dos perigos a que estão expostos.

Recomendamos aos pais a adoção de um estilo de mediação parental autorizado.

É importante existir supervisão e regras definidas (que podem ser negociadas, não implica que sejam impostas), mas sobretudo a participação dos pais e acompanhamento (co-utilização), de modo a promover um comportamento responsável e autorregulação por parte das crianças.

Recomendamos também a pesquisa de informação e recursos online, quer informativos quer de controlo.

É fundamental encontrar fontes credíveis, que possam ajudar os pais a informar-se a abordar alguns destes temas com os filhos.

A formação seria relevante no sentido de sensibilizar e prevenir pais para os riscos online.

Existindo já várias iniciativas neste sentido, falta por vezes uma atuação mais integrada e profícua, por exemplo a sua divulgação em escolas ou centros de saúde.

Se este tema lhe interessa, pode ler mais conclusões e dicas no estudo.

Se encontrar alguma incorreção contacte-nos por favor.