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Tosse: amiga ou inimiga?

tosse

A tosse é um sintoma extremamente frequente em Pediatria e, na verdade, não passa de um mecanismo de defesa, que serve para “limpar” os pulmões e as vias respiratórias inferiores.

No entanto, é importante perceber porque surge a tosse e, acima de tudo, quais os sinais de alarme a que se deve estar atento. O Pediatra Hugo Rodrigues, que lançou recentemente o renovado projeto Pediatria para Todos, partilha connosco estas dicas valiosas, agora que o frio se instalou e as abobrinhas parecem estar sempre a tossir.


Sempre que alguma partícula estranha (microorganismo, poeira, líquido, expectoração, …) chega aos brônquios ou pulmões, a primeira resposta do organismo é tentar eliminá-la. Para isso, é desencadeado o reflexo da tosse, em que ocorre uma saída de ar forçada pela boca, a alta velocidade, arrastando consigo o que conseguir.

Na maior parte das vezes é causada por infecções respiratórias e, apesar de surgir em poucas horas, demora muito mais tempo a desaparecer. De um modo geral, dura cerca de 2-3 semanas, período ao longo do qual vai melhorando lenta e progressivamente. No início surge, habitualmente, uma tosse seca e irritativa, seguida ao fim de 3-4 dias por tosse produtiva e com expectoração. Ao fim de cerca de uma semana a tosse volta novamente a ser seca e só depois vai desaparecendo.

É muito importante conhecer estas características e tempo de evolução da tosse, porque só assim se consegue distinguir uma evolução típica de uma evolução atípica, sendo que esta última implica sempre observação médica e, eventualmente, realização de exames para investigação.

Uma vez que se trata de um mecanismo de defesa, não requer tratamento na maioria das vezes.

De qualquer forma, há alguns procedimentos que devem ser adoptados e que podem ajudar a aliviar o desconforto provocado pela tosse:

– Fazer uma boa higiene nasal, com ajuda de soro fisiológico ou um spray de água do mar e, eventualmente, utilizando também um aspirador nasal;

– Fraccionar as refeições nos casos em que as crianças vomitam com a tosse, ou seja, dar mais vezes de comer, mas menos quantidade de leite/alimentos em cada refeição.

De um modo geral, a administração de medicamentos para “parar” a tosse deve ser evitada, pois acabam por retirar alguma capacidade de resposta do organismo e boicotar a principal forma que temos de limpar os pulmões.

Já em relação aos remédios mais tradicionais ou “caseiros”, tais como os xaropes de cenoura ou mel, a sua eficácia é, no mínimo, bastante duvidosa e devem também ser evitados, uma vez que possuem demasiado açúcar e podem ser mais prejudiciais do que benéficos.

Sinais de alarme

A tosse é muito frequente e todas as crianças têm vários episódios em que tossem durante o ano. A maior parte dessas situações são “comuns” e pouco graves, mas há alguns sinais de alarme que os pais devem conhecer, tais como:

– mau estado geral da criança;

– febre alta, difícil de controlar;

– falta de ar;

– sinais de dificuldade respiratória (o nariz a abrir e fechar ou a pele entre as costelas a ir “para dentro e para fora” durante a respiração);

– tosse com mais de 3 semanas de duração, sem noção de melhoria;

– vómitos persistentes;

– dificuldade na alimentação;

– guincho inspiratório entre acessos de tosse.

É muito importante estar atento a estes sinais, porque a sua presença implica sempre uma observação médica mais urgente.

Se encontrar alguma incorreção contacte-nos por favor.

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