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Confiança na adolescência e na pré-adolescência: como ajudar na sua construção?

confiança na adolescência

Uma menina confiante será, no futuro, uma mulher confiante, de bem consigo mesma e feliz.

Numa altura em que as mulheres são cada vez mais agredidas (não apenas fisicamente, como também psicologicamente) e rebaixadas por uma sociedade que as condena pelo que vestem, dizem e pelo que mostram ser sem pudor do que digam, a importância de formar pequenas mulheres a se defenderem de tudo isto torna-se cada vez mais importante. Por esse motivo, abordamos hoje a confiança na adolescência e pré-adolescência.

Se há característica que os pais querem que as suas filhas tenham é confiança (e elas também o querem, mas sobre isso falaremos mais adiante). Sabe-se agora, depois de inúmeros estudos o comprovarem, o papel que esta característica desempenha na vida das pessoas, desde o sucesso na carreira ao alcance de uma felicidade plena.

O Código de Confiança para as Raparigas

Claire Shipman e Katty Kat, jornalista da BBC World News America, estavam a promover o seu livro “The Confidence Code: The Science and Art of Self-Assurance — What Women Should Know“, numa tour pelos EUA, quando se depararam com muitos pais que chegavam até si questionando como agir quando sentiam que as filhas não estavam bem consigo próprias e tinham falta de confiança.

Estas perguntas e preocupações dos pais foram o ponto de partida para a escrita de um novo livro: “The Confidence Code for Girls: Taking Risks, Messing Up, Your Amazingly Imperfect, Totally Powerful Self“.

“É um paradoxo familiar para todos os pais: as meninas estão a alcançar cada vez mais prestígio, mas são simultaneamente assoladas com dúvidas e receios. As meninas preocupam-se constantemente com a sua aparência, com o que as pessoas ao seu redor pensam, porque não conseguem notas perfeitas e quantos seguidores têm nas suas redes sociais.

Katty Kay e Claire Shipman usam a ciência e os estudos sustentados em investigações profundas, bem como métodos comprovados de mudança comportamental para chegar às meninas justamente na altura em que mais precisam – na adolescência.

Estes dois parágrafos mostram, sinteticamente, do que o livro trata. Entre ilustrações, quizzes, check-lists e histórias reais, as meninas e raparigas deparam-se com esta dura realidade da falta de confiança e o que fazer para a combater e acreditarem mais em si.

Com vista a complementar ainda mais os factos apurados nas investigações analisadas, as autoras solicitaram a realização um estudo onlineDesse estudo, que contou com a participação de 1400 jovens com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos, surgiram resultados surpreendentes: as meninas com idades entre os 8 e os 14 anos tinham o índice de confiança cerca de 30% mais baixo do os meninos nesta faixa etária e três em cada quatro meninas afirmou ter medo de falhar. Existem ainda outros dados preocupantes e chocantes: mais de metade das raparigas adolescentes sentem uma enorme pressão para serem perfeitas (e, por perfeitas entenda-se ter um corpo lindo e escultural e uma face sem quaisquer imperfeições).

Mas, nem tudo é mau. Apurou-se também que 8 em cada 10 jovens querem sentir-se mais confiantes.

Vamos a isso, então! Como dar mais confiança na adolescência? Damos-lhe, de seguida, cinco sugestões.

5 dicas para dar mais confiança na adolescência e na pré-adolescência

1. Ajude-a a sair da sua zona de conforto.

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Foto: Matheus Bertelli/Pexels

O que os pais das meninas podem fazer é ajudá-las a “ficarem confortáveis mesmo em situações desconfortáveis”, explica a autora Claire Shipman, reforçando ainda que este livro serve precisamente a função de ajudar as raparigas a perceberem que é bom avançar, mesmo com medo, mesmo correndo riscos, porque, no fim, serão bem-sucedidas, quanto mais não seja pelo simples facto de terem enfrentado um receio que tinham ainda antes de tentarem.

Mas, como fazê-lo?

Enquanto pais o que podem fazer é falar com as vossas filhas sobre a forma como veem os riscos e os medos que daí advêm e sugerir algumas formas de não se deixarem levar por esses temíveis receios.

A autora e jornalista especifica que os pais podem e devem, acima de tudo, dar coragem às filhas, dizendo-lhes: “Sim, é normal ter medo. Pode ser um bocadinho assustador, mas diz a ti mesma que ‘Eu vou ter medo, mas ainda assim vou tentar'”.

2. Escrever uma lista dos potenciais riscos.

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Foto: Tirachard Kumtanom/Pexels

De acordo com as autoras, se a sua filha tiver uma lista dos potenciais riscos que corre e que assume é já um prenúncio do que ela será capaz de fazer. O mesmo é aplicável ao que corre menos bem. Ao fazer uma lista do que poderia ter corrido melhor, fará os pré-adolescentes e adolescentes lidarem bem com isso, originando assim o seu próprio empoderamento.

Além disso, pode ajudá-las dando-lhes outras dicas como, por exemplo, fazer uma lista de algumas frases que se apliquem a diversas situações em que os pequenos possam experienciar os mesmos sentimentos – “Já fiz isto antes. Portanto, posso e vou conseguir fazê-lo novamente!” – o tal “I got this!”, em inglês.

3. Relembre-a que o “fracasso” acontece e que é por isso que vamos tentando e, eventualmente, mais tarde ou mais cedo, acabamos por chegar ao nosso “destino”.

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Foto: Tirachard Kumtanom/Pexels

As jovens precisam ter a noção que as falhas acontecem e irão acontecer sempre durante toda a vida. Não é algo que se possa evitar, mas que cujo impacto pode ser diminuído se for aceite. Só assim, existirá a hipótese de melhorar o que não correu bem e fazê-lo resultar, num futuro próximo!

Até que isso aconteça, o que um pai ou mãe podem fazer é incentivá-la a fazer uma atividade que a faça esquecer o que aconteceu, como ler um livro, ver uma série de TV (de preferível cómica ou qualquer outro género, desde que não seja drama), ouvir música, ir passear o seu animal de estimação (caso tenham um, claro). Assim, não só ficará distraída, como se vai animando pouco a pouco.

Outra forma é, como explicam Claire Shipman e Katty Kat, colocar este pequeno precalço em perspetiva. De acordo com um especialista, fazer “passeio virtual num balão de ar quente” pode ser uma forma de pôr em prática este conselho. Nesse passeio imaginário, podem incentivá-la a imaginar-se no céu, bem junto das nuvens, a olhar, de um outro lado, o que aconteceu e a fez sentir um “fracasso”.

Segundo as autoras, isso irá fazer com que a adolescente comece a colocar em causa as reações perante o acontecimento e permite-lhe que o veja de um ângulo diferente, abordando-o de uma forma distinta.

Por último, pode ainda recorrer ao humor para desdramatizar a situação, mas avalie bem a situação, porque este último ponto nem sempre resulta e, tratando-se de jovens com um milhão de hormonas à luta, pode piorar ainda mais a situação!

4. A falha e a luta do seu “role model”.

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Foto: Josh Willink/Pexels

Além dos já mencionados resultados surpreendes, houve mais um que merece destaque: os pais conseguem distinguir com mais facilidade (cerca de 25% mais) a falta de confiança das suas filhas do que as mães, o que, segundo Claire e Katty, é perfeitamente normal.

“O perfeccionismo, a preocupação sobre determinada coisa ou alguma manifestação de vergonha em levantar a mão é reconhecível para nós, mulheres. Mesmo que instintivamente saibamos que é errado, não parece estranho, porque nós provavelmente também o experienciámos. E, na verdade, podemos ainda viver algumas dessas situações. Mas os pais, que têm expectativas muito altas para as suas filhas[, e que nunca viveram dilemas semelhantes aos delas, pelo menos do ponto de vista da mulher], devem pensar ‘o que está a acontecer com a minha filha de 9 anos? Porque é que ela estava assim há um ano e agora acha que não pode fazer nada?’ Os homens acham genuinamente estranho” e por esse motivo ficam mais alertas.

É essencial que as jovens vejam o seu “role model” (modelo a seguir, em português) e a forma como esta reage com a falha, a luta e o aceitar algumas consequências que daí possam advir, e também que as mães tenham a noção que são elas o modelo a seguir e, como tal, mostrem às filhas como devem lidar com os diferentes acontecimentos da sua vida. 

5. Relembre-a que ela não tem um problema.

como criar meninas mais confiantes - Peter Lambregs Pexels
Foto: Peter Lambregs/Pexels

Não, não é um problema dela! Cada rapariga é da forma que é por uma variedade enorme de razões, desde a sua natureza biológica até à forma como encaram as expectativas da sociedade.

O fulcral é ajudar as meninas a entenderem, desde tenra idade, quais as ferramentas que serão, mais tarde, importantes na sua vida, onde se inclui a capacidade de se defender a si mesma e a não se preocupar em serem pessoas que não são só para agradar os demais!

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