Estratégias para promover a resiliência nas crianças

crianças resilientes

Tem em casa uma criança resiliente quando a adversidade bate à porta?

Resiliência é a capacidade de lidar com o desafio, stress, fracasso, adversidade, ou até mesmo trauma. Não é algo que as crianças tenham ou não; é uma habilidade que desenvolvem à medida que crescem. Raquel Carvalho, Psicóloga Clínica da Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia, conta-nos algumas estratégias para os incentivar.


Crianças resilientes são curiosas, mais propensas a correr riscos saudáveis, esforçam-se para sair das suas zonas de conforto, confiando nos seus instintos e conhecendo os seus limites. Esta atitude ajudará a alcançar objetivos a longo prazo e a resolver problemas de forma mais autónoma e eficaz.

À medida que crescem, todas as crianças enfrentam múltiplos desafios. Por exemplo: ficam doentes, mudam-se para novas escolas ou cidades, sentem turbilhões de emoções, convivem com bullies, têm avaliações constantes, lidam com a dor da perda de algo ou alguém especial, perdem amigos, lidam com divórcio… Estes obstáculos podem parecer pequenos aos olhos dos adultos, mas podem ser gigantes desafios para algumas crianças.

Embora a reação instintiva dos pais possa ser “poupá-los” e ajudar de imediato a evitar o desconforto do filho, na verdade os pais não podem proteger os filhos de todos os obstáculos. E ainda bem, pois as crianças precisam de sentir dificuldades para poderem aprender a desenvolver as suas próprias competências de regulação emocional, resolução de problemas e resiliência. Caso contrário, não vão saber como reagir quando a adversidade bater à porta.

Construa uma forte conexão emocional

Passe tempo de qualidade com o seu filho e envolva-se verdadeiramente nas brincadeiras e interesses dele. Escute-o atentamente quando ele partilha os seus receios e celebre com ele suas conquistas. Quando as crianças sabem que têm o apoio incondicional da família, ou de um professor, sentem-se mais motivadas para tentar resolver situações difíceis e procurar orientação e apoio, se necessário.

Promova riscos saudáveis

Na sociedade atual que, muitas vezes, coloca as crianças numa redoma, é importante incentivar as crianças a estar em contacto com riscos saudáveis. O que é um risco saudável?

Algo que leva a criança a sair da zona de conforto, mas que resultará em muito pouco dano se não tiver êxito. Por exemplo: experimentar um novo desporto, participar na peça da escola ou iniciar, participar numa atividade onde não conhece ninguém. Quando as crianças evitam sair da zona de conforto, não estarão a praticar competências essenciais para ultrapassar o medo, a tolerância à incerteza e à frustração e provavelmente, desistirão mais facilmente perante os
desafios.

Aceite erros – os seus e os do seu filho

Quando os pais se focam apenas nos resultados finais, as crianças são envolvidas num ciclo de aprovação/reprovação, ou seja, sentem que ou são bem-sucedidos ou não.

Consequentemente, não vão aprender com o processo e, principalmente as mais ansiosas, nãovão arriscar para evitarem falhar. Tolerar os erros (inclusive os seus) ajuda a transmitir à criança a mensagem de que errar faz parte do processo de aprendizagem e crescimento.

Partilhe com o seu filho um erro que cometeu e como o ultrapassou.

Faça perguntas, ao invés de dar explicações imediatas

Quando as crianças procuram os pais para resolver problemas, a resposta natural dospais é uma explicação, uma correção ou uma resolução imediata. Em vez disso, experimente devolver o problema à criança com perguntas, ajudando-a a refletir e a encontrar soluções.

Posteriormente, incentive-a a apresentar um conjunto de ideias e avaliar os prós e contras de cada uma.

Ajude a regular emoções

É fulcral que o seu filho perceba que é normal sentir emoções mais desagradáveis ou intensas e que estas são passageiras. Deve incentivá-lo a enfrentar os obstáculos, ensinando-o a recorrer a estratégias que lhe permitam manter a calma, uma vez que conseguirá processar a situação de forma mais clara e tomar decisões ponderadas.

Otimismo e resiliência andam de mãos dadas. Ajude o seu filho a descobrir que todas as experiências têm um lado positivo ou aprendizagem.

Quando não é possível evitar situações difíceis, ser resiliente será o melhor “escudo protetor” do seu filho.

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