O meu filho tem febre! E agora? - Pumpkin.pt

O meu filho tem febre! E agora?

febre

O seu filho está com febre e não sabe o que fazer?

A pediatra Márcia Ferreira da Knok Healthcare dá-nos uma dicas super úteis de como deve agir nestas situações.


Provavelmente já todos nos deparámos com aquela situação em que o nosso filho esteve óptimo até há pouco e agora chega à nossa beira (muitas vezes a meio da noite) choroso, de bochechas rosadas, com os olhos brilhantes e a queixar-se de frio.

Apercebemo-nos de que está com a respiração um pouco acelerada, o coração bate mais forte que quase parece «que salta do peito», tocamo-lo na testa… Está quente!

Este é um cenário que se pode repetir várias vezes e a verdade é que, nos primeiros anos de vida, uma criança pode ter uma média de cinco episódios febris por ano (e isto é só uma média). Felizmente a grande maioria destes episódios são quadros benignos, autolimitados e sem necessidade de tratamento específico (nomeadamente sem necessidade de antibiótico).

Mas antes de passar a questões mais «técnicas» devemos olhar para ela (a febre) não necessariamente como uma coisa má. Ou seja, a febre não provoca por si só sequelas nem é uma doença. Ela é antes um sinal que torna evidente a existência de doença. Arrisco-me até a dizer que ela pode ser um sinal bom.

Porquê? Porque a febre é um indicador de que o nosso corpo está a reagir perante uma determinada doença/infecção. Ela não é mais do que uma «defesa natural» do nosso corpo/organismo no combate a uma infecção.

Mesmo sabendo disto, o que os pais querem saber é o que fazer. Está de facto com febre? Devo dar alguma medicação? Qual? Espero? Será grave? Devo procurar opinião/observação médica?

Como medir a febre?

A medição táctil da febre (com os lábios ou a mão na testa da criança) assim como os termómetros de tiras plásticas (pouco comuns em Portugal) não são métodos fiáveis de avaliação da temperatura corporal.

Dispomos de vários métodos adequados para avaliar a temperatura corporal:

Temperatura rectal – método mais fiável, principalmente na criança pequena (< 4 anos);

Temperatura oral – fiável, mas implica que a criança mantenha a boca fechada com o termómetro imóvel durante todo o tempo de medição o que é difícil de conseguir em crianças pequenas (< 4anos) ou quando têm obstrução nasal (nariz entupido) ou tosse marcada;

Temperatura axilar – não é um método tão preciso como o rectal ou oral; também necessita de colaboração por parte da criança e, se possível, confirmação em mais do que uma medição; adequável em crianças maiores (> 4 anos);

Temperatura timpânica (medida com dispositivo próprio) – se bem utilizado pode ser preciso; não é adequado à medição em lactentes menores de 6 meses.

Qual o valor que devo considerar febre?

Os valores considerados febre variam muito na literatura, mas de um modo geral chama-se febre a:

Temperatura rectal superior a 38°C;

Temperatura oral superior a 37,5°C;

Temperatura timpânica superior a 37,5°C;

Temperatura axilar superior a 37,2°C.

Quais as causas de febre?

Infecção (a grande maioria);

Imunização (vacinas);

Sobreaquecimento (demasiada roupa ou ambiente excessivamente aquecido);

Outras doenças (causas raras de febre – doenças crónicas, neoplasias, etc.).

O que fazer?

Confirmada a febre, mas não esquecendo que ela é «apenas» um sinal de doença e não uma doença em si, o que fazer?

O objectivo principal não é combatê-la, mas antes oferecer conforto à criança aliviando os sintomas de mal-estar que frequentemente se associam.

Assim, o valor em graus centígrados da temperatura corporal do seu filho não deverá ser determinante. Por exemplo, poderá optar por não dar medicação se ele estiver com 38.5°C, mas apresentar bom aspecto, brincar, sorrir e comer/beber normalmente.

Por outro lado, se o seu filho estiver com febre e der sinais de estar irritado e desconfortável pode oferecer-lhe alívio através de medicação antipirética (medicamentos para a febre). Esta deverá ser a que o seu médico assistente lhe aconselhou no caso de febre (os medicamentos mais usados são o paracetamol e o ibuprofeno), sempre nas doses adequados à idade e ao peso do seu filho.

Outras medidas que podem ajudar a que o seu filho se sinta melhor:

– Temperatura ambiente agradável (nem demasiado quente nem demasiado fria);

– Banho de água tépida (o banho de água fria e o uso de álcool para baixar a febre estão contra-indicados);

– Uso de roupa confortável e leve (não deve estar nem demasiado agasalhado nem sem roupa);

– Dar muitos líquidos para evitar a desidratação (não dar bebidas com cafeína);

– Deixar que o seu filho coma apenas se e o que quiser (é normal que o apetite esteja diminuído quando está doente e não se deve forçar a comer);

– Assegurar que o seu filho possa descansar (não é necessário passar o dia todo na cama, mas deve evitar-se esforço físico desadequado).

Quando devo procurar o médico?

No caso de febre recomenda-se observação médica nas seguintes situações:

– Sempre que a idade for inferior a 3 meses (independentemente do valor ou do tempo de duração da febre);

– Choro inconsolável (que persiste após baixar a temperatura);

– Prostração/sonolência marcada, com dificuldade em despertar, «só quer estar deitado» (que persiste após baixar a temperatura);

– Irritabilidade marcada, não tolera que o mobilizem (mesmo após baixar a temperatura);

– Alterações do comportamento (alucinações, discurso incompreensível ou inapropriado);

– Convulsão;

– Dor localizada persistente (ouvidos, abdómen, ao urinar, etc.);

– Dificuldade respiratória (faça «limpeza» nasal prévia para avaliar se está mesmo com dificuldade em respirar ou se é apenas nariz entupido);

– Gemido respiratório persistente;

– Vómitos e/ou diarreia persistente e frequente;

– Recusa beber;

– Sinais de desidratação (mucosas/lábios secos, ausência de lágrimas, diminuição das micções/fraldas sempre secas ou mais secas, irritabilidade, perda de peso);

– Exantema cutâneo (manchas na pele);

– Rigidez/dor à mobilização do pescoço;

– Dor de cabeça violenta (que persiste após baixar a temperatura);

– A criança tem uma doença crónica de base;

– Temperatura muito elevada (>40°C);

– Febre que se prolonga mais de três dias (critério não consensual).

Na dúvida deve sempre tentar entrar em contacto com o médico. Em última análise os pais é que têm razão, ninguém conhece melhor o seu filho do que eles, e uma sensação subjectiva de que «este episódio de febre é diferente» ou de que a criança tem um «ar doente» difícil de definir mas preocupante deve ser levada em conta e merece observação médica. É preferível «pecar por excesso» ainda que se venha a revela uma «banal» virose.

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