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Porque não devemos fazer as vontades todas às crianças?

Porque não devemos fazer as vontades todas às crianças? (Ás vezes, dá tanto jeito, não dá?)

Às vezes, dá tanto jeito, não dá?

Vamos a um pote de sinceridade? Sabe ou não sabe bem simplesmente fazer a vontade para termos 5 minutos de paz e sossego durante o dia que tantas vezes começa com as galinhas?

Sabe ou não sabe bem simplesmente fazer a vontade para voltarmos a sentir que vivemos apenas num mundo de adultos, em que conseguimos conversar durante horas com os nossos amigos, sem sermos interrompidos?

Sabe ou não sabe bem, safarmo-nos de termos toda a gente a olhar para nós no supermercado porque a criança está a fazer uma birra furacão? Quem o pergunta é Beatriz Pereira, do blog Mais Q’ Especial, e nós somos tentados a concordar…


Sabe bem sim. É verdade. Alivia-nos naquele momento do stress, permite-nos ter a sensação de calma, de controlo momentâneo, de escapatória, de liberdade, de conquista.

Acontece que esta sensação é apenas de curta duração. E a cada vez que habituamos as nossas crianças a ter tudo no momento em que pedem e da forma que querem, estamos apenas a ensinar-lhes que podem conseguir tudo sempre dessa forma: seja interrompendo incessantemente as conversas do adulto, berrando pela sua vontade mesmo que esta a coloque em perigo ou não seja adequada às circunstâncias, esperneando no supermercado porque esta semana quer outra boneca e…tantos outros comportamentos que surgem porque acreditamos que a criança “é muito teimosa” ou “muito difícil” e achamos que a criança tem todo o poder sobre nós.

Será que é isso que queremos? Será que queremos ajudar a criança a tornar-se num adulto que terá dificuldades em escutar o outro, em cooperar com o outro, trabalhar em equipa, seguir regras, gerir impulsos e pesar riscos e condicionantes? Nem precisam responder: eu sei e acredito que não!

Vou explicar-vos algo pedindo-vos que não pensem na criança e sim no cérebro da criança: ao longo do crescimento da criança, o cérebro vai guardando aprendizagens após ligações que se dão dentro desta “caixinha” tão preciosa. Se formamos ligações com base em “fazermos a vontade”, a aprendizagem que fica no cérebro da criança é que é assim que se faz e se consegue as coisas na vida!

Então o que fazer para que o cérebro seja nosso aliado?

Seja gentil e firme ao mesmo tempo

Não é preciso humilhar, castigar ou magoar a criança e sim validar que percebemos o que ela quer e sente (ser gentil). No entanto, nesse momento temos também de ser firmes mostrando respeito por nós próprios, certeza sobre a nossa decisão e, acima de tudo, segurança de que não vão ceder à criança.

Mostre que está a verdadeiramente a escutar a criança e mostre-lhe a lógico do “porque agora não pode ser assim”. As crianças surpreendem quando sentem que estas explicações são realmente importantes para os adultos que estão com elas.

Em caso de birra, coloque-se ao nível dos olhos da criança

comunique novamente e com calma a sua decisão, explique o porquê e valide que percebe o que ela pode querer e o que está a sentir

Se a birra se tornar daquelas birras-furacão…

em crianças pequenas, deve acolher no colo, retirar a criança daquele espaço e desviar a sua atenção para outro estímulo; em crianças mais crescidas (a partir dos 3 anos), não ceda, e afirme à criança com calma que poderão voltar a falar no assunto quando a criança se acalmar, e que se precisar de ajuda para se acalmar estão ali ao lado.

E um ponto fundamental…

quanto mais cedo, se mantiver firme no que diz respeito a “não fazer as vontades todas às crianças” mais rapidamente e naturalmente a criança irá perceber as suas decisões. Se sabe que tem por hábito “ceder às vontades” da criança aí em casa, não desista.

É tudo uma questão de reeducação e de refletir sobre a influência que esta atitude terá no futuro da criança!

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