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Saber estudar, saber ensinar a estudar

Saber estudar, saber ensinar estudar

Estudar é essencial para o sucesso escolar do seu filho. Os professores são um pilar fundamental deste processo, mas os pais também. CADIN fala-nos do que os pais podem fazer para ajudar os seus filhos a estudar. 

Saber estudar é uma competência fundamental para o progresso académico e que se torna em cada novo ano letivo mais importante, dada a exigência das matérias a saber, a diversidade de disciplinas e a pressão dos testes e dos exames.

Saber ensinar a estudar é algo que pode ser promovido desde o ensino básico, não se tratando obviamente de trabalhar explicitamente métodos e hábitos de estudo, mas fomentando rotinas ajustadas ao estudo, um ambiente potenciador, e o estímulo do gosto pela aprendizagem e curiosidade.

Para além disso, as tarefas como a interpretação de textos e expressão escrita são óptimas para iniciar os nossos filhos na aprendizagem de métodos de estudo: resumir, esquematizar, organizar ideias, fazer inferências e generalizações.

O que pode então levar a que os nossos filhos não consigam tornar-se autónomos e eficientes no estudo? Existem factores diversos, uns internos, como dificuldades de atenção, de memória, de auto-conceito, de motivação, de compreensão ou de expressão escrita, outros externos, que podem levar às dificuldades ou agravá-las, como a falta de uma adequada estrutura familiar, de ensino explícito, de recursos e de individualização do ensino.

Quem deve ajudar o seu filho a aprender a estudar? Este deve ser um trabalho de equipa entre a própria criança/jovem, os pais e os professores. Todos devem ser responsáveis e serem participantes activos no processo.

Deve haver a partilha de conhecimento, ser fomentado o sentimento de competência e deve haver uma continuidade no trabalho escola-casa. Para garantir o envolvimento dos pais, estes devem ir à escola, participar nas reuniões, e terem uma via de comunicação fácil, por telefone ou por escrito, com os professores.

Mas atenção, participação activa, não significa substituir a escola, ou o seu filho. Os pais devem ajudar o filho a aprender a estudar e não estudar por ele!

Na minha experiência profissional, muitas vezes observo situações de extremo, pais que se esforçam ao máximo e que estudam, fazem apontamentos, resumos, passam cadernos a limpo, arranjam testes e fazem perguntas e noitadas a estudar… voltam a ser estudantes! E… passados uns meses estão esgotados, cansados. E com razão para tal! Pelo que passam imediatamente para uma situação oposta: deixam de estudar com o filho, pois chegaram a um ponto de saturação e querem que o filho tenha atingido a autonomia subitamente.

Ser trabalhador, estudante e pai, não é de todo fácil. O ideal é haver um meio termo e gradualmente irem-se afastando no apoio ao estudo.

Para além disto, é crucial que os pais não se envolvam excessivamente nas áreas académicas dos filhos, pois pode ser altamente frustrante e, como referem Richardon e Mangel (1973) “quando o pai assume o papel de tutor, a criança frequentemente perde o pai e ganha um professor medíocre” (Lerner, 2003; Selikowitz, 2001).

Quando decidir ensinar o seu filho é importante assumir a ideia de como ser um bom professor; primeiro deve entrar em contacto com o professor do seu filho, para se certificar que o que ensinar ao seu filho complementa a escola, deve ainda escolher momentos em que se sintam calmos para trabalharem e tornarem-nos agradáveis: seja encorajador e não crítico, faça pequenas mas frequentes sessões de estudo e quando estas terminam, pare de desempenhar o papel de professor e volte a ser simplesmente pai.

Um aspecto crucial no papel dos pais, para além de assumirem o papel do ajustamento familiar, é fomentarem atitudes positivas em relação à aprendizagem e de ajudarem os filhos a organizarem o estudo.

A motivação é uma porta aberta para o sucesso, pois sem motivação aprende-se pouco e esquece-se depressa, se o seu filho estiver motivado vai conseguir estar mais concentrado a estudar, vai estar mais interessado e memorizar melhor, ser mais persistente e esforçado.

Mas, também é preciso ter atenção para que não seja excessiva e conduza a situações de ansiedade e de receio de fracassar. Deve ajudar o seu filho a criar metas realistas, dar-lhe inicialmente alguns estímulos e reforços, ajudá-lo a aceitar e compreender os sucessos e insucessos.

Se os pais conseguirem manter o filho motivado e ainda facilitarem um auto-conceito e uma auto-estima positivos, dando elogios e outros reforços pelo esforço e sucessos, se souberem escutar, envolver-se, manter uma relação positiva e lidar com os fracassos, o seu filho estará mais disponível para estudar.

Pois se uma criança não se sente segura e motivada a sua atenção vai estar dispersa noutros assuntos, que não a matéria a estudar.

Concluindo, os métodos e hábitos de estudo começam a ser trabalhados informalmente muito cedo na escolaridade e devem ser alvo de maior atenção a partir do 2º ciclo, pois um aluno com estas competências terá também maior capacidade para se adaptar ao ensino superior e no seu local de trabalho, sendo um potencial trabalhador organizado, disciplinado, eficiente e com boa capacidade de executar qualquer tarefa.

O que podem os pais fazer? Facilitar a implementação de rotinas familiares ajustadas, a definir prioridades, ensinar estratégias adequadas num trabalho em equipa, e fundamentalmente promover oportunidades de sucesso.

Saibam mais sobre como planear o estudo e diferentes métodos para estudar e aprender, e como ajudar o seu filho sobreviver a testes e exames com sucesso.

Autora: Leonor Ribeiro – Técnica Superior Educação Especial e Reabilitação e Mestre em Educação Especial

 

Fonte: Cadin