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Plano de Parto: uma ferramenta valiosa

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Saiba como preparar o seu e qual a sua importância.

Associação Portuguesa Pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto partilhou com à Pumpkin a importância do Plano de Parto, neste texto escrito por Maria Pereira. 

O Plano de Parto, também conhecido como Plano de Nascimento ou Plano de Preferências para o Nascimento, é um documento, elaborado pela grávida – e/ou progenitores -, que contém as suas preferências para o decorrer do trabalho de parto, parto e puerpério.

Pode ser feito independentemente do tipo de parto que se planeie (vaginal ou cesariana), pois é uma forma de personalizar a experiência e a tornar mais à medida da família.

O termo “birth plan” terá possivelmente sido citado pela primeira vez nos E.U.A., com referência ao trabalho de parto e parto, na década de 80 (segundo Kim Hensley Owens, em “Writing Childbirth”, 2015).

Surgiu com o dealbar dos educadores perinatais, que procuravam instruir os pais para que estes pudessem ter uma experiência mais personalizada e mais escolhas baseadas em evidências científicas durante o processo do nascimento hospitalar, já muito institucionalizado e sujeito a procedimentos rotineiros, muitas vezes não justificados.

Em Portugal, foi por volta do ano 2000 que começaram a aparecer os primeiros planos de parto, pela mão de progenitores mais questionadores.

Embora ainda não seja muito comum, são cada vez mais os pais que decidem elaborá-lo. A receção do plano por parte dos profissionais de saúde também é, em si mesma, um fator ilustrativo de mudança: enquanto no início este documento não era geralmente reconhecido ou aceite, hoje em dia já tende a ser valorizado.

A desconfiança e o medo da perda de controlo por parte de quem o recebe estão a dar lugar a uma vontade de consenso e diálogo: terá sido porque perceberam que o plano de parto não é um conjunto de exigências, mas antes uma expressão dos desejos dos pais, e de como tornar o nascimento mais inclusivo para estes?

Será que com a experiência – própria ou de colegas – de terem lido e apoiado planos de parto, perceberam que não lhes vinha tirar protagonismo mas antes pelo contrário, ajudar a compreender melhor como ajudar a grávida a conseguir uma experiência mais satisfatória?

É um direito da mulher em trabalho de parto ser ouvida e ser respeitada nas suas preferências, mas o desconhecimento deste facto acaba por dar espaço a um sentimento de alheamento e permissividade da mulher em relação ao seu parto. Ainda são poucas as mulheres que sabem o que é um plano de parto, e que o entregam aos seus prestadores de cuidados de saúde.

Outras não o fazem, referindo que têm confiança nos profissionais e que “o que tiver que acontecer, acontecerá”, na maior parte das vezes acabando por não se informar sobre o processo do nascimento e das opções e alternativas que estão ao seu alcance.

O simples exercício de construir o plano de parto serve para consciencializar a mulher das várias fases do trabalho de parto, assim como dos procedimentos mais comuns que são aplicados em cada fase.

O passo seguinte será levar um proto-plano (como sugerido por Tamara Kaufman, “Evolution of the Birth Plan”, 2007) e analisá-lo com um profissional de saúde do local onde se pensa que o parto terá lugar: tal permite que a mulher fique ciente do que é possível na instituição, e também ao profissional de saúde ficar a conhecer melhor a grávida e as suas expectativas em relação ao parto.

O objectivo é, no mínimo, encontrar um meio-termo que permita à parturiente criar expectativas realísticas do que poderá desenrolar-se, com o auxílio da equipa que a atender para cumprir os seus desejos sempre que possível, de forma informada e em segurança. No dia do parto, o Plano final é entregue na Admissão para a equipa se inteirar dele.

O plano é, contudo, apenas uma orientação: há que perceber que no parto existe sempre o fator imprevisibilidade e que pode ter que haver desvios ao desejado.

Mesmo assim, trata-se uma ferramenta valiosa que, se tida em conta, auxilia todos a obter a experiência pretendida, ou ao menos a que a mulher se sinta incluída e com autonomia.

Por isso é tão importante que mais grávidas dediquem algum tempo a fazê-lo e a trabalhá-lo com o seu profissional de saúde, de forma a “normalizar” um laço comunicativo bidirecional grávida-profissionais de saúde.

Há já vários modelos de plano de parto disponíveis para consulta. A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher da Gravidez e Parto convida-o a conhecer a sua sugestão

Porque “Todos juntos podemos nascer, e fazer nascer, muito melhor!”.