Gravidez > Nascimento > Parto

Como se nasce em Portugal

Como se nasce Portugal

Como se nasce em Portugal? O modelo nacional de assistência à gravidez e ao parto funciona? Como podemos melhorar os partos no nosso país? Através do inquérito “Experiências de Parto em Portugal” (APDMGP, 2015) sabemos que há muita coisa a melhorar.

A Pumpkin descobriu mais sobre este estudo que deu voz a vários pais, mães e famílias portuguesas.

 

Quantas pessoas responderam ao inquérito?

Responderam ao inquérito 3833 mulheres, sendo que válidos foram considerados 3378 questionários.

Estes resultados podem ser considerados representativos da população portuguesa? 

Não, pois a amostra não é aleatória, embora também não tenha sido selecionada à partida. No entanto, e como se trata de um número elevado de respostas consideramos que os resultados não podem ser ignorados.

Aliás, para além dos dados mais concretos, os testemunhos que as mulheres deixaram voluntariamente são muitíssimo valiosos e permitiram-nos perceber que existem uma multiplicidade de experiências e que as mulheres expressaram claramente a vontade de contar as suas histórias.

Sabemos que este é um momento poderoso na vidas das mulheres e dos seus filhos, com repercussões a vários níveis, e este é um forte sinal que provavelmente elas não estão a ser ouvidas como deveriam e a ter respostas adequadas.

Quais foram as principais constatações?

Sendo o contexto hospitalar predominante, verificámos que a maioria das mulheres teve alguma intervenção durante o seu trabalho de parto e parto. A epidural foi o procedimento mais comum (aprox. 70%), seguido da episiotomia (aprox. 70%) e ocitocina artificial relatado por mais de metade das mulheres.

Cerca de metade das parturientes dizem ter sido submetidas a rutura artificial da bolsa amniótica e a descolamento das membranas. Segundo as participantes, mais de dois quintos dos bebés nascidos por via vaginal nasceram por parto instrumentado: destes, quase dois terços com recurso a ventosa e um terço com recurso a fórceps.

Lamentavelmente, surgem exemplos de práticas não recomendadas e classificadas como violência obstétrica, como a manobra de Kristeller ou procedimentos sem consentimento esclarecido ou contra a vontade da mulher. Encontrámos resultados positivos nas respostas a este inquérito, como por exemplo, a grande maioria das mulheres sentiu-se respeitada, ouvida, cuidada, apoiada e segura durante o seu parto, afirmando que os profissionais de saúde comunicaram de forma positiva e que o parto teve uma influência positiva na sua relação com o bebé.

Quase metade refere que a influência na sua auto-estima foi positiva. Relativamente ao impacto sobre a relação com o parceiro e vontade de ter mais filhos, a maioria das mulheres refere uma influência neutra ou positiva.

Contudo, preocupa-nos que:

  • Mais de dois quintos (43,8%) das mulheres consideram que não foram consultadas sobre as intervenções ou exames realizados durante o trabalho de parto e parto.

  • Mais de dois quintos (43,3%) das mulheres consideraram que não tiveram informação sobre opções de parto, como indução, cesariana, parto domiciliar entre outras.

Mais de um décimo das mulheres não se sentiu respeitada pelos profissionais de saúde, mais de um décimo considerou que os profissionais de saúde não comunicaram de forma afável e positiva, 14,3% referem não ter sido ouvidas no que tinham a dizer/pedir, 15,3 % não se sentiram seguras durante o parto e 13% não se sentiram apoiadas e cuidadas. Mais de metade das mulheres consideraram que teve o parto que quis. Contudo, 1468 mulheres, 43,8% das inquiridas, afirmaram não ter tido o parto que queriam.

Que recomendações faz a Associação como resultado do inquérito

As recomendações da APDMGP foram realizadas a vários níveis e constam do relatório publicado no nosso site. 

De uma forma resumida: 

Promover cuidados de saúde materna centrados na mulher e no respeito pelos direitos humanos, para além das questões da segurança e das taxas de mortalidade e morbilidade materno-infantil.

Através de um processo inclusivo com a participação de todos os envolvidos, tendo em consideração as preferências das mulheres assim como a satisfação da mulher/casal de uma experiência positiva num evento tão importante como é o nascimento de um filho. 

 

Se gostou deste artigo sugerimos:

Nascer em Amor: 1º Encontro da APDMGP  

 Conheça a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto