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Do pré-natal ao nascimento

Objetivos da consulta Pré-Natal

Objetivos da consulta Pré-Natal

Neste artigo e, com a ajuda do médico Armando Fernandes, ficará a perceber as diferentes fases da gravidez, desde a consulta pré-natal até ao nascimento do bebé.

O especialista em Pediatria do Desenvolvimento no Centro Pediátrico de Telheiras, Armando Fernandes, ajuda neste artigo a compreender e a responder a alguns dos principais dilemas dos pais.
Com largos anos de carreira, Armando Fernandes, trabalhou em diferentes áreas da Pediatria, tendo já exercido funções como “Chefe de Equipa” no Serviço de Urgência do Serviço de Pediatria; como responsável pela Consulta de Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção; como Secretário-Geral da Secção de Pediatria do Desenvolvimento da Sociedade Portuguesa de Pediatria, entre muitas outras. As suas áreas de interesse profissional são a pediatria, a puericultura e o neurodesenvolvimento Infantil. Colaborou como docente de licenciatura e mestrado e tem um vasto número de artigos publicados, sendo este sobre a importância da consulta pré-natal, o processo do parto, as opções e os primeiros cuidados ao recém-nascido.

Consulta pré-natal

Todos os casais que tenham idealizado a chegada de um filho devem, para além da normal vigilância obstétrica, efetuar uma visita ao pediatra durante o último trimestre da gravidez – idealmente no 7º mês-, consulta esta chamada de consulta pré-natal.

Normalmente, a grávida e o companheiro imaginam três bebés:

  • o perfeito (cuja ilusão vêm recompensada quando o bebé perfaz quatro meses, altura em que começa a sorrir com mais frequência e com a tentativa de falar com os progenitores e os que estão em seu redor, através do seu doce palrar);
  • o diminuído (cujas deficiências variam todos os dias);
  • o misterioso bebé real (cuja presença começa a ser evidente nos movimentos do feto- por volta dos 4 ou 5 meses de gestação).

É aconselhável – ou mesmo imprescindível – que ambos os pais assistam à consulta pré-natal.

Objetivo da consulta pré-natal:

  • Esclarecimento de todas as dúvidas e preocupações dos pais;
  • A influência dos estilos de vida e da profissão da mãe sobre o bem-estar e o crescimento saudável do bebé (evitar o tabaco, o álcool, o stress, etc.);
  • Consultas e exames complementares de diagnóstico e de terapêutica (análises, ecografias, administração de Rhogan, prescrição de ácido fólico, etc).

Movimentos Fetais

Quando é que o pequenino se começa a mexer?

pre natal - gravidaOs primeiros movimentos fetais são detetados pela mãe entre as 18 e as 22 semanas de gestação. Habitualmente, trata-se de um ligeiro vai-e-vem que, nas semanas seguintes, por estar a crescer vai ocupando cada vez mais espaço no ventre da sua mãe, se transforma em movimentos cada vez mais percetíveis, até mesmo do exterior – altura em que o pai pode sentir os  ao apoiar a sua mão sobre a barriga da mamã.

Este é um momento emocionante e também muito importante, uma vez que a regularidade dos movimentos do feto mostra o seu bem-estar.

Estes movimentos podem ser de variadas formas.

O feto realiza todo o tipo de exercícios “aquáticos” – estica as pernas e os braços, abre e fecha as mãos e até trepa pelas paredes do útero e roda sobre si próprio. A altura em que se nota um maior movimento costuma ser noite (normalmente entre as 22 e as 24 horas) – ao amanhecer é quando está mais tranquilo. Estas alterações de ritmo estão relacionadas com as variações hormonais do sangue da mãe.

Cursos de preparação pré parto

O que são e quais os seus objetivos?

Os cursos de preparação para o parto começaram a surgir em Portugal por volta do início do século XXI, nos primeiros anos de 2000.

As suas abordagens são diferentes mas, no fundo, todos se destinam a ajudar a mulher, preferencialmente o casal, a entender o que irá suceder exatamente no momento em que surgem as dores, a entender o parto e as principais recomendações para o recém-nascido. Também lhes ensina algumas técnicas físicas e psíquicas (técnicas de respiração e controlo da dor, por exemplo) para que possam intervir ativamente nas distintas fases do pré-parto e do parto em si. Além disso, ainda abordam questões tão complexas e importantes como a amamentação, a sexualidade na gravidez, os direitos dos pais, a contraceção e a depressão pós-parto.

Além disso, proporcionam uma ocasião para entrar em contacto com outras mulheres que estão na mesma situação.

Em suma, os cursos de preparação para o parto são úteis para diminuir a ansiedade dos futuros pais, esclarecer dúvidas, dar a conhecer exercícios e técnicas de relaxamento durante o parto e orientar sobre os cuidados com o recém-nascido.

Atenção: Estes cursos, são, por lei, equivalentes às consultas pré-natais, pelo que se tiver que faltar ao trabalho para frequentar as aulas, não se esqueça de pedir uma folha que ateste a sua presença e apresentá-la no trabalho, porque a falta é legalmente justificada.

Organização

Estes cursos são organizados, habitualmente, por entidades privadas. Contudo, também são organizados em alguns centros de saúde e hospitais públicos, sendo nestes casos gratuitos. Caso tenha oportunidade, só tem a ganhar se puder frequentar um curso de preparação para o parto, idealmente, a partir das 28 semanas de gestação. Dentre as múltiplas ofertas, desejo-lhe uma boa escolha.

Criopreservação das células estaminais do cordão umbilical

Uma escolha consciente

pré natal- recolha de células estaminais
Foto: bebecord

A criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical podem proporcionar ao recém-nascido e à sua família a possibilidade de cura para algumas doenças graves, nomeadamente certos tipos de leucemias e de anemias, de doenças metabólicas, etc. A sua preservação está garantida entre 20 a 25 anos após a sua recolha.

O primeiro transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical realizado com sucesso aconteceu em 1988, em Paris, numa criança com anemia de Fanconi.

Em 2007, a American Academy of Pediatrics sugeriu aos Pediatras que informassem os pais sobre as duas opções e debatessem os prós e contras de cada uma:

  1. A doação de sangue do cordão umbilical a bancos de sangue especializados para o efeito para posterior uso privado (pessoal e/ou familiar) deve ser desencorajada, uma vez que a maioria das doenças que beneficiem do efeito das células estaminais do cordão umbilical já existem no feto ou na lactente (por exemplo, alterações pré-malignas nas células estaminais).
    Contudo, em casos selecionados, como no caso de existir um irmão com determinadas doenças – malignas ou genéticas- deve ser avaliada esta possibilidade e poderá ser aconselhada.
  2. A doação de sangue do cordão umbilical a estes mesmos bancos de sangue para uso público deve ser encorajado.
    Os testes genéticos e infecciosos são realizados para verificar que tudo está bem com as células recolhidas. Se houver algo que possa impedir o sangue recolhido de ser utilizado para tratar futuros problemas de saúde os pais são informados.
    Além disso, os pais devem ser ainda informados que o sangue armazenado nos bancos de sangue para uso público podem não ser acessíveis para o seu uso privado no futuro.

Parto

pré natal - parto
Foto: Live Tobback

Algumas considerações importantes a ter aquando da altura de parir.

  • O acompanhamento da mãe durante o parto e a segurança emocional veiculada pela presença do pai ou de outra pessoa escolhida pela mãe tem efeitos benéficos – o apoio psicológico diminui a ansiedade; a orientação materna sobre determinadas técnicas, designadamente técnicas respiratórias faz com que haja uma menor incidência de problemas durante o parto, diminuição da duração do trabalho de parto, uma menor utilização de medicação analgésica e, segundo alguns especialistas, parece melhorar o vínculo entre o bebé e o pai.
  • A pré-medicação administrada à mãe (a sedação ou anestesia) pode ter efeitos no bebé, uma vez que atravessa a placenta, o que afetar o comportamento do bebé durante vários dias após o nascimento.
  • A definição de prioridades: para escolher o melhor local para o nascimento, há que ter em conta o conforto da mãe e a segurança do bebé. Além disso, a relação custo-benefício é também altamente importante. Os hospitais públicos são, normalmente, os mais aconselhados, visto possuírem equipamentos médicos de “alta tecnologia”. No entanto, muitas vezes não proporciona o conforto e a humanização do trabalho de parto que tanto a mãe, como o bebé e o acompanhante precisam. Ou seja, o conforto deve estar aliado ao máximo de condições de segurança. Se optar por um hospital privado, informe-se antes se o serviço de neonatologia, bloco operatório, serviço de pediatria e anestesiologia são serviços permanentes.
  • Por todos estes motivos, é fulcral que seja prudente com a seleção do hospital onde vai ter o seu bebé.

Anestesia: a Epidural

pré natal - epidural
Foto: babyinfo

E a técnica frequentemente utilizada para um “parto sem dor”. A Epidural é sempre realizada por um especialista, um anestesiologista.

Com a grávida deitada de lado ou sentada com as costas curvadas é realizada a desinfeção da pele e, posteriormente, administrado um anestésico na pele de modo a que não sinta a introdução da agulha na coluna lombar. É através desta que é introduzido um catéter (tubo fino de plástico) até ao espaço epidural e aí deixado após ser retirada a agulha, o que permite reforçar as doses de medicamentos mediante as dores que a mulher sente durante todo o processo de parto, com vista a aliviá-las e permitir a descida do bebé.

Vantagens

Logo após alguns minutos da administração do medicamento, a grávida deixa de sentir as dores, mantendo, porém, a perceção das contrações. Assim sendo, continua disponível para participar ativamente no trabalho de parto.

A epidural constitui uma uma das formas mais eficazes de alívio da dor, dado que atua na metade inferior do corpo (analgesia regional) e pode ser repetida cada vez que o efeito dos medicamentos começa a desaparecer. Outra das vantagens prende-se com a possibilidade de poder continuar a ser utilizada caso haja necessidade de a grávida realizar uma cesariana, um parto instrumental ou qualquer outra intervenção cirúrgica mais dolorosa.

Também para o recém-nascido constitui um dos melhores métodos, dado que não existe risco de depressão cardiorrespiratória.

Desvantagens

pré-natal - mulher acompanhada e a monotorizar as contrações
Foto: Cameron Zeeger-Stocksy

Relativamente aos efeitos adversos, com o cumprimento das regras de prevenção e a utilização de baixas doses de medicamentos, é possível reduzi-los e torná-los em algo de fácil resolução.

  • O bloqueio motor é o maior efeito associado e ocorre em vários graus dependendo do medicamento utilizado. Manifesta-se pela dificuldade na mobilização e pela falta de força muscular dos membros inferiores. Desta forma, é impossível a grávida pôr-se de pé e andar. Este efeito é vivido com alguma ansiedade por parte da grávida pelo receio de não voltar a andar. Após terminado o efeito do medicamento, ele desaparece e as funções motoras normais são retomadas.
  • A descida dos valores da tensão arterial da grávida também se observa com alguma frequência e deve ser prevenida pela administração prévia de soros em grande quantidade e pelo posicionamento correto da grávida.
  • Alterações na frequência cardíaca fetal também se observam e são transitórias. Pode associar-se à febre intraparto- é um dos efeitos mais comuns, ocorrendo em cerca de 11 por cento das mulheres em trabalho de parto, e é mais frequente parturientes de primeira instância, ou seja, nas grávidas que vão ter o primeiro filho. A razão pela qual ela ocorre não é conhecida. Não tem origem infecciosa e os recém-nascidos filhos destas mães também não parecem ter maior risco de infeção.
  • A impossibilidade de urinar espontaneamente, o prurido (comichão provocada por alguns medicamentos) e o alívio incompleto da dor são outros efeitos colaterais frequentes.
  • Por vezes, durante a realização da analgesia epidural ocorre punção da membrana que protege a medula espinal e quando isso acontece podem ocorrer dores de cabeça fortes no pós-parto, que revertem habitualmente com tratamento sintomático e repouso no leito.
  • A infeção e o hematoma extradural e consequente compressão das raízes nervosas são muito raros. Sendo um método eficaz no alívio da dor existem indicações médicas para a sua realização.A mais importante é o desejo expresso pela grávida para o alívio da dor.
  • Existem, no entanto, doenças maternas (hipertensão arterial, por exemplo) e outras situações obstétricas que “exigem” uma anestesia epidural durante o trabalho de parto.

Tipos de parto

“Parto normal” (eutócico) e partos distócicos (fórceps, cesariana, ventosa)

Os partos por cesariana têm aumentado nos últimos anos por diversas razões, entre as quais as mais comuns são uma cesariana anterior, o trabalho de parto não progredir normalmente, a apresentação pélvica (de nádegas) do feto, algum sinal de sofrimento fetal e “a pedido”.

É importante que o pediatra do bebé esteja no decorrer do processo de trabalho de parto, porque para além dos cuidados médicos que vai prestar ao bebé, este será também o “advogado” dos superiores interesses do bebé. O pediatra está para o bebé, como o obstetra está para a mãe.

Já está cá fora e agora?

pré natal - bebé acabadinho de nascer

Quando um bebé nasce existem diversos procedimentos a fazer pela equipa médica assistente. Entre eles, duas terapêuticas administradas na sala de partos ao recém-nascido – a administração de Vitamina K para prevenir a doença hemorrágica do recém-nascido, e a aplicação da pomada de oxitetraciclina no bebé, com vista a prevenir a conjuntivite. De acordo com a situação clínica poderá ainda haver necessidade de administração de outras terapêuticas.

Ainda junto à sala de partos existe uma sala de reanimação, onde sob uma fonte de calor radiante para prevenir a perda de calor, o recém-nascido receberá os primeiros cuidados. Assim que o obstetra passa o recém-nascido para as mãos do neonatologista, este coloca-o sob a fonte de calor radiante onde o bebé será secado e feita a aspiração oral e nasal.

Ao mesmo tempo, procede-se à avaliação da sua respiração e cor nos primeiros 20 segundos de vida. Logo depois, há a clampagem do cordão umbilical e, ao primeiro e quinto minuto de vida,  o neonatologista emite as primeiras notas para o índice de Apgar.

O que é o índice de Apgar?

pré-natal - índice de apgar
Foto: sincron.com.br

O índice de Apgar é um método usado para avaliar a vitalidade do bebé, através da pontuação de cinco parâmetros – a frequência cardíaca, a respiração, o tónus muscular, a irritabilidade reflexa e a sua cor. Quanto mais próximo de 10 for a pontuação, melhor será a vitalidade do bebé e melhor será a sua adaptação à vida extrauterina. Consideram-se pontuações normais os valores superiores a 7, numa escala de 0 a 10.

Convém relembrar que o índice de Apgar é usado mais como um parâmetro e não como uma definição de prognóstico, ou seja, se o bebé tiver um Apgar baixo, não significa necessariamente que terá problemas futuros e vice-versa.

De regresso a casa, é altura de descansar o máximo possível, aproveitar o seu bebé e adaptar a rotina do dia-a-dia!

Em caso de dúvida, aconselhamos que ligue para a SAÚDE 24 (808 24 24 00) ou contacte o Pediatra do(s) seu(s) filho(s).

Se encontrar alguma incorreção contacte-nos por favor.