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A Aldeia da Luz (nem sempre vê a luz)

Aldeia Luz (nem sempre vê luz)

A Aldeia da Luz. Conhecem a singular história desta aldeia? A Renata do blog positive mood explica-nos.

Sempre soube dos factos ocorridos para que fosse possível a construção da barragem do Alqueva, mas ao estar perto tudo se pinta de forma diferente. Especial. Única.

Não sou, não fui, nem tenho amigos ou familiares que sejam da Aldeia da Luz. Mas consegui sentir um milésimo (eufemismo) do que possam ter sentido as suas gentes ao ver o seu passado coberto pelas águas do Guadiana. 

Aldeia da Luz

Não pretendo, de forma alguma, abordar de forma trágica o assunto, mas percebo o quanto esta mudança possa ter sido difícil e congratulo os seus habitantes por terem conseguido desamarrar-se do passado, pensando que o futuro era o caminho.

Vejo beleza e autenticidade nesta história. Parece criada com grande imaginação para contar às crianças. Mas, na verdade, ela é de verdade. Tudo aconteceu. Mesmo. 

As crianças deixam-se dominar pela curiosidade questionando os pormenores mais engraçados e pertinentes: mas levaram tudo para a aldeia nova? Armários, roupas, loiças? Há casas debaixo destas águas?

Aldeia da Luz

Tudo foi feito de forma faseada, de tal forma que a demora fez alguns se esperançarem de que nunca aconteceria. A consciencialização da população. A construção da nova aldeia. A mudança. A demolição da antiga. O fecho das portas da barragem e o seu enchimento.

O Museu da Luz pode e deve ser visitado. De lá vimos, por uma pequena janela, a árvore que ainda se mantém, olhando o local onde vivia a antiga Aldeia da Luz.

Esta árvore, narradora de um livro infantil que de lá trouxemos e que nos relata os acontecimentos de forma surpreendente (não fosse este autoria da dupla Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso), é o elemento marcante, a ligação ao passado, que nos mostra como tudo se passou. Com pormenores que não lembram a quem não viveu. 

Museu da Luz

Infelizmente, reconheci verdade nestas reportagens sobre a nova Aldeia da Luz: a aldeia da Luz não mora aqui; “parece uma terra-fantasma”. Senti as ruas desertas, ausência de vida, de energia. Parece que nem todos os planos traçados foram concretizados. Nem tudo viu luz.

Deveria viver mais do turismo, como a sua aldeia gémea, em França. Entristece-me que não aconteça. E, deixo aqui o meu modesto contributo: vão à Aldeia da Luz! Ao Museu da Luz, à casa do Monte dos Pássaros (por marcação e com actividades para escolas), à Igreja, passear pela aldeia, almoçar no café Lousa onde sempre se trata de fazer uma comidinha caseira a uns forasteiros esfomeados. 

Visitem! Podemos ajudar a Luz a ver mais luz!