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Férias sobre rodas com as crianças

Férias sobre rodas as criancas

Estão a chegar as férias de Verão e pedimos à Sofia, do Pais com P Grande, para nos ajudar com umas dicas sobre como viajar com os mais pequenos.

Está a chegar a hora de prepararmos as férias de Verão, e muitos de nós ousam aventurar-se com as crias por essas estradas fora (e confesso-vos que para mim não há férias melhores!). Uns talvez decidam ir até ao Norte. Outros talvez tenham planos para dar um mergulho no Sul. Alguns talvez se atrevam a descobrir o país vizinho, ou as nossas ilhas, sempre tão bonitas. Outros talvez queiram aventurar-se por essa Europa fora, ou até mesmo apanhar um avião para um qualquer lugar longínquo, alugar um carro, e acumular histórias no conta quilómetros. A verdade é que independentemente dos lugares que tencionam conhecer sobre rodas, estas são viagens que se querem tão organizadas quantodescontraídas, e também é verdade que uma (a organização) ajuda sempre a outra (a descontracção).

A pedido de muitos leitores, hoje vou partilhar com vocês algumas dicas básicas para viagens longas de carro com crianças. É claro que o fundamental, em qualquer tipo de viagem com crianças, é apaciência dos pais, e a capacidade destes para se deixarem ir ao sabor do vento. Com crianças, os planos precisam de ser muitas vezes reavaliados. Talvez tenhamos a intenção de parar apenas uma vez para almoçarmos, mas entretanto um precisa da fralda mudada, mais à frente o outro sente-se maldisposto, e depois o outro quer fazer um xixi, e ainda falta o outro que desata aos gritos no carro e nada o cala. E eu só tenho 2 filhos! (rio-me) Ter tempo durante viagens longas é mesmo muito importante. Tempo para os planos poderem ser alterados, se for necessário. Tempo para parar o carro à beira de um campo de giestas e deixá-los correr pela natureza adentro, durante uns dez minutos. Tempo para acalmar uma birra, ou dar de mamar, ou comer um iogurte à beira da estrada. Tempo é mesmo fundamental. Crianças e pressa não dão as mãos, e uma atrapalha sempre a outra.

Mas vamos pensar nos aspectos mais práticos, como o que levar na mala? A resposta é tão simples, quanto complexa- o essencial, e nada mais do que o essencial! Na minha filosofia de vida, que aplico em todas as áreas, quase sempre o menos vale mais. Não é porque levamos muito, que levamos o que é importante.

Roupa – Quantas vezes enchemos malas e malas de roupa para todas as ocasiões e mais algumas, e no final da viagem não usámos nem metade? Eu gosto de levar o que sei que faz falta, peças de roupa práticas, flexíveis, que se possam lavar facilmente à mão (se assim tiver que ser) e secar rapidamente. Se vamos estar fora dez dias, levo mudas de roupa para cinco, e da roupa que levo existem sempre as t´shirts de algodão, os polares, os calções/calças de materiais naturais, que protegem do vento, mas são leves para o calor. Obviamente que no que diz respeito à roupa, tem muito a ver com as nossas individualidades e dinâmicas, e também com o tipo de viagem que vamos fazer. No entanto, uma viagem longa de carro, e sobretudo uma que englobe passar muitos dias a viajar de um lado para o outro, exige praticalidade. Exige também fecharmos um olho à nódoa dos morangos na t´shirt branca, e acreditar que será uma nódoa para a história. Eu gosto de levar a roupa já organisada, tipo calção/t´shirt/meias e cuecas, e depois de meio dobrada cada peça, enrolo-as todas juntas, de forma a ocuparem o menos espaço possível. Dependendo para onde se viaja, dá sempre jeito um bom casaco para a chuva, sobretudo se gostarem de se aventurar em caminhadas longas pelas montanhas (o tempo é muito imprevísivel), e chapéu para o sol (de preferência com pala para proteger o rosto também). Normalmente faço uma mala para os miúdos, e outra separada para nós. Levo a roupa interior e os pijamas num saco à parte dentro das malas, isto porque nunca sabemos a que horas chegamos aos lugares onde vamos dormir, e gosto de ter as coisas importantes à mão, invés de ter de vasculhar malas depois de tantas horas de carro.

Farmácia – Nós usamos muito medicamentos naturais e homeopatia, e tenho um kit especial de viagens homeopático que levo sempre connosco. Para além disso, temos sempre um mini kit de primeiros socorros, feito por mim mesma (noutro artigo vou falar-vos sobre o que levo lá dentro). Essencial-SEMPRE- é um bom creme protector para o sol (e bom não significa necessáriamente caro), e um creme/gel natural de aloe vera, para eventuais queimaduras (como aquela vez em que me esqueci de pôr creme nas orelhas do Tiago). Dependendo dos lugares que pretendem visitar, não se esqueçam de levar repelente de insectos (com protecção mais alta ou baixa, dependendo de onde estão a viajar), e de um creme para picadelas (nós usamos o Cicaderma da Boiron). Outra coisa importante é ter sempre uma garrafa de água à parte para limpar as eventuais esfoladelas nos joelhos ou nas mãos, ou usar um spray para limpar as feridas (nós usamos o spray de calêndula da Weleda). Não vale MESMO a pena levar uma mala inteira com remédios. Não podemos nem devemos partir do princípio que os miúdos vão adoecer enquanto estão de férias, e para além disso existem farmácias por (quase) todo o mundo. Se têm crianças saudáveis, o importante é ter na mala o tal penso rápido colorido para curar os dóidóis nos calcanhares cansados de andar, ou uma saqueta de ibuprofen, para o caso de uma febre ou dor de garganta mais desagradável.

Brinquedos – Esta é a parte que mais gosto de organisar para as nossas viagens sobre rodas em família. E conto-vos mais! Quanto mais viajamos, menos brinquedos ponho dentro das mochilas deles. A verdade é que umas férias em família, pressupõe tempo para estarmos todos conectados uns com os outros (e isto significa usar os telemóveis, os iPads e as outras coisas do género o menos possível). Eles brincam com os brinquedos o ano todo. Durante as férias é tempo de reinventar jogos em família, de “fazermos” brinquedos com as pedras e os pauzinhos que se apanham do chão, de descobrirmos tesouros nas praias, de irmos à procura de pegadas de animais nas florestas, ou de desenharmos tubarões na areia. O que levo sempre, e essencialmente, é um estojo com canetas de feltro (das que são laváveis) e lápis de cor, e um bloco de notas para cada um (dão muito jeito quando estamos à espera da comida nos restaurantes). Se viajamos na estrada mas em transportes públicos, como fizemos em Cuba, no Peru, e na Jordânia, então lembro-me de comprar daquele verniz de unhas que sai com água para a Gabriela, e um carrinho ou dois para o Tiago. No nosso carro, entretenho-os com canções, levo um livro maior para lermos juntos, jogamos ao “eu vejo um…”, e a outros jogos que invento em cima do joelho. Para além disso, só mesmo os peluches com que eles dormem à noite (a Gabriela com o seu pinguim, e o Tiago com o seu ouriço). Outras coisas giras para ter no carro: audio-books, fantoches de dedo, uma bola e uma corda para saltar.

Comida – Não sou de levar uma mala cheia de caixas de nestum ou de pacotes de bolachas Maria na mala. Acredito que é importante os miúdos habituarem-se ao mundo que os rodeia, e isso implica também comer bolachas que não se chamam Maria, e tomar um pequeno-almoço que não tenha vindo da Nestlé. Tenho sempre um “aguenta queixas” na minha mala, que pode ser um pacote de frutos secos, uns biscoitos ou uma peça de fruta, mas normalmente compro as coisas para o dia. Especialmente no Verão, ou em destinos quentes, a comida estraga-se com facilidade, pelo que é importante ter qualquer coisa à mão, para quando eles começam a queixar-se com fome/sede/xixi/cocó/tudo é aborrecido, e para os distraír até ao próximo café/supermercado (que por acaso fica a quarenta e cinco quilómetros! (e rio-me outra vez). Viajar é uma experiência de vida fundamental para ensinarmos os nossos filhos a praticarem a simplicidade, a flexibilidade, o gosto por coisas e lugares diferentes. E também no prato devemos encorajar todos estes valores. E não se esqueçam da água! Muita água!

Outras coisas muito importantes para ter no carro- um saco de plástico para o lixo, toalhitas com fartura, uma caixa de lenços de papel, uma muda de roupa à mão (há sempre um que se molha todo ao pôr a garrafa de água na boca), um Cd com a música da salvação quando eles começam “já estamos a chegar???” (a nossa é o “She loves you” dos Beatles), e não tenham problemas em tocá-la tantas vezes quanto as necessárias, uma manta para um eventual piquenique à última da hora (com as sandes compradas no supermercado à beira da estrada), as almofadas deles para poderem encostar a cabeça para as benditas sestas em viagem, e qualquer outra coisa que lhes seja mesmo muito especial.

Agora é pôr tudo no carro e…. BOA VIAGEM!

Sofia Isabel Vieira Mãe, aventureira, sonhadora, escritora freelance e autora do projecto Pais com P grande.