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Tudo o que tem que saber sobe obesidade infantil

obesidade infantil

A obesidade é um assunto bastante comum na socidade hoje, principalmente a obesidade infantil, aprenda com Dr. Armando Fernandes – especialista em Pediatria do Desenvolvimento no Centro Pediátrico de Telheiras o que é a obesidade e tudo o que está envolvida com a mesma.

A obesidade infantil pode ser definida como um excesso da gordura corporal, que pode ser avaliada indiretamente pelo índice de massa corporal (IMC). A partir dos dois anos de idade, valores do IMC entre o percentil 5 e 85 são considerados normais, entre o percentil 85 e 95 significam excesso de peso ou pré-obesidade e acima do percentil 95 significam obesidade.

Em crianças com idade entre os 0 e os 2 anos recomenda-se o uso das curvas de crescimento do peso em relação ao comprimento para definir como tendo excesso de peso as crianças que excedem o percentil 95.

Na última década têm-se verificado um aumento dramático da prevalência da obesidade infantil.Os números variam porque existe muita inconsistência no modo como a obesidade é definida (em Portugal, alguns estudos apontam que entre os 7 e os 11 anos, 30% das crianças tinham excesso de peso e 17% eram obesas. Por esta razão, Portugal apresenta uma das taxas de obesidade infantil mais elevadas de toda a União Europeia).

A sua etiologia é provavelmente multifatorial, dependendo da inter-relação entre fatores genéticos, ambientais, culturais, socioeconómicos e psicológicos. Sabe-se, contudo, que em 95-99% dos casos das crianças obesas não se encontra nenhuma situação patológica, resultando assim de um desequilibro entre a ingesta e o consumo de calorias.

É a denominada obesidade nutricional. Constituem fatores de risco para obesidade o ganho excessivo de peso materno durante a gravidez, o fumo de tabaco durante a gravidez, a diabetes gestacional, o peso elevado ao nascer, o crescimento rápido nos primeiros dois anos de vida, a obesidade dos progenitores, o estilo de vida sedentário e o consumo de junk food aos três anos de idade.

Dois fatores têm ressaltado de múltiplos estudos: o consumo de refrigerantes (representam uma importantíssima fonte de calorias adicionais) e o “tempo de ecrã” (televisão, computadores, consolas de jogos, etc.) (pelo sedentarismo, pelo consumo de alimentos (habitualmente snacks altamente calóricos ou refrigerantes) durante os períodos em que assistem a televisão e pelas mensagens publicitárias destinada ao público infantil, desajustadas e encorajando o consumo de alimentos obesogénicos. Pelo contrário, o aleitamento materno constitui um fator fortemente protetor do aparecimento de obesidade a curto e longo prazo.

A obesidade na criança e, principalmente, no adolescente tem uma relação direta com a sua evolução para a obesidade na idade adulta (três em cada quatro adolescentes obesos tornam-se adultos obesos).

A obesidade pode provocar várias complicações, designadamente problemas psico-sociais (baixa autoestima, tristeza/depressão, qualidade de vida, insucesso escolar), neurológicos (pseudotumor cerebri, risco de acidente vascular cerebral), cardiovasculares (dislipidemia, hipertensão arterial, hipertrofia ventricular esquerda, disfunção endotelial, risco de doença coronária), pulmonares (pieira, apneia do sono, intolerância ao exercício), endocrinológicos (diabetes tipo II, puberdade precoce, hipogonadismo (rapazes), síndrome do ovário poliquístico (raparigas), gastrointestinais (paniculite, esteatose hepática, fibrose hepática, litíase biliar, risco de cirrose hepática, risco de cancro do cólon), músculo-esqueléticos (fratura, doença de Blount, epifisiólise da cabeça do fémur, pé plano, risco de doença articular degenerativa), etc.

A terapêutica da obesidade visa a normalização do IMC, sendo muitas vezes necessário o apoio de uma equipa multidisciplinar. A maioria dos esquemas terapêuticos são constituídos por: dieta, exercício físico e modificações comportamentais.

Em caso de dúvida, ligue para a SAÚDE 24 (808 24 24 00) ou contacte o Pediatra dos seus filhos.