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Tiques faciais nas crianças: tudo o que precisa de saber!

tiques faciais

Foto: Frank Mckenna (Unsplash)

Não só os adultos que têm os conhecidos "tiques faciais". Também as crianças os têm e podem ser indicadores de alguns transtornos.

Os tiques faciais são espasmos involuntários nos músculos faciais. Os tiques são, geralmente, indesejados e acontecem regularmente, o que acaba por fazer dele um incómodo e preocupam muito os pais que têm uma criança pequena que já demonstra sinais de alguns tiques.

Tiques Faciais

Várias podem ser as causas destes tiques. Normalmente, não são indicativos de doenças graves, contudo podem ser consequência de alguns distúrbios.Alguns distúrbios diferentes podem causar tiques faciais, mas na maioria das vezes os tiques faciais não indicam uma condição médica grave.De acordo com um relatório da Pediatric Neurology (Neurologia Pediátrica, em português), os tiques faciais acontecem com mais regularidade em crianças do que em adultos e, dentro desse universo, são os rapazes os que têm maiores probabilidades de ter tiques faciais. No entanto, na infância a maioria desses tiques tende a desaparecer após alguns meses.

O que são tiques faciais?

Os tiques faciais são movimentos musculares involuntários que podem acontecer em qualquer parte do rosto.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria (SPN), estes são “breves, repetidos, sem objetivo nem propósito claro e por vezes socialmente desadequados e embaraçosos”.

Tipos de tiques faciais:

  • olho a piscar muito rápido;
  • estrabismo (entortar os olhos);
  • dilatar as narinas;
  • clicar na língua;
  • passar a língua sobre os dentes;
  • levantar as sobrancelhas;
  • abrir e fechar a boca;
  • coçar o nariz;
  • contrair a boca, fazendo “caretas”.

Além desses tiques musculares, existem ainda outros tipos de tiques motores, como tocar repetidamente em partes do corpo, objetos ou noutras pessoas, e os tiques vocais, nos quais se incluem dar estalinhos com a língua, fungar, grunhir, entre outros.

Para a SPN, estes tiques “são [como, de resto, já vimos] involuntários, ou seja, a criança não os realiza deliberadamente nem tem controlo sobre o momento em que ocorrem ou a sua intensidade, surgindo também durante o sono. Podem, contudo, ser suprimidos por breves períodos, à custa de um importante e progressivo aumento da ansiedade, até que sejam de novo realizados”.

Começam a manifestar-se por volta dos 6 anos de idade, na maioria das vezes de forma súbita e “têm tendência a melhorar até ao final da adolescência”, explica a associação científica.

Transtornos que podem causar tiques faciais

Os tiques são muito frequentes nas crianças e muitas delas manifestam-nos apenas durante alguns meses. Se assim for, não há necessidade de mais investigação nem tal é sinónimo da existência de outros problemas de saúde física ou mental“, pode ler-se no portal da SPN.

No entanto, e de acordo com a mesma fonte, também existem crianças que têm vários e graves tiques que podem resultar da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), de dificuldades na aprendizagem ou outro tipo de situações como depressão infantil, ansiedade, pensamentos e comportamentos obsessivos.

Existem, portanto, várias distúrbios que podem causar os mais diferentes tiques faciais e motores. Muitas vezes, a gravidade do tique, juntamente com outros sintomas, pode ajudar o médico a fazer o diagnóstico da doença ou transtorno.

Transtorno de tiques transitório

Os tiques transitórios são, como o próprio nome indica, temporários. O transtorno de tiques transitórios pode causar um tique facial ou vocal regular, mas normalmente dura cerca de um ano.

Este tipo de transtorno só causa tiques enquanto a criança está acordada. Raramente, acontece quando se encontram a dormir. Este é o transtorno responsável pela maioria das causas de tiques em crianças. Normalmente, resolvem-se sem qualquer necessidade de intervenção médica.

Transtorno de tiques motores crónicos

O Transtorno de tiques motores crónicos já é, ao contrário do anterior, um transtorno de tique mais persistente. Para que o médico possa diagnosticar uma criança com transtorno de tiques motores crónicos, as crianças devem ter passado por períodos de tiques superiores a um ano, com uma regularidade de, pelo menos, de 3 em 3 meses.

Contrariamente ao transtorno de tiques transitórios, este tique motor crónico causa tiques que podem ocorrer durante o sono.

O distúrbio motor crónico pode acontecer tanto em crianças como em adultos. As crianças pequenas que apresentam um distúrbio motor crónico podem não precisar de tratamento, uma vez que os sintomas podem ser mais controláveis ​​ou diminuir naturalmente ao longo do tempo.

Síndrome de Tourette

A síndrome de Tourette é uma condição crónica que origina tanto tiques motores como vocais. A maioria das pessoas adultas que sofrem deste síndrome desenvolvem-na durante a sua infância.

As pessoas que sofrem do síndrome de Tourette têm tendência para ter tiques motores e verbais, podendo fazer sons estranhos ou dizer palavras involuntariamente. Contudo, existem pessoas e crianças que apresentam pequenos tiques motores, como um rápido piscar de olhos. No entanto, também podem ter outros tiques motores, como:

  • encolher um ou ambos os ombros;
  • balancear a cabeça incontrolávelmente;
  • bater os braços;
  • dizer palavras inapropriadas;
  • fazer gestos inadequados;
  • gritar, etc.

Os sintomas da síndrome de Tourette podem ser controlados e atenuados através de terapia comportamental. Apesar disso, existe um espectro de pessoas que possam precisar também de medicação.

Tratamento

O tratamento para os tiques faciais pode variar dependendo do tipo e da gravidade do mesmo. Alguns tipos de tiques, como os causados ​​pelo transtorno do tique transitório, podem desaparecer ao longo do tempo sem necessidade de tratamento.

Já os que interferem com o desempenho na escola podem exigir alguma recomendação médica, incluindo vários tipos de tratamento.

O tratamento pode incluir:

Medicação

A medicação inclui as denominadas agonistas alfa-adrenérgicos, drogas neurolépticas e bloqueadores da dopamina.

Nos casos de contrações ou tiques faciais persistentes, os médicos podem recomendar injeções de Botox (se se tratarem de pessoas adultas), de forma a paralisar os músculos faciais durante alguns meses, tempo suficiente para impedir que o tique “volte à ação”.

No caso dos tiques que são uma consequência de alguns transtornos ou síndromes, como o síndrome de Tourette ou a  Hiperatividade, a medicação pode ser necessária. Mas nada como marcar uma consulta para diagnosticar a causa dos tiques.

Psicoterapia

Além da medicação, os médicos podem recomendar sessões regulares de psicoterapia, pois pode ajudar a encontrar formas de mudar ou eliminar os tiques.

As modificações comportamentais e as técnicas de reversão de hábitos podem ajudar algumas pessoas a deixar de sentir vergonha dos seus tiques, o que, consequentemente, irá melhorar a sua qualidade de vida.

Normalmente, o processo passa por ensinar a criança a identificar quando está prestes a ter um tique. Assim que toma consciência disso, o terapeuta irá ceder-lhe algumas opções para substituir o tique por um comportamento diferente. Com as crianças, a forma de fazer psicoterapia terá que ser ajustada com a sua perceção do que está a acontecer e de forma que compreendam como podem alterar o seu padrão comportamental.

Esta tratamento/terapia é uma prática que permite melhorar o dia a dia das pessoas que vêm as suas rotinas e relações sociais afetadas por estes tiques.

Cirurgia

Existem ainda alguns métodos cirúrgicos que podem ajudar nos casos graves de tiques faciais, como os causados ​​pelo síndrome de Tourette.

Uma das terapias cirúrgicas é a chamada estimulação cerebral profunda. De acordo com alguns cientistas, implantar elétrodos no cérebro, uma vez que as correntes elétricas podem atingir secções específicas do cérebro, ajudando assim a regular as ondas cerebrais e, por fim, reduzir os tiques.

Um estudo recente descobriu que a estimulação cerebral profunda pode ajudar a aliviar os sintomas da síndrome de Tourette, mas ainda existe muito para identificar as melhores áreas do cérebro a serem estimuladas.

Remédios naturais

Contudo, nem só de medicação se tratam as doenças, síndromes ou tiques. É provável que os médicos ponderem recomendar tratamentos naturais. Isto porque se acredita que o stress tenha um papel fundamental no desenvolvimento e na persistência dos tiques. Com estes tratamentos naturais e alternativos, o stress reduz, logo os tiques também!

Alguns desses tratamentos, terapias ou remédios naturais – como lhe quiserem chamar – são:

  • Exercícios leves;
  • Jogos imaginativos e educativos;
  • Meditação.

Tudo isto, mas nunca esquecendo que uma boa noite de sono é também extremamente importante para quem necessita reduzir o stress e a ansiedade e relaxar.

Quando procurar aconselhamento médico

Na maioria das vezes, os tiques faciais são transitórios e desaparecem por si só, mas se o tique durar mais do que um ano, é importante considerar ir procurar ajuda médica. Esses tiques podem estar a esconder uma outra condição de saúde mais grave que precise de ser monotorizada.

Qualquer pessoa que tenha tiques graves, persistentes e que afetem grupos musculares diferentes deve entrar em contato imediato com um médico, de forma a que seja feito um diagnóstico.

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