Como gerir a ansiedade de toda a família em tempos de coronavírus?

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Partilhamos dicas e recursos que vão ajudar toda a família a respirar melhor e a manter a paz em dias difíceis.

Estarmos fechados na nossa própria casa, em contacto permanente com o parceiro e as abobrinhas, e num clima de pânico global, pode infelizmente funcionar como um poderoso gatilho para ataques de ansiedade difíceis de controlar.

Numa fase tão difícil, também estamos mais sujeitos a esgotamentos emocionais, gerados pelos conflitos e pela incerteza do futuro, e para nos sentirmos tristes e sem esperança. As crianças não entendem exatamente o que se passa e mostram-se nervosos. Como gerir a ansiedade de toda a família?

Como gerir a ansiedade das crianças?

gerir a ansiedade

Como explicar a uma criança a importância e os motivos das medidas de distanciamento social e isolamento? O site da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) oferece algumas respostas num documento explicativo e respetivo vídeo, que preparou e disponibilizou, no âmbito da literacia psicológica.

1. Apresentem-lhes factos sobre o que se passou, expliquem o que se passa agora e dêem-lhes informação clara sobre como reduzir o seu risco de infecção pelo COVID-19.  É importante utilizar palavras adaptadas à sua idade, garantindo que as compreendem.

2. De uma forma tranquilizadora, ofereçam informação sobre o que pode acontecer, por exemplo, se um familiar e/ou a própria criança se começarem a sentir mal: terão de ir para o hospital durante algum tempo, para recener ajuda dos médicos, que os vão ajudar a sentir-se melhor.

3. Limitem, ao mesmo tempo, a sua exposição a notícias alarmantes, expliquem a mesma coisa várias vezes e dêem-lhes oportunidade para expressar os seus sentimentos, dúvidas e receios.

4. É também fundamental perceber como ajudar as crianças a lidar com o stress durante este surto e perceber que as abobrinhas podem manifestá-lo de várias formas diferentes: podem pedir mais colo e mostrarem-se mais dependentes, podem estar mais agitadas, ansiosas ou zangadas, podem isolar-se e até fazer xixi na cama.

5. Segundo a OPP, o ideal em qualquer dos casos é responder às reações da criança sendo compreensivos e mostrando apoio, escutando as suas preocupações e dando-lhes uma dose extra de atenção e carinho. Tanto quanto possível, mantenham as rotinas e os horários habituais, ou ajudem a criar novas rotinas no novo ambiente, incluíndo, claro, momentos de aprendizagem/estudo e tempo para brincar e relaxar em segurança.

6. Procurem manter as crianças próximas dos pais e evitem, na medida do possível, dos seus cuidadores habituais. Se a separação ocorrer, por exemplo, em caso de hospitalização, garantam que existe um contacto regular via telefone e mantenham a criança tranquila e segura.

Como gerir a ansiedade dos adultos?

gerir a ansiedade adultos

Também nós estamos assustados perante um cenário que nunca antes vivemos.

Falámos com a Magda Gomes Dias, certificada em Inteligência Emocional e em Disciplina Positiva, que partilhou connosco 7 dicas para nos sentirmos bem, e calmos, durante este período de isolamento social.

Primeiro, devemos evitar estar sempre a ver ou ler notícias. Cria-nos uma sensação de angústia e pânico, totalmente desnecessárias.

Segundo, é muito importante ter uma rotina, usar despertador para acordar e manter horários de trabalho e de vida familiar, o mais possível

Terceiro, aproveitem para ligar à família, e, todos os dias, falar ou enviar mensagem a uma pessoa com quem não falavam já há muito tempo.

Quarto, não se esqueçam de fazer ginástica, ir à janela, arrumar a casa e manter a cabeça ocupada. Podem também meditar, se acharem que ajuda. Aconselhamos aplicações de meditações guiadas como a Calm, a Zen e a Lojong.

Quinto, este é o tempo de estudar, de ler e de nos cultivarmos. É uma excelente oportunidade para o fazermos.

Sexto, podem fazer, de forma regular, uma limpeza de e-mails, contas de instagram e de facebook . Vamos eliminar o que não nos acrescenta nada.

Sétimo, devem repetir estas dicas. Diariamente. À medida que o tempo passa ficamos mais desanimados, e é precisamente nesses momentos que devemos lembrarmo-nos do que nos faz bem.

Também a OPP divulgou um documento, traduzido a partir de material da Organização Mundial de Saúde, com várias sugestões para ajudar os adultos a melhor lidar com o seu próprio stress durante o surto de COVID-19, que aqui partilhamos:

1. Durante uma crise é normal sentirmo-nos tristes, ansiosos, confusos, assustados ou zangados. Falar com pessoas em quem confiamos pode ajudar. Contactem os vossos amigos e familiares.

2. Se tiverem que ficar em casa, mantenham um estilo de vida saudável: uma dieta adequada, períodos de sono e descanso, exercício físico e contactos sociais, dentro de casa, com as pessoas mais próximas, mas também por e-mail e telefone com outros familiares e amigos.

3. Não fumem, nem consumam álcool ou drogas na tentativa de lidar com as emoções. Se se sentirem muito angustiados ou perturbados, falem com um profissional de saúde, liguem para o SNS24 e sigam as recomendações dadas.

4. Tenham uma visão crítica relativamente às informações que encontram e que não são disponibilizadas por instituições oficiais. Procurem consultar fontes de informação fiável em que possam confiar. Optem por informação divulgada por instituições oficiais tais como o Serviço Nacional de Saúde, a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Emergência Médica ou o site do governo.

5. Limitem as vossas preocupações e inquietações, e as da vossa família, diminuindo o tempo durante o qual estão a ver ou a ouvir notícias que considerem perturbadoras.

6. Recorram a capacidades e competências que já vos ajudaram no passado a lidar com situações adversas. Usem-nas para lidar com as vossas emoções nos momentos mais desafiantes deste surto.

Além destes conselhos preciosos, a OPP criou um kit de sobrevivência para os pais que estejam a sentir-se um pouco perdidos. Há que ter em conta se têm total disponibilidade ou se estão em teletrabalho, mas para ambas as situações é necessário ter uma rotina equilibrada que responda às necessidades de todos.

«Para sobreviver vão precisar de se adaptar e encontrar, com flexibilidade, novas estratégias para organizar o dia a dia».

O documento divide-se em dois níveis: Kit Básico ou Kit Avançado, de acordo com o grau de necessidade dos pais.

A OPP ajuda ainda a organizar o dia a dia com duas sugestões de planos familiares. As propostas diárias e semanais são dirigidas a crianças até aos 5 anos e a crianças entre os 6 e os 14 anos.

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