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Radiografia Pediátrica – Como se processa?

Radiografia Pediátrica

Radiografia Pediátrica – Como se processa?

Ana Almeida

Mestranda em Saúde – Radiologia

Cócegas nos Pés

Quando o seu filho necessita de realizar um exame, pode demonstrar-se ansioso e apreensivo por desconhecer a maneira como este é efetuado. Concretamente, em relação a tirar uma radiografia, é necessário desmistificar a situação, explicando-lhe que ninguém lhe fará mal e que o procedimento se assemelha a tirar uma fotografia.

Ainda assim, é normal que, perante um espaço novo e cheio de equipamentos desconhecidos, o seu filho sinta algum receio. Dado que o manuseamento dos equipamentos envolve barulhos estranhos, o Técnico deverá preparar a sala antes da criança entrar, proporcionando-lhe um ambiente menos hostil e fazendo-a sentir-se mais confortável e descontraída.

A realização de um exame rápido poderá também reduzir a ansiedade do seu filho. Deverá ainda existir, por parte do Técnico, uma elevada capacidade de escuta, indispensável para compreender a criança.

É fundamental adequar todo o procedimento e atitude à idade e estado de consciência da criança. O contributo dos pais ou do acompanhante da criança é também importante, ajudando-a a distrair‑se com um brinquedo apropriado.

Os riscos associados à exposição direta de radiação-X são diretamente dependentes da idade da criança. Por exemplo, quando a exposição ocorre antes dos 10 anos de idade, está associado um elevado risco de efeitos genéticos e leucemia, risco esse que é quatro a sete vezes superior ao de um adulto.

Utilizar adequadamente as proteções de chumbo, como avental, protetores de tiroide e de gónadas, são pontos fundamentais, especialmente quando se trata de crianças. Nunca receie em pedi-las, caso não sejam fornecidas!

Comparativamente a um adulto, é sabido que as crianças têm batimentos cardíacos e movimentos respiratórios mais rápidos, o que poderá dificultar a obtenção de uma imagem livre de artefactos de movimento involuntário. No que diz respeito aos artefactos voluntários, podem ser minimizados através do uso de dispositivos de imobilização, caso a criança não seja colaborante.

A forma mais simples e económica de imobilização é a utilização de materiais que se podem encontrar com facilidade nos serviços de Radiologia, tais como fitas, lençóis e toalhas. Se usados corretamente, são eficazes na imobilização. Nestes casos, pode ser necessário recorrer à ajuda dos pais, devendo ser sempre fornecida a devida proteção radiológica aos mesmos. Se a leitora for a acompanhante da criança, e se se encontrar grávida ou a amamentar, não deverá permanecer na sala de exame.

O Técnico deverá garantir que a criança e o acompanhante que a imobilizará entenderam o correto posicionamento para o exame. É importante que os pais sejam firmes e adotem uma posição estável. Um posicionamento incorreto poderá levar a imagens com baixa acuidade diagnostica e, consequentemente, a exposições repetidas, aumentando a dose total recebida pela criança.

Quando este tipo básico de equipamento não garante uma correta imobilização, poderá recorrer-se à imobilização mecânica, através de dispositivos apropriados. Esta prática, apesar de aparentemente parecer coativa, é uma boa opção para evitar expor o acompanhante da criança à radiação, embora só devam ser utilizados com o consentimento do mesmo.

Em suma, o Técnico deverá demonstrar competência, precisão e segurança antes, durante e após a realização do exame. A própria leitora pode e deve contribuir para que toda esta situação seja simplificada, explicando previamente à criança todo o processo pelo qual irá passar.

Além dos cuidados com a criança, o Técnico tem, acima de tudo, responsabilidade clínica, que se traduz no uso da tecnologia da forma mais apropriada, fazendo uma adequada otimização da dose e da exposição à radiação.

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Ana Almeida da Cócegas nos Pés – Artigo para a Revista Coisas de Criança