Até quando devem as crianças dormir a sesta?

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A maior parte das abobrinhas deixa de dormir a sesta aos três anos. É cedo demais?

O alerta foi dado pela Sociedade Portuguesa de Pediatras: não dormir a sesta pode trazer às crianças várias consequências a curto e a longo prazo; problemas de aprendizagem e de comportamento são os mais graves.

Este aviso dos especialistas surge a propósito da política de sestas adoptada pela maioria das creches e dos jardins de infância, que a partir dos 3 anos substituem o descanso pós-almoço por outras atividades.

As refeições foram, aliás, um dos pontos de comparação dos médicos, que acreditam que não dormir a sesta a partir dos 3 anos é tão prejudicial para as crianças como não ter direito a uma refeição na escola. “Um grave problema de saúde pública” foram as palavras usadas.

Até quando devem, então, as crianças dormir a sesta?

A recomendação é simples: as crianças devem dormir a sesta até aos cinco/seis anos de idade, de preferência no início da tarde e com a duração de aproximadamente uma hora e meia.

No entanto, é de ressalvar que a necessidade fisiológica da sesta varia, naturalmente, de acordo com a idade, e se aos três anos a criança precisa de dormir uma sesta de uma a duas horas, por volta dos 5/6 anos é provável que um descanso de entre 20 a 30 minutos faça milagres.

Claro que é importante analisar caso a caso e perceber que as crianças não são todas iguais, vivendo em ritmos de desenvolvimento diferentes. Após os quatro anos, já não todas as abobrinhas têm a necessidade de dormir a sesta de forma regular, pelo que a família e as educadoras de infância são aconselhadas a conversar para definir padrões de sono. Podem decidir, por exemplo, que a criança não dorme na escola, mas faz sestas ao fim de semana, ou alternar os dias de descanso para participar juntamente com os colegas noutras atividades.

Os benefícios de dormir a sesta

Segundo a Sociedade Portuguesa de Pediatria é muito benéfico para as crianças dormir até à idade escolar. Está, por exemplo, provado que crianças que dormem a sesta regularmente apresentam um QI mais elevado do que aquelas que não descansam durante o dia. É durante o sono que consolidamos aprendizagens e crescemos.

A privação do sono tem para as abobrinhas consequências gravíssimas a curto prazo, como a perturbação da função neuro-cognitiva, distúrbios de humor, agressividade, alteração do comportamento e alteração motora.

A longo prazo, estas perturbações podem evoluir para quadros ainda mais preocupantes: mau rendimento escolar, hiperactividade e défice de atenção, ansiedade, depressão e perturbação da vida familiar.

Como saber se a criança ainda precisa de dormir a sesta?

Como dissemos, cada caso é um caso. Cabe aos pais, em conjunto com os profissionais de educação, perceber se a criança fica mais irritada e instável depois da hora de almoço, se parece cansada ou demasiado agitada, se fica menos atenta ou concentrada nas atividades e brincadeiras, e se faz mais birras do que o costume.

Se as respostas foram na maioria afirmativas, então, sim, a criança precisa ainda de fazer a sesta e vai tirar desse descanso vários benefícios.

É importante também lembrar que, dos 12 meses aos 3 anos de idade as criançasprecisam em média de 10 a 12 horas de sono noturno e de uma a duas horas de sesta. Já dos 3 aos 5 anos, são necessárias entre 11 a 12 horas, com ou sem sesta.

Isto significa que se a criança não dormir de tarde precisará de substituir esse período no sono da noite, o que na correria do dia a dia pode ser complicado. Por isso, é fundamental criar estratégias e rotinas para que a criança descanse o suficiente para crescer bem e feliz.

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