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3 mitos de pediatria a desmistificar, pela saúde dos seus filhos

3 mitos pediatria desmistificar, pela saúde seus filhos

Já todos ouvimos frases como «Não andes descalço que te constipas» ou até mesmo «Os andarilhos ajudam a que o teu bebé aprenda a andar mais cedo». Será que existe algum fundo de verdade nestas afirmações ou serão apenas mitos? A pediatra Márcia Ferreira da Knok Healthcare explica-nos tudo.

 

  • Mito: «Não se deve pôr o bebé a dormir de barriga para cima porque senão ele ainda se engasga com um vómito.»

As questões relacionadas com a posição do sono do bebé surgiram, entre outros motivos, devido à preocupação com a chamada Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL).

Esta define-se como a morte súbita e inesperada de uma criança menor de um ano, que ocorre aparentemente durante o sono e que permanece sem explicação depois de investigação minuciosa post mortem (incluindo autópsia e revisão das circunstâncias da morte e da história clínica).

Apesar de não se saber bem o porquê, existem vários factores que se associam a risco aumentado de SMSL. Um dos mais estudados e comprovados é o «dormir de barriga para baixo».

Isto levou (na década de 1990) à implantação de campanhas para promover o «dormir de barriga para cima» como forma mais segura de dormir até aos 6 meses. Desde então observou-se uma consequente diminuição do número de SMSL em mais de 50%.

A posição «de lado» não se demonstrou tão protectora principalmente devido à sua instabilidade com risco de transformação em «barriga para baixo» durante o sono.

Nos mais de 20 anos que já passaram desde que se implantou a recomendação de dormir de barriga para cima não se verificou aumento no número de mortes por aspiração de vómito.

Desde então já se realizaram centenas de estudos científicos que demonstraram que essa preocupação não tem, portanto, fundamento real. Admite-se e comprovou-se que uma criança saudável possui os mecanismos de defesa necessários para ultrapassar um possível vómito ou regurgitação que ocorra durante o sono, mesmo que se encontre de barriga (boca) para cima.

Duas notas finais:

  • Podem existir motivos clínicos específicos que levem o seu médico assistente a recomendar outra posição durante o sono como a mais indicada para o seu filho.

  • A partir do momento em que a criança se vira sozinha na cama (muito variável, mas geralmente por volta dos 6 meses) não está indicada a alteração da posição que a criança, de forma voluntária e activa, assume por si. Ou seja, colocamos a criança de barriga para cima no berço e depois «é ela que manda» colocando-se a si própria na posição que lhe é mais confortável.

 

  • Mito: «Os andarilhos (voadores/aranhas/andadores) ajudam a que o teu bebé aprenda a andar mais cedo.»

Isto não só é um mito como é um perigo!

Os andarilhos levantam duas questões fundamentais:

Primeiro há a questão relacionada com a segurança. O andarilho é o utensílio de puericultura que se associa ao maior número de acidentes na idade pediátrica.

Por ano, são responsáveis por milhares de acidentes em todo o mundo, alguns com consequências muito graves. A criança consegue atingir velocidades elevadas o que, mesmo sob vigilância, torna difícil que o acidente seja prevenido.

Quedas, afogamento, queimaduras, pancadas com a cabeça em mesas ou esquinas são alguns dos acidentes mais frequentes. Apesar de todas as normas de segurança, nacionais e internacionais, que foram sendo instituídas na tentativa de reduzir a gravidade dos acidentes, os andarilhos continuam a causar acidentes graves e a sua utilização é desaconselhável.

Depois temos a questão do desenvolvimento motor da criança. A crença de que a sua utilização poderia facilitar a aquisição da marcha veio a demonstrar-se falsa e existem mesmo alguns estudos que demonstraram o contrário: um atraso nas aquisições motoras da criança.

Em condições normais a criança começa por se virar, arrastar, gatinhar, se levantar sozinha e, finalmente, andar, num conjunto sequencial de etapas (nem todas obrigatórias) que leva à marcha autónoma. Ao ser colocada num andarilho está-se a ultrapassar, geralmente, etapas fundamentais do desenvolvimento pleno.

De mais a mais, os músculos utilizados pela criança para se deslocar através de um andarilho não são os mesmos que tem de utilizar e desenvolver para a capacidade de andar sozinho. Por tudo isto, novamente, os andarilhos não são recomendáveis.

 

  • Mito: «Agasalha-te! Se apanhares frio vais ficar doente.»

Como esta existem tantas outras expressões semelhantes: «Cuidado com a corrente de ar que apanhas uma pneumonia», «Não andes descalço que te constipas» ou «Não vás para a rua de cabelo molhado que ficas doente».

Apesar de falso – o frio não provoca infecções – existe de facto uma relação entre o frio e as infecções respiratórias, principalmente as infecções víricas. Esta relação é, no entanto, uma relação indirecta.

Vejamos então! As infecções respiratórias/«constipações» são causadas por vírus que se transmitem de uma pessoa infectada para outra que se encontrava saudável, através de gotículas de secreções infectadas, transmitidas pela tosse, espirros e contacto directo.

Acontece que é no tempo frio que as pessoas se resguardam mais em ambientes fechados e protegidos nos quais o risco de contacto de secreções entre as pessoas é mais provável.

Daí ficarem mais vezes «constipadas» e associarem isso ao facto de estar frio e de terem estado expostas ao frio, o que dá a falsa sensação de que o frio é que provocou a doença.

Se quisermos ser mesmo objectivos em relação a este tema, podemos até afirmar que o seu filho corre menor risco de sofrer de infecções respiratórias durante o Inverno se passar mais tempo a explorar e em actividades no exterior do que se estiver «protegido» entre quatro paredes a maior parte do tempo (quer seja em casa, shoppings, infantários, etc.).

Antes de concluir, um último «mito»: «Deves sempre…» ou «Nunca deves…». Existem muito poucas coisas que você deve fazer sempre ou não deve fazer nunca quando estamos a falar de cuidar de uma criança.

 

Pediatra Márcia Ferreira

Knok Healthcare

 

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