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A arte da mudança para um futuro melhor

A arte da mudança

Estamos a ser chamados para mudar radicalmente a nossa forma de viver, de estar e habitar neste planeta que é de todos, que é uma 'grande beleza'. E regressar à matriz; pelo corpo, pela arte, fazer a nossa parte, voltar a fazer parte.

Rita Fouto, do FAREDUCA, fala-nos neste artigo de opinião e(m) partilha sobre a importância da arte e da expressão artística na transformação humana e social.


Hoje estive ao telefone com as minhas amigas Teresa e Alexandra. É sempre bom falar com elas. Comungamos de um sem-fim de coisas e uma delas é de facto esta ‘coisa’ da arte e da expressão artística – e do seu (crucial?) papel na transformação humana e social.

Não vou agora aqui discorrer teorias, até porque não as tenho. Leio muito e tudo o que leio esqueço porque fica no corpo. Já o corpo, esse sim, é para mim uma grande teoria, em prática, em movimento, uma ‘humanoteca’ de sabedoria inscrita na pele, nos poros, nos órgãos, nos estre-espaços de ser – e que se ativa qual semente face às condições reunidas.

‘O corpo é um portal para o mundo’, disse eu um dia e o meu amigo Manuel aquiesceu sorrindo. O Manuel dança e eu brinco e somos muito sérios nesses volteios em torno da luz.

Sabemos (sentimos, vivenciamos, comprovamos há décadas) que quando implicamos tudo (o corpo) acedemos aos portais, àqueles momentum de condições favoráveis dos quais pode emergir o novo, geralmente algo muito simples, que já lá estava inscrito na matriz, mas que nós não víamos ou não entendíamos porque estávamos ‘soterrados’ – de estímulos, informações, pensamentos, emoções.

E então ‘sabemos’ que sim, algo se integrou em nós, ali, naquela vivência, naquela experiência. Houve um parto, gerou-se um novo entendimento. E o mundo transforma-se à nossa frente, pela medida da nossa própria transformação.

‘Pelo corpo é que vamos’, escrevi na atualização do poema. Sim, porque pelo sonho já não vamos. Enfrentamos o apocalipse, o fim do fim, o fim de nós, o colapso climático e a sexta extinção em massa da Terra. Bonito.

“Estudar para quê, mãe, se isto vai tudo acabar?” – diz-me o meu filho e eu falo-lhe de que sempre pudémos escolher como viver, agora também como morrer: desistentes, autistas e mudos – ou conscientes, atuantes e felizes. Conscientes para fazer a nossa parte. Fazendo-o. E sendo felizes com isso.

Felizes, sim, com as nossas escolhas. Fortes junto à tribo. A travar a luta que importa. É preciso nutrir os guerreiros, os influenciadores, os transformadores, os líderes desta mudança.

Por isso, sim, num tempo em que todos somos chamados ao campo de batalha, digo eu que a arte e a expressão artística desempenham um papel crucial na transformação humana, individual e coletiva, social.

Quando fecho os olhos e me deixo guiar pela filigrana voz e qualidade meditativa da minha amiga Isabel – e um golfinho irrompe das águas para me dizer “tens que voltar”, eu ‘sei’ que papel é esse (o da arte, o meu): entregar tudo no processo. Ser água. Fluir. Seja o que for que estejamos a fazer, a chave é o ‘como’ fazemos. Com que intenção. Com que qualidade. Com que vibração. E se o amor muda tudo, a arte é a forma que o procura.

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