Como educar meninas e meninos pela igualdade de género? - Pumpkin.pt

Como educar meninas e meninos pela igualdade de género?

Igualdade de género

Combater a violência e a desigualdade começa com educação! Reunimos alguns recursos úteis para promoverem a igualdade de género em casa e na escola.

Ser mulher não é fácil. Não é fácil na escola, não é fácil no mercado de trabalho, na sociedade e, muitas vezes, nem sequer em casa.

E o Dia da Mulher? O Dia da Mulher não é feliz. É um dia em que lembramos mulheres que sofrem violência, preconceitos, abusos, injustiças, e que todos os anos continuam a sofrer, pela simples condição de serem… mulheres. Neste dia e sempre é muito importante falar de igualdade de género e oferecer ferramentas às nossas crianças para que esta utopia se torne real.

O que é a Igualdade de Género?

igualdade de género meninas

O ano passado, pelo menos 35 pessoas foram mortas em contexto de violência doméstica: 27 mulheres adultas mortas, uma menina, e sete homens. Já o Observatório da Violência no Namoro recebeu 74 denúncias em 2019, sendo que apenas três foram feitas por homens.

No nosso país, segundo dados da Rede 8 de Março, “a violência machista mata, em média”, duas mulheres a cada mês. As mulheres representam 80% dos casos de violência doméstica e são vítimas de 90,7% de crimes sexuais. Uma violência que vê nas mulheres objetos, inferiores, despojáveis.

Também a desigualdade de oportunidades, acesso, salários e representatividade é no mundo uma realidade inquestionável. Há mais pobreza feminina, mais barreiras na educação para as mulheres, mais desemprego feminino, e mais pressão social sobre as meninas, desde sempre, para corresponder a determinados padrões ou imagens irreais. As mulheres também estão mais sobrecarregadas, conciliam trabalho fora com trabalho em casa, e manifestam maiores níveis de ansiedade e de depressão pela intensidade da vida quotidiana.

Assim, lutar pela igualdade de género é cada vez mais importante. Mas o que é ela, afinal? Uma questão de direitos humanos e uma condição de justiça social. A Igualdade de Género exige que, numa sociedade, homens e mulheres gozem das mesmas oportunidades, rendimentos, direitos e obrigações em todas as áreas, da educação à saúde, na carreira profissional e nas esferas de influência.

Na Pumpkin, sentimos que esta é uma luta sem fim, mas uma luta que nunca vamos deixar de lutar. Somos uma equipa maioritariamente de mulheres, com filhas maioritariamente meninas. Não a vemos como uma luta deles contra nós, mas sim como a luta de todos os seres humanos com valores e que batalham pela justiça, igualdade de oportunidades e respeito.

Acreditamos genuinamente que é no poder do amor e na educação das futuras gerações que está o segredo para contrariar o paradigma. Como outras, antes de nós, lutaram pelo que hoje consideramos direitos básicos – votar, ter a nossa própria voz, escolhermos a pessoa com quem queremos casar, escolhermos não casar, termos a oportunidade de trabalhar naquilo de que gostamos, podermos estudar, vestir calças ou ser proprietárias de algo – nós vamos lutar para que, um dia, as mulheres não tenham mais que o fazer.

Esta luta passa por apoiarmos as nossas irmãs, valorizarmos as suas conquistas. Passa por educar as nossas filhas para serem o que quiserem e irem mais longe nos seus sonhos. Passa por educar os nossos filhos para o respeito e amor. Passa por estarmos atentos e disponíveis para ajudar quem precisa. Passa por lutarmos contra as injustiças e desigualdades com palavras e atos concretos.

Como? Não temos, infelizmente, a fórmula perfeita, mas trazemos algumas ideias.

Igualdade de género através da educação

Confiança na adolescência e na pré-adolescência: como ajudar na sua construção?

meninas confiantes

Uma menina confiante será, no futuro, uma mulher confiante, de bem consigo mesma e feliz.

Numa altura em que as mulheres são cada vez mais agredidas (não apenas fisicamente, como também psicologicamente) e rebaixadas por uma sociedade que as condena pelo que vestem, dizem e pelo que mostram ser, a importância de ensinar pequenas mulheres a defenderem-se torna-se cada vez mais importante.

Vamos a isso, então! Como dar mais confiança na adolescência? Temos cinco sugestões que vão ajudar as nossas filhas a serem mais fortes, a olharem para si mesmo com maior empatia, e a fortalecerem as suas relações, consigo e os demais.

A igualdade começa em casa

Se têm meninos em casa, ensinem-lhes pelo exemplo e na vossa rotina que as tarefas domésticas, por exemplo, são responsabilidade igual de toda a família, e que devem ser eles a limpar o que sujam, a arrumar o próprio quarto e a ajudar, tanto quanto as meninas, a por a mesa ou a dobrar a roupa.

Se têm meninas que vos pedem camisolas azuis, bolas de futebol ou carros, se têm meninos que preferem brincar com bonecas, lembrem-se: os brinquedos não têm género. E, se têm, não são adequados a crianças. Deixem-nos expressar os seus gostos e individualidades sem os castrar, sem os dobrar, sem os limitar. Deixem-nos descobrir quem são.

Crianças felizes e abertas ao mundo serão adultos mais tolerantes, empáticos e, obviamente, felizes.

Igualdade de género através da cultura

Livros infantis que provam que as meninas podem ser quem elas quiserem

livros para meninas

A Pumpkin reuniu algumas sugestões de livros para oferecer à sua filha, à sua sobrinha, à filha de uma amiga ou… a si mesma. São livros para meninas, mas também para meninos, que reforçam a ideia de que uma menina, futura mulher, pode ser o que quiser, quando quiser, que depende apenas de si e que em nada fica a dever aos homens.

Leitura obrigatória nas nossas casas, são obras que contribuem para o reforçar do amor próprio e da auto-estima das nossas filhas, mas que também mostram aos meninos o quanto elas são fortes e inspiradoras.

Filmes para toda a família com protagonistas femininas

filmes meninas

Não podemos controlar aquilo que Hollywood produz, mas, como pais, podemos e devemos garantir o equilíbrio: é importante que os nossos filhos tenham também acesso a filmes onde há meninas fortes, poderosas e que assumem papéis de liderança, vivem aventuras inesquecíveis e contrariam muitos dos estereótipos associados aos contos de fadas.

Espreitem as nossas sugestões de filmes com personagens femininas e, mesmo longe do Dia das Bruxas, a lista que fizemos com filmes de Halloween com protagonistas femininas. Afinal, há alguns séculos, as mulheres fortes eram vistas como bruxas e queimadas nas fogueiras. É também por elas que lutamos, hoje, pelo diminuir das barreiras do preconceito.

Igualdade de género através de iniciativas

Dream Gap Project

Dia 11 de outubro de 2018, dia em que se celebra o Dia Internacional da Rapariga, a Mattel apresentou mundialmente o Dream Gap Project, que tem como objetivo chamar a atenção para os fatores limitadores com que as meninas se deparam enquanto ainda são pequenas, levando-as a não acreditar no seu verdadeiro potencial.

Vejam o vídeo que promete emocionar o mundo nesta luta pela igualdade de direitos e de oportunidades. Aqui irá ver várias meninas que mostram, através dos seus depoimentos, a realidade vista aos seus (pequeninos e, ao mesmo tempo, GRANDES) olhos:

O Dream Gap Project tem como objetivo fechar o Dream Gap, que é a diferença da confiança que se verifica entre meninas e meninos.

Entre os 8 e os 14 anos as raparigas têm menos 30% de confiança em si próprias do que os meninos no mesmo intervalo de idades. Esta é uma altura da sua vida em que sentem que não conseguem atingir os seus sonhos e se sentem diminuídas numa sociedade que ainda privilegia um pouco mais os rapazes.

Para a Mattel, mais importante do que dizer “Tu podes ser o que quiseres!”, é mostrar que houve e continua a haver mulheres que conseguiram alcançar o seu objetivo e distinguirem-se nas suas carreiras, muitas delas associadas a um universo mais masculino.

Construtoras de Futuros

construtores de futuro

No Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, domingo, haverá Engenheiras em Acção no Pavilhão do Conhecimento. A garagem deste centro de ciência e tecnologia estará transformada num mini-hackathon onde equipas formadas maioritariamente por raparigas serão desafiadas a construir e transformar objectos a partir de tralha tecnológica num verdadeiro exercício de engenho e criatividade.

Esta é uma das acções da iniciativa Construtoras de Futuros, promovida pela Ciência Viva que se associa à Ministra de Estado e da Presidência, ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e à Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade para celebrar o contributo das mulheres na ciência e inspirar as gerações mais novas para percursos académicos e profissionais nestas áreas.

Portugal é um dos cinco países europeus com mais mulheres nas áreas da ciência e engenharia – cerca de 50%, contra os 41% da média da União Europeia. Mas como promover uma maior participação das mulheres nas engenharias e nas tecnologias?

A pergunta dará o mote ao debate Mulheres Construtoras de Futuros, em formato de Café de Ciência.

Josefinas – You Can Leave

you can leave josefinas

Os dados são apresentados no site da Josefina, uma das marcas portuguesas com maior expressão no streetstyle internacional, e que se tem posicionado ano após ano na luta pela igualdade de género.

Todos os anos, 1 em cada 3 mulheres vítimas de violência doméstica são assassinadas pelos parceiros, 7 em 10 mulheres são alvo de violência física ou sexual, 1 em 4 mulheres sofre violência física ou sexual durante a gravidez.

Mulheres entre os 15 e 44 anos correm mais risco de violação e violência doméstica do que de cancro, acidentes de viação, guerra ou malária. 603 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é considerada crime.

Por isso, a marca lançou ‘Collections’, a primeira linha de t-shirts da Josefinas, cujas vendas revertem a favor de mulheres vítimas de violência doméstica. Por cada t-shirt vendida, uma mulher é apoiada durante um mês através da APAV.

Cada t-shirt conta a história de uma mulher vítima de violência doméstica, e são um espelho das histórias de milhares de mulheres. Pode ser a história das nossas irmãs, das nossas mães, das nossas filhas, das nossas amigas, das nossas vizinhas. Pode ser a nossa história.

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Entretanto, a estas t-shirts juntaram-se os pares de ténis mais importantes que a Josefina já criou. Cada par desta edição especial contribui diretamente para ajudar 5 mulheres vítimas de violência doméstica, durante um mês, através da APAV.

Se preferirem, podem também contribuir comprando apenas os atacadores.  Por cada 15 pares de cordões vendidos ajudar-se-ão 5 mulheres durante um mês. Cada par de atacadores tem a frase #proudtobeawoman e 5 símbolos com o seguinte significado: Não controlar; Não culpar; Não intimidar; Não envergonhar; Não magoar.

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Conheçam o projeto “You Can Leave“, a prova de que a indústria da moda pode trazer consciência para um problema social e, ao mesmo tempo, ajudar aquelas que, tendo conseguido libertar-se, procuram agora reconstruir a sua vida (e, muitas vezes, a dos filhos).

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