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Educar em casa: Os primeiros passos das finanças pessoais

Educar casa: primeiros passos das financas pessoais

Nem sempre é simples falar de dinheiro com os mais novos. É necessário haver uma adaptação consoante a idade das crianças. Aprenda com o Montepio os primeiros passos das finanças pessoais.

Aprender a lidar com o dinheiro é algo que deve começar na infância para que as crianças se tornem adultos responsáveis. Devido à crise, a educação financeira é agora um dos temas quentes em todo o mundo, sendo vista atualmente como uma ferramenta essencial à participação na construção de uma sociedade moderna.

A importância dos comportamentos e dos conhecimentos financeiros tem sido cada vez mais reconhecida a nível mundial, pois um grau mais elevado de literacia financeira – que é a capacidade de fazer julgamentos informados e tomar decisões tendo em vista a gestão do dinheiro – leva a que os cidadãos organizem com maior responsabilidade os seus orçamentos familiares.

Como educar em casa

Os pais são os primeiros a encarregarem-se do ensino financeiro dos seus filhos. Como devem as crianças ser educadas para gerirem o seu dinheiro? Bárbara Romão, psiquiatra da Infância, refere que é importante que os mais jovens percebam desde cedo o valor do dinheiro, e isto acontece por volta dos 4 anos. É nesta altura que surgem as primeiras perguntas sobre o tema e é fundamental fazê-los entender que este recurso não é ilimitado.

“Depois de entrarem na escola primária começam a fazer perguntas mais concretas: quanto custam as coisas, quanto é que os pais ganham. Devemos responder sempre de forma a que entendam e não fugir aos temas difíceis.

As crianças reagem bem ao que lhes explicam”, diz. Nesta fase, é aconselhável deixá-los fazer algumas compras e serem eles a pagar e a receber o troco.

Talvez o velho mealheiro tenha caído em desuso, mas incentivar a fazer poupança é também uma atitude positiva por parte dos pais, pois as crianças divertem-se a juntar dinheiro.

Quando chegam ao segundo ciclo, por volta dos 10 anos, o caso muda de figura. Começam a ter o cartão da escola, que necessitam de carregar para almoçar, lanchar ou comprar material na papelaria, ou vão ao cinema com os amigos. Aqui convém dar pouco de cada vez, como dois ou três euros, para evitar gastos supérfluos.

“A crise também veio ajudar as crianças a terem consciência das dificuldades dos pais e, em certos casos, os próprios adultos, que não sabiam dizer não”, comenta Bárbara Romão.

Para esta especialista, por volta dos 12 anos já se pode começar a dar uma semanada para aprenderem a gerir o seu dinheiro. De início pequena, mas poderá ser aumentada conforme as necessidades. Começar com uma quantia elevada e ir depois reduzindo conforme os gastos é que é desaconselhado.

Pelos 15, 16 anos, os adolescentes já pedem um pouco mais para saírem com os amigos e uma mesada é a melhor forma de os orientar. Assim, sabem que apenas têm aquele dinheiro disponível para o mês inteiro e se o gastarem todo ao início não terão mais. A responsabilidade de ensinar as crianças a lidarem com o dinheiro é dos pais e deve começar cedo. Não faz sentido esperar que cheguem à escola para serem educadas pelos professores.

Este é um trabalho conjunto de pais, educadores e sociedade em geral para termos, no futuro, adultos financeiramente mais responsáveis.

Os primeiros passos das finanças pessoais

Ricardo Ferreira, economista e Fundador da Escola de Finanças Pessoais, partilha algumas sugestões do que entende ser o mais correto a fazer. Esta é uma das mensagens que deixa aos pais na sua obra “Educação Financeira das Crianças e Adolescentes”.

Dos 3 aos 4 anos

  • Quanto? Comece por dar 1 euro de duas em duas semanas.

  • Explique a importância de poupar e os riscos de gastar o dinheiro de imediato. Recorra a exemplos práticos.

  • Acompanhe o comportamento do seu filho perante o novo desafio.

Dos 7 aos 10 anos

  • O conceito de semanada começa agora a ser levado mais a sério.

  • Conversar com a criança é fundamental de forma a definir, com precisão, quais as despesas que são cobertas pela semanada e que tipo de encargos serão pagos à parte (livros escolares, material escolar, aulas de apoio).

Mesada: A partir dos 10 anos

A mesada começa a ser apropriada para os gastos diários, como lanches, revistas e coleções, carregar o telemóvel e para poupar (deve poupar-se 10% do valor da mesada).

  • Os pais não devem impedir os filhos de gastar o dinheiro, para que estes aprendam por si.

  • Deverão promover-se incentivos à poupança e evitar-se montantes extra.

  • Não se deve confundir resultados escolares com mesada.

  • Se o seu filho pedir um aumento, deverá perceber as razões que motivam o pedido e analisar se o aumento é necessário ou antes resultado de má gestão.

  • É necessário definir as despesas cobertas pela semanada e os restantes encargos pagos à parte.

Nota: Este conteúdo é uma adaptação do artigo publicado na edição de Inverno da Revista Montepio, da autoria de Helena Peralta. Consideramos pertinente e do interesse dos nossos leitores a sua publicação no Ei nesta data. 

 

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