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Livro: “Para de chatear a tua irmã e deixa o teu irmão em paz!”

Para de chatear a tua irma - Magda Gomes Dias

Um guia que promete ajudar os pais a lidarem com as brigas entre irmãos.

“Como criar harmonia familiar e resolver conflitos entre irmãos?” é a pergunta a que Magda Gomes Dias procura responder no seu mais recente livro, “Para de chatear a tua irmã e deixa o teu irmão em paz!”.

De acordo com pesquisas a que a autora teve acesso, os irmãos zangam-se ou “pegam-se” cerca de três vezes por hora e depois, cada um puxa a corda para o seu lado, que é como quem diz que cada um conta a história de uma perspetiva diferente, na qual o culpado é sempre o outro. Como saber quem começou realmente esta briga?

Os conflitos entre irmãos são um dos grandes motivos de stress e cansaço dos pais, para quem o maior objetivo é que os filhos se deem bem e sejam amigos para a vida.

Primeiramente, há que perceber que o conflito é uma coisa normal entre irmãos e os pais devem aceitá-lo (apesar de ser difícil e dar muitas dores de cabeça). Depois, os pais devem identificar as razões que originam essas típicas confusões entre irmãos. Seguidamente, Magda Gomes Dias afirma o papel preponderante dos pais na harmonia familiar e na consequente resolução dos conflitos. Só após dados estes passos é que se pode pensar numa estratégia para que as crianças aprendam a desenvolver relações positivas entre si.

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Em entrevista, Magda Gomes Dias, contou-nos que, apesar de ser muito próxima da irmã no que a idade diz respeito, são muito diferentes. Magda que é a irmã mais velha recorda, entre risos, alguns momentos nos quais exercia um pouquinho de pressão sobre a irmã:

“Lembro-me de ter alguma influência nela, sobretudo quando dizia ‘apetece-me um gelado. Queres ir pedir um?’. Era sempre ela que ia pedir.”

A especialista em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching, declara ouvir muitas vezes os pais dizerem “és a mais velha, tens que ter paciência”, mas afirma ser esta uma frase injusta, uma vez que também ela sentiu na pele quando a irmã mais nova nasceu a atenção toda que perdeu em virtude daquele novo ser. Mas também o bebé ou o mais novo sofre com isso, porque acaba por ser superprotegido.

Devemos fazer comparações entre os filhos?

Para a autora não deve haver comparações entre irmãos, porque, sendo duas crianças, é normal que sejam duas pessoas diferentes – e, por isso, incomparáveis. Além disso, a comparação pode dar-lhes a sensação de serem inferiores, o que não é – de todo – o que se quer. “Se eu quero que os meus filhos não compitam um com o outro, porque é que estou eu a pô-los a competir [mesmo que inconscientemente]?”

O importante é fazê-los sentirem-se amados ao dar-lhes atenção, ao explicar-lhes pormenores, mesmo que à nossa vista possam parecer insignificantes.

“É preciso perceber como é que a criança se sente amada. O modelo que desenvolvemos da Vinculação tem a ver com a proteção, com o facto da criança sentir a sua retaguarda garantida. Aquilo que a criança vai fazer quando se sente protegida é aquilo que todas as crianças – e adultos – precisam de fazer: explorar o mundo e ir à vida deles. A criança precisa de se sentir segura para brincar, explorar a casa e a escola, as amizades, porque ela sabe que volta e é acolhida, sabe que se fizer uma asneira vão ajudá-la e é desculpada. Mas nós precisamos de descobrir de que forma é que cada um dos miúdos sente o amor”, explica.

Um livro sobre o maior Amor do mundo, o que se sente pelos filhos

pai e filhos

É daqui que surge o conceito do mais recente livro de Magda Gomes Dias. “Este livro tem imensas estratégicas, mas não é sobre conflitos. É um livro sobre o amor”, afirma. A fundadora da Escola da Parentalidade explica, no entanto, que é normal não existir um amor igual de filho para filho, até porque cada um tem necessidades de carinho e amor específicas e, portanto, diferentes.

Logo, o importante é amar da forma que a criança precisa ser amada, o que pode passar por mais atenção, mais beijinhos ou simplesmente estar presente para partilhar alguns momentos que para a criança são importantes.

“É muito engraçado descobrirmos este processo de como eles se sentem amados. E descobrimo-lo passando tempo com eles separadamente. É muito bom estar com eles juntos, mas é fundamental estar com um de cada vez. Não só para eles, mas também para nós. Percebemos coisas que nem sempre temos oportunidade de explorar no dia-a-dia. É incrível e importante.”

Um livro de partilha e não de lições

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Contudo, Magda esclarece que nem este ou os outros livros que escreveu servem para ensinar os pais, mas sim para partilhar algo que aconteceu e acontece no dia-a-dia com os seus dois filhos, Gaspar e Carmen, de 5 e 8 anos, respetivamente:

“Tenho os mesmos problemas que os outros pais. A forma como olho para os meus problemas é que é mais natural – ou seja, eu sei que ser pai e mãe não é uma coisa fácil. Nunca tive essa ilusão sequer. Sou muito relaxada em relação a isso e em relação aos conflitos entre os meus filhos. Às vezes penso “já não os posso ouvir”, mas eu sei que faz parte e que a forma como vou reagir tem um impacto enorme”.

Entre perguntas e respostas, Magda descreveu um pouco dos ‘dramas’ da sua vida:

“A minha vida é perfeitamente normal – há dias em que chego ao carro e apetece-me voltar para a cama. Se calhar é por passar por todas estas coisas que sei o quão difícil é. E que sei que é importante estarmos bem e termos estratégias para usarmos. A clarividência não vem à nossa cabeça se nós não estudarmos e não as aplicarmos na prática para saber o que funciona e o que não funciona lá em casa.

Eu aplico tudo. Todas as coisas novas. Se calhar a vantagem que eu tenho é que adoro estudar e tive a possibilidade de estudar sobre isto. Eu sei sobre gritar, porque eu já gritei. E sei o quanto é difícil sair de casa a horas e sei o que é que funciona para sairmos de casa a horas.

Mas também sei o que é que não funciona, porque já o vivi – às vezes adormeci, ou eles não recuperaram do fim-de-semana ainda. Ou porque me chateei no trabalho, ou com o meu marido, ou ando a alimentar-me mal: basta isso”.

É assim que, com casos reais, exercícios práticos e conselhos, Magda Gomes Dias nos mostra que, se educar uma criança é um desafio grande, educar irmãos é-o ainda mais, mas é possível fazê-lo, desde que seja em harmonia, gerindo diferenças, conciliando personalidades e ajudando cada filho a sentir-se único, tendo a noção de que é escutado e amado.

Conhecida pelos pais devido ao seu blogue Mum’s the boss e pelos seus livros “Crianças Felizes” e “Berra-me Baixo”, Magda Gomes Dias é fundadora da Escola da Parentalidade e Educação Positiva. Tem ainda uma certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching.  Sendo formadora nas áreas comunicacionais e comportamentais há 16 anos, tem acompanhado famílias, instituições sociais, escolas e empresas na melhoria das relações familiares. Magda sabe que «a mão que embala o berço é a mão que governa o mundo». Essa é a nossa mão!