Família > Lifestyle > Leituras

Isabel Stilwell: “É preciso trazer humor às relações entre pais e filhos”

Isabel Stilwell

Isabel Stilwell, autora e jornalista, conta à Pumpkin um pouco da sua vida enquanto profissional, mãe e avó.

Isabel Stilwell, jornalista e escritora, define-se, acima de tudo, como mãe e, desde 2010, também como avó. Oito netos depois (número que espera que continue a crescer), garante que são o maior tratamento antirrugas que conhece. No seu mais recente livro, ‘O Frasco das Memórias’, a autora mostra como os netos desafiam a criatividade e a imaginação, e funcionam ainda como uma espécie de suplemento energético para aventuras que nem com os filhos teve!

Foi no âmbito do lançamento do livro, a Pumpkin falou com Isabel Stilwell sobre a sua vida, carreira, os desafios de ser mãe e avó.

Carreira

De onde surgiu a paixão pela arte da comunicação

A autora contou, em entrevista à Pumpkin, que sendo uma de oito irmãos, a sua paixão pela comunicação surgiu do facto dos irmãos serem todos muito reservados.

“Lembro-me que eles eram bastante tímidos e eu fazia os recados todos. Era preciso ligar para o médico para marcar a consulta e eu fazia-o. Sempre gostei imenso de conversar, de contar e de ouvir histórias e, portanto, escolhi um bocadinho o jornalismo por esse motivo – por gostar de estar com as pessoas e gostar de espalhar a informação.”

Pais &Filhos

Começou a carreira no Diário de Notícias aos 21 anos, tendo posteriormente feito parte da redação de uma das mais importantes revistas do segmento familiar – a Pais & Filhos.

“Eu sentia muita necessidade, enquanto mãe já de 3 filhos, de explicar aos pais que eles próprios também fazem birras e que as coisas não têm de acontecer sempre da maneira que querem.”

Além disso, a revista Pais & Filhos servia também para elucidar os pais sobre alguns temas que não eram debatidos em sociedade. Mãe de três e avó de oito, Isabel Stilwell atesta que há – ainda hoje em dia – uma grande necessidade de desdramatizar e que, parte do processo, passa pela importância de “trazer humor às relações entre pais e filhos”.

pais e filhos

Importância de escrever para os pais

A autora de livros de romances históricos, como o D. Filipa de Lencastre, e de histórias infantis, como o As Melhores Histórias Para Contar em Minuto e Meio Histórias Para os Avós Lerem aos Netos, afirma que ajudar os pais – quer seja através dos artigos, de crónicas, de reportagens ou até dos seus livros, é mais eficaz do que quando estes últimos são direcionados para a criança: “Falar com os pais ajuda muito mais do que quando se fala para a criança”.

“No ano passado, fizemos uma reportagem em que levámos alguns meninos ao supermercado para comprarem o que quisessem para a sua ceia de natal. Então, em vez de aquilo que é costume comprar para essa noite, os miúdos compraram gomas, chocolates e coisas desse género. Depois das compras estarem feitas, fizemos uma produção com uma mesa de natal e as refeições dos pequenos que, em vez da sopa tradicional e do bacalhau, tinham sopa de gomas e muitos outros doces.”

Nessa reportagem, segundo a autora, mostrou-se a verdadeira importância de trazer humor às relações entre pais e filhos. “Se quiser fazer filhoses diga que é por si e não pelo seu filho, porque se ele puder escolher, não o vai fazer. Vai fazer o que lhe apetecer”: aconselha Isabel. Portanto, saia da rotina e atreva-se a fazer algo “fora da caixa” com o seu pequeno.

De acordo com a autora d’O Frasco das Memórias, o que distinguia a Pais & Filhos de outras revistas era a equipa editorial, que se manteve praticamente inalterada desde a sua fundação, em 1991, e que era composta por nomes como o de Mário Cordeiro, Manuel Abecassis, e “outras pessoas que pensavam de uma maneira um bocadinho diferente”.

 

“Escrever é mais do que ser jornalista, é ter a necessidade constante de contar histórias e fazer retratos”

escrever

Esta é a frase escrita no seu autorretrato do livro ‘As Faces da Eva’ que caracteriza muito a autora e que é a razão pela qual Isabel começou a explorar o ofício de contar contos, de escrever para um público diferente e de escrever de uma forma distinta.

“O primeiro livro foi uma brincadeira (‘Guia Para Ficar a Saber Ainda Menos Sobre as Mulheres’, no ano de 2001) e que correu muito bem. E depois na fase da adolescência de uma das minhas filhas (Ana Stilwell, de 14 anos), escrevi um livro sobre essa fase (‘49233$00 de Telefone, Diário de uma mãe /Diário de uma filha’)”.

Neste livro, Isabel explorava os dramas de uma adolescente, a sua filha, que justificava a brutal conta do telefone dizendo que tinha estado a salvar a vida amorosa das suas amigas, o que representava quase como um contributo para uma ONG. Como tal, (e segundo a filha) o dinheiro era bem empregue.

Como seria de esperar, dessa GRANDE conta de telefone surgiu uma discussão e daí a ideia de escreverem um livro, cuja ideia principal era escreverem, para cada tema, a sua visão sobre esse mesmo tema ou acontecimento e depois juntarem tudo no final. Um livro, portanto, com o contributo da mãe e da filha, com duas perspectivas diferentes sobre os dramas que lá em casa se passavam durante este período crítico e dramático da adolescência (e não o é só para os ‘teenagers’).

“Foi uma experiência muito divertida e que eu recomendo que os pais dos adolescentes também o façam, ainda que não seja para publicar, porque é uma altura na qual eles já não querem ir connosco para lado nenhum. Já não querem fazer coisas connosco. Já têm os seus próprios programas com os amigos. E este projeto conjunto criou uma relação mais próxima – até hoje (altura em que a Ana tem 30 anos) -, uma plataforma de trabalho e de prazer juntas. Foi um sucesso.”

escrita

Posteriormente ainda escreveu com a mesma filha o livro ‘É meia noite, chove e ela ainda não está em casa’. Um livro sobre uma mãe que trabalhava imenso e ia ser colocada num orfanato para mães, porque os filhos não tinham interesse nenhum, e ela [a mãe] só voltava com o ordenado do 12º mês [subsídio de férias] e 13º mês [subsídio de natal]. Neste livro, Isabel encarnava a mãe e a Ana fazia dos filhos (que tinham os nomes das personagens da Música no Coração).

Livros: projetos em e de família

livros e família

“No meio disto tudo, havia dois filhos com quem eu não estava a fazer nada e que também escreviam e contavam histórias. Daí surgiram ‘As histórias para Contar num Minuto e Meio’, da autoria da Madalena, a mais nova, e do Francisco, o mais velho, e minhas. Este também resultou muito bem, porque a Madalena tinha na altura já 14 anos e adora ciência, física, planetas (sistema solar e espaço) – uma onda diferente-, e o Francisco fazia muito sobre coisas de rapazes – surf e windsurf”.

Foi assim que, com os dois filhos mais novos, juntou num projeto algo que funcionou muito bem: várias perspetivas e histórias diferentes de várias áreas e para um público mais abrangente.

“O Frasco das Memórias”, o mais recente livro de Isabel Stilwell, partiu da interação de Isabel com as suas netas, Carmo e Madalena, filhas da filha Ana Stilwell.

“Foi a primeira vez que lá pus ‘com a participação especial da Carmo e da Madalena’ e que partiu da ideia ‘meninas, vamos fazer, vamos construir e vamos conseguir’. Portanto, acho que descobrimos uma maneira boa de estarmos juntas.”

Se quiser saber mais sobre como a autora e jornalista encarou a mudança de passar de mãe a avó e os seus conselhos, não perca a segunda parte da entrevista.

Se encontrar alguma incorreção contacte-nos por favor.