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Isabel Stilwell fala de ser avó e do seu livro Diário de uma avó-galinha

Isabel Stilwell fala ser avó livro Diário uma avó-galinha

A Pumpkin entrevistou Isabel Stilwell a propósito do seu novo livro “Diário de uma avó-galinha”. Fique a saber mais sobre o livro e a vida da autora! 

Isabel Stilwell é jornalista e escritora. Foi diretora da revista Notícias Magazine e da revista Pais e Filhos e tem um longo percurso na imprensa escrita.

Sempre se confessou apaixonada por romances históricos, mas o livro de que falamos agora é um romance muito especial, uma história contada na primeira pessoa sobre o seu amor pelos netos.

Isabel

“A chegada dos netos apanha-nos de surpresa. Durante nove meses imaginamo-nos preparados, afinal, como podia ser de outra forma se já fomos pais? Pensamos sempre: basta-nos ser «só avós», uma retaguarda serena, com a vantagem de noites bem dormidas, só com as partes boas…

Este livro é um diário que resume cinco anos desta fantástica descoberta que fui fazendo à medida que a Carminho e a Madalena, as minhas primeiras netas, foram crescendo.E talvez assim fosse, se resistíssemos a apaixonar-nos incondicionalmente. Quando damos por nós, já fomos apanhados e só nos resta aprender a nadar nestas águas, que nem sempre são calmas.

É por causa delas que continuam as muitas conversas com filhos, noras e genros, e também com outros avós, até porque entretanto outros netos chegaram. E também é esta descoberta diária que me leva, tantas vezes, a procurar respostas na sabedoria do Eduardo Sá, no programa «Dias do Avesso», conversas que não resisti a incluir neste livro. Decididamente, ser avó é isto mesmo: é mudar para sempre a forma de ver o mundo e embarcar alegremente numa viagem sem retorno.”

Sobre o Livro:

  • O que a motivou a escrever este livro?

Este livro era inevitável: não consigo deixar de escrever sobre aquilo que me toca, aquilo que estou a viver. Por isso desde que soube que a minha filha Ana estava à espera de bebé, comecei a escrever. Depois o dia-a-dia encarregou-se de me dar inspiração!

  • Se pudesse descrever o seu livro numa frase, qual seria?

Não se nasce avó, como comprovam estas páginas. É preciso ir ganhando experiência, muito bom senso, e a capacidade de, sem rancor, engolir alguns sapos. Dito isto, é das melhores coisas na vida.

  • Diga-nos que capítulos que lhe deu mais gozo a escrever e porquê.

A descrição do meu primeiro encontro com as gémeas, prematuras e acabadas de nascer, ainda me provoca taquicardia, foi um momento de viragem, um clique que marca um antes e depois de ser avó. E, assim de repente, gosto da descrição de um passeio num sábado de Inverno, em que nos sentámos as três num muro, e a Carminho constatou que as pessoas que passavam só não iam pensar que éramos trigémias, porque as minhas pernas eram mais compridas e chegavam ao chão!

  • Em resumo, o que podem aprender os leitores com o seu livro?

Não gosto muito da palavra “aprender”, porque parece presumir que tenho alguma coisa para ensinar, e não tenho. O que espero que os leitores encontrem aqui é uma oportunidade de se reverem, de dizerem “ah, afinal isto não acontece só comigo!”.  E que se divirtam, e comovam, de vez em quando.

 

Sobre a vida em família

1.    BRINCADEIRAS PREFERIDAS

Que tipo de brincadeiras os seus netos gostam mais de fazer em casa? Gostam de livros, filmes? Quais são os preferidos?

As gémeas adoram “trabalhos manuais” — fazem convites para festas imaginárias, colagens e desenhos, são muito criativas, acho que porque a escola em que estão (“O Pinhão”) cultiva muito esta liberdade e não as escraviza “às fichas” (que ali não existem”. Adoram filmes.

Temos o Frozen, claro, mas é o “Paddington” que está agora no top (eu adorei o filme!). Estou agora a começar a ler-lhes o Leão, a Bruxa e o Armário, do C.S. Lewis – adoro o livro, e esperei ansiosamente por este momento!

Isabel

2.    PROGRAMAS EM FAMÍLIA

Que tipo de actividades e lugares gostam mais para fazerem programas em família?

Gosto imenso de fazer com elas aventuras com um propósito definido: o último foi pelos campos do Alentejo, com a missão de encontrar “coisas” para o Presépio. Vale tudo, desde pedras e paus, a bolotas, uma casca de caracol, a pena de um pássaro.

3.    DICAS

Isabel Que dicas têm para famílias felizes?

Manter o sentido de humor em todas as situações (está bem, tanto quanto possível), construir rituais próprios (tomar o pequeno-almoço com a avó na cama é obrigatório, como é dançar antes do banho!), ler livros em conjunto.

E aceitar que nem todos os dias somos felizes, e que às vezes por melhores que sejam as nossas intenções, os dias não correm como previsto. Quanto à culpa, as famílias felizes, acho eu, têm formas de a reciclar, mas nem sempre é fácil.