Verão em casa com os miúdos: 60 dias de férias, uma casa, e a sanidade dos pais - Pumpkin.pt

Verão em casa com os miúdos: 60 dias de férias, uma casa, e a sanidade dos pais

Fixo - verão

As férias de verão são fantásticas, mas também são os 60 dias mais longos das nossas vidas!

No último dia de aulas, vocês fizeram aquela respiração funda. Deixaram de ouvir o despertador a tocar às 6h45. A vossa abobrinha saltou até casa com a mochila ao ombro e um desenho de despedida da professora.

E vocês pensaram: “agora vai ser bom”.

Vai ser, em parte. As férias grandes em Portugal são uma das coisas mais bonitas da infância – sol, primos, praia, dormir até tarde, gelados a meio da tarde, banhos à hora do jantar. As fotografias do verão são as fotografias que ninguém esquece.

Mas há também a outra parte das férias grandes. A parte de que ninguém fala muito, mas que todos os pais conhecem.

O entusiasmo dura aproximadamente nove dias

A primeira semana é toda alegria. As férias parecem infinitas. A vossa abobrinha está descansada, vocês estão a tirar uns dias, há muito que fazer. Os miúdos não pediram o tablet uma vez. A casa está em modo “não importa, é verão”.

Começa a haver mudanças subtis a partir do dia dez. Os miúdos começam a estar entediados a meio da manhã. As gargalhadas dão lugar a “estou farta”. O “tenho fome” passa a ser pronunciado de duas em duas horas, independentemente do que se acabou de comer.

E vocês olham para o calendário e fazem aquela conta cruel: faltam cinquenta dias.

Cinquenta dias com a casa em modo permanente. Cinquenta dias de tentar entreter, alimentar, vigiar e ainda assim cumprir prazos de trabalho. Cinquenta dias em que cada divisão da casa serve como cozinha, sala, quarto de brincar, refeitório e palco de pequenas zangas familiares.

Não há nada de errado convosco. Há tudo de errado com o calendário escolar.

A casa passa a estar habitada 24h por dia

Esta é a mudança maior em relação ao resto do ano. De setembro a junho, a casa fica vazia das 9h às 17h. Há tempo para arejar, para arrumar, para a poeira assentar antes de a família voltar.

Em julho e agosto, a casa nunca para. Há sempre alguém em casa. Há sempre uma cozinha em uso. Há sempre um chão a ser pisado, com pés descalços que vieram do jardim, da praia, do parque ou do quintal do vizinho.

A casa, no fim de uma semana de verão, parece duas semanas no inverno. As migalhas multiplicam-se. A areia aparece em sítios improváveis. As toalhas húmidas passam horas em cima de cadeiras antes de chegarem ao estendal. O lixo da cozinha enche a um ritmo que vocês já não reconhecem.

Para muitas famílias, esta é a altura em que se decide reservar uma empresa de limpeza de casas particulares do FIXO para vir uma vez por semana – só durante os dois meses de verão. Não é por exigência estética. É por sobrevivência. Uma casa que volta ao zero todas as semanas dá aos pais uma sensação de algum controlo dentro do caos de gerir miúdos a tempo inteiro.

As toalhas de praia e a máquina que nunca para

Há um outro desafio do verão que merece um capítulo próprio: a roupa.

Toalhas de praia húmidas. Fatos de banho que ainda não secaram do dia anterior. T-shirts cheias de gelado. Calções com areia. Sapatilhas de água que ficaram esquecidas no carro durante doze horas e agora cheiram a fim do mundo.

Vocês fazem uma máquina por dia. Às vezes duas. E ainda assim a roupa lavada não chega para o ritmo da família.

A máquina de lavar do verão tem uma vida diferente da máquina de lavar do resto do ano. Trabalha mais, com menos descanso, com peças mais pesadas – toalhas grandes, edredons leves para as noites quentes, lençóis trocados com mais frequência porque está calor e os miúdos suam.

Famílias que fazem férias prolongadas em casa decidem, muitas vezes, contratar um serviço de lavandaria ao domicílio para os meses de verão. As toalhas de praia, em particular, ocupam imenso espaço na máquina de casa, demoram horas a secar e depois ainda precisam de ser dobradas. Externalizar isto liberta a vossa máquina para a roupa diária e poupa-vos uma hora útil por dia. Em dois meses, é uma quantidade absurda de tempo que volta para vocês.

A casa de banho em modo verão

A casa de banho de uma família, em julho, é uma fronteira que se desgasta sob pressão.

As duches multiplicam-se. Cada miúdo entra na casa de banho duas a três vezes por dia: depois da praia, antes do jantar, antes de dormir. Há também os duches “para tirar a areia rapidamente”, que costumam ser os mais sujos.

A areia entra pelo ralo do duche e fica lá. As sanitas, com toda a gente em casa o dia inteiro, são usadas o dobro. O lavatório tem sempre alguma coisa entornada. As torneiras estão constantemente abertas.

E é em meados de agosto que muitas famílias começam a notar pequenos problemas: o duche que demora a escoar, a sanita que faz um barulho estranho ao puxar o autoclismo, a torneira que pinga depois de um mês de uso intensivo.

Vale a pena ter um serviço de canalizador à mão para resolver estes pequenos problemas antes de se tornarem grandes. Um ralo entupido com areia e cabelo, em pleno agosto, com os miúdos a precisar de tomar duche depois da praia, é o tipo de imprevisto que estraga uma noite inteira. Resolver no mesmo dia é o que faz a diferença entre férias relaxadas e férias com banhos no balde da cozinha.

Estratégias para sobreviver aos 60 dias

  • Fragmentem o tempo: Sessenta dias é muito tempo. Em pequenos pedaços, é gerível. Tentem dividir o verão em blocos: a primeira semana é em casa a desligar, a segunda é com os primos, a terceira é uma fuga curta, a quarta é em casa outra vez. Os miúdos lidam melhor com a ideia de “vamos fazer X esta semana” do que com a ideia abstrata de “estamos de férias”.
  • Aceitem que o tablet não é o inimigo: Em modo de verão, há horas mortas. Há dias de chuva. Há tardes em que vocês precisam mesmo de fazer alguma coisa em paz. Uma hora de tablet à hora do almoço não estraga ninguém. Estraga, sim, a vossa sanidade tentar entreter os miúdos das 9h às 21h sozinhos.
  • Inscrevam-nos em qualquer coisa: Uma manhã de campo de férias por semana, uma aula de natação, uma colónia de cinco dias com almoço incluído. Não é abdicar de tempo de família – é ter energia para o resto do tempo de família.
  • Liguem aos avós sem culpa: Os avós portugueses, na sua maior parte, gostam de ter os netos uma tarde por semana. É bom para todos. Aceitem.
  • Não cozinhem todos os dias: Há pizza, há comida congelada decente, há restaurantes com menu infantil, há gelado para o jantar de vez em quando. Em agosto, vale tudo.

Uma última coisa

Em meados de setembro, vocês vão olhar para trás e vão sentir uma mistura de alívio e melancolia. Os miúdos voltam à escola, a casa esvazia-se durante o dia, vocês recuperam aquela hora silenciosa do pequeno-almoço.

Mas vão ter saudades. Das gargalhadas espontâneas a meio da tarde. Dos jantares na varanda às 21h30, quando ainda há luz. Da vossa abobrinha a aparecer no quarto, descalça, a pedir um copo de água a meio da noite porque está calor.

O verão em casa com os miúdos é exigente. Mas é também uma das fases mais bonitas da família. Em poucos anos, eles vão querer ir só com os amigos, vão preferir as colónias aos pais, vão ter horários próprios. Esta fase em que vocês são literalmente o centro do verão deles tem um prazo de validade.

Façam o que conseguem para sobreviver bem aos sessenta dias. Peçam reforços onde fizer sentido. Aproveitem o resto.

Famílias felizes não fazem verões perfeitos. Fazem verões em que os pais não esgotam até ao fim porque é isso que permite que os miúdos se lembrem dos verões em casa como o melhor dos verões.

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