Dia da Mulher: a história, os dados por detrás da data e como participar na luta - Pumpkin.pt

Dia da Mulher: a história, os dados por detrás da data e como participar na luta

Dia da Mulher: a história, os dados por detrás da data e como participar na luta

A origem do Dia da Mulher remete à luta de todas as mulheres por uma vida mais justa e segura. Saibam como explicá-la às crianças e como contribuir para uma mudança do paradigma.

Dia Internacional da Mulher é celebrado anualmente no dia 8 de março e relembra as lutas sociais, políticas e económicas das mulheres. A igualdade de género é a ideologia que exige, numa sociedade, que homens e mulheres gozem das mesmas oportunidades, rendimentos, direitos e obrigações em todas as áreas, da educação à saúde, na carreira profissional e nas esferas de influência.

Parece óbvio, mas infelizmente ainda não o é – não no nosso país, de forma plena e verdadeira, e menos ainda em tantos recantos deste mundo onde coabitamos com a injustiça da desigualdade e da violência contra a mulher, legitimada por ideologias religiosas, políticas e por convenções sociais.

A mulher foi vista, durante séculos, como inferior ao homem, a ele subserviente, um ser incapaz. E ainda que muitos direitos tenham sido conquistados entretanto – por exemplo, o direito ao estudo, ao voto, ao divórcio, à propriedade, à entrada no mercado laboral ou à liberdade de vestir calças (!) – muitos outros desequilíbrios subsistem ainda.

Estas desigualdades são visíveis na sociedade e, por consequência ou como ponto de origem, nas mentalidades às vezes inconscientes que reproduzimos de geração em geração. Como pais, é nossa responsabilidade contribuir para a mudança.

A História do Dia da Mulher

A origem do Dia da Mulher remonta a 1909, quando, em Nova York, o Partido Socialista da América organizou uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e a favor do voto feminino.

Durante as Conferências de Mulheres da Internacional Socialista, no ano seguinte em Copenhaga, foi sugerido por Clara Zetkin que o Dia da Mulher passasse a ser celebrado todos os anos. No entanto, não foi definida uma data específica.

A partir de 1913, as mulheres russas passaram a celebrar a data com manifestações realizadas no último domingo de fevereiro. A 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário gregoriano), ainda na Rússia Imperial, foi organizada uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país. Foi esta manifestação que precipitou a Revolução de 1917.

Nos anos seguintes, o Dia da Mulher passou a ser comemorado nessa data, pelo movimento socialista, na Rússia e noutros países do bloco soviético, até que em 1975 as Nações Unidas instituíram o Dia Internacional da Mulher a 8 de março.

A data é assinalada em mais de 100 países, mas, infelizmente, ainda é ignorada em muitos outros.

Dia da Mulher: dados atuais sobre a violência física e psicológica contra a Mulher

A 14 de fevereiro de 2024 foram apresentados os resultados do Estudo Nacional sobre Violência no Namoro 2023, da responsabilidade da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Os dados divulgados demonstram que 67,5% dos jovens (estudantes do 7º ao 12º anos de escolaridade) legitima a violência no namoro, concordando com, pelo menos, um dos seguintes comportamentos de risco: controlo, violência psicológica, violência sexual, perseguição, violência através das redes sociais e violência física.

O género masculino apresenta maiores níveis de legitimação para todas as formas de violência no
namoro quando comparado ao género feminino. A violência psicológica, refletida em comportamentos como
“insultar durante uma discussão/zanga”, é vista como aceitável por um total de 21,7% das raparigas e 41,3%, dos
rapazes.

No mesmo sentido, existe também uma elevada diferença na legitimação da violência sexual. Do total de
raparigas, 21,4% legitimam atitudes como a de “pressionar para beijar à frente das/os amigas/os’’. Já a percentagem de rapazes que não reconhece este comportamento como violento ascende a 40,9%

Destaque também para o comportamento “pressionar para ter relações sexuais”, para o qual a legitimação entre os rapazes (16%) é quatro vezes superior à das raparigas (4%).

É evidente que os jovens de hoje são os adultos de um futuro próximo. Por isso, e por ecoarem nos registos de violência de género atuais, estes dados tornam-se ainda mais assustadores.

Em 2023, em Portugal, 22 pessoas foram assassinadas em contexto de violência doméstica, das quais 17 eram mulheres, três homens e duas meninas. De acordo com o relatório da Procuradoria Geral da República, “os agressores foram maioritariamente homens (73%) de nacionalidade portuguesa (91%) com a idade média de 50 anos, enquanto as vítimas eram na maioria do sexo feminino, também de nacionalidade portuguesa e com uma idade média de 54 anos”.

Por outro lado, e porque a violência se mede de muitas formas, estatísticas divulgadas em março de 2022 pelo Eurobarómetro mostram que quase um terço das mulheres abdicou de trabalho pago por causa da carga doméstica durante a pandemia.

O mesmo órgão diz-nos que 90% das mulheres em Portugal acredita que a violência de género aumentou e que as portuguesas são as mais preocupadas da UE com a disparidade salarial entre mulheres e homens.

Uma violência brutal que vê nas mulheres objetos inferiores e despojáveis.

Também no resto do mundo a desigualdade de oportunidades, acesso, salários e representatividade é uma realidade inquestionável. Há mais pobreza feminina, mais barreiras na educação para as mulheres, mais desemprego feminino, e mais pressão social sobre as meninas, desde sempre, para corresponder a determinados padrões ou imagens irreais.

As mulheres estão também mais sobrecarregadas, conciliam trabalho fora com trabalho em casa, e manifestam maiores níveis de ansiedade e de depressão pela intensidade da vida quotidiana.

Qual é, então, o significado e importância do Dia da Mulher?

Olhando para as estatísticas acima, é fácil perceber por que se comemora o Dia da Mulher, embora esta data não deva claramente ser vista como uma comemoração, mas antes uma reinvindicação; uma lembrança da luta que diariamente se trava ainda pelo futuro imediato e a longo prazo de todas as pessoas de sexo feminino.

O maior propósito do Dia Internacional da Mulher é precisamente esse: o de, perante toda a sociedade, reforçar a necessidade de se olhar com preocupação para as questões sociais, políticas, económicas, sexuais e culturais enfrentadas pelas mulheres em todo o mundo, numa busca conjunta de soluções que promovam a desejada e benéfica equidade.

Ao mesmo tempo, é importante semear em todas as mulheres, nesta data e diariamente, a noção de que as necessidades globais são ainda comuns, mas que existem “irmãs” que, por pertencerem igualmente a outras minorias discriminadas – pela raça, pela orientação sexual e/ou pela religião – têm lutas ainda mais prementes, e às quais a nossa voz se deve unir.

Por outro lado, enquanto educadores, fomentar nas crianças, meninas e meninos, a importância de respeitar e lutar pela igualdade de género é importante. Fundamental. Um dos nossos trabalhos mais importantes.

Esta consciência consegue-se apenas através do exemplo e da formação de novos valores. Acreditamos genuinamente que é nas futuras gerações que reside o segredo para contrariar o paradigma.

Como tantas mulheres, antes de nós, lutaram pelo que hoje consideramos direitos básicos, compete agora a todos nós continuar a sua luta – para que, um dia, não mais se sintam necessárias quaisquer reinvindicações.

Esta luta passa também por educar as nossas filhas para a possibilidade de serem o que quiserem e irem mais longe nos seus sonhos; principalmente os tidos como próprios de um universo exclusivamente masculino.

Passa por educar os nossos filhos para o respeito e amor.

Passa por estarmos atentos e disponíveis para ajudar quem precisa – entre marido e mulher coloca-se, sim, a colher; e, se necessário, o faqueiro completo.

Passa por lutarmos contra as injustiças e desigualdades com palavras e atos concretos.

Passa por reconhecer os comportamentos e diálogos machistas que inconscientemente reproduzimos, e fazer um esforço por corrigi-los.

Comecemos já. Por exemplo com estes livros para meninas, mas também para meninos, que reforçam a ideia de que uma menina, futura mulher, pode ser o que quiser, quando quiser, que depende apenas de si e que em nada fica a dever aos homens. Ou com as nossas sugestões de filmes com personagens femininas fortes e inspiradoras.

Iniciativas para participar na luta feminista

Considerem levar convosco as abobrinhas a uma manifestação, marcha ou iniciativa de teor feminista. Afinal, de pequenino é que se torce o pepino, que é como quem diz, se promove a consciência, a importância de lutar e a vontade de fazer diferente – e a diferença.

Marcha Internacional – Rede 8 de Março

A Rede 8 de Março convida Portugal a juntar as suas vozes à de todas as mulheres que, dia 8 de março, se unem à greve feminista internacional. Além das várias cidades já confirmadas, outras poderão ainda juntar-se ao movimento:

“No ano em que se celebram os 50 anos do 25 de abril, reforçamos o compromisso de que não daremos nem um passo atrás! Saímos à rua, sem medo, por todas as companheiras de luta, pelas que já cá não estão e pelas que hão-de vir! Saímos à rua pela liberdade de todas.”

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2 comentários em “Dia da Mulher: a história, os dados por detrás da data e como participar na luta

  1. Carla Março 14, 2023

    Quero lhe dar os parabéns pelos conteúdos que posta nesta rede social. São temas pertinentes do quotidiano das pessoas, das suas revindicações , são importantes decisões sociais politicas nos nossos direitos na sociedade democrática. Sendo assim as pessoas têm deveres e direitos “cidadão é, aquele que está capacitado a participar da vida da cidade e, extensivamente ,da vida da sociedade “Obrigada!

    1. Mariana Março 20, 2023

      Muito obrigada Carla!

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