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Natal em 3 continentes – experiências de Andrea Portugal Deveza

Natal 3 continentes - experiências Andrea Portugal Deveza

Pedimos à Andrea que nos contasse como é o seu Natal, que experiências tem, tendo vivido em vários continentes e fazendo parte de uma família multicultural.

Deixamos as suas palavras:

“o natal… há lá tema mais importante no ano? não, não penso. é que o natal transforma tudo e todos, seja onde for. tive oportunidade de ao longo destes anos, de festejar alguns natais diferentes e com tradições tão diversas, mas todas iguais não fosse o natal, uma festa mundial!

se me pedirem o preferido, voto no português, não há mesas tão cheias de doces bons como as nossas, não há, o frio é ameno (o lisboeta) e não precisamos estar enfiados dentro da lareira.

na minha casa a tradição sempre foi abrir os presentes à meia-noite e aguentar até termos distribuído tudo pelos presentes e abrir cada presente como se fosse o único. um jantar que demorava horas e álbuns e vídeos de família espalhados e à mão de semear para recordar outros natais. como únicas netas fomos muito mimadas e mesmo com anos mais difíceis foi sempre possível festejá-lo em família.

porque mesmo não pensando muito no assunto é disto que gostamos.

podem haver birras, zangas, discussões porque alguém se esqueceu até ao último segundo de ir comprar os sonhos, ou rabanadas, mas no fundo quando chega a hora de tocar o sino, somos todos miúdos e é tão bom.

eu tenho por hábito usar saltos altos desde que posso no natal, quero estar elegante, quero estar no meu melhor, mas quando chega a hora de distribuir é ver-nos lutar pelo lugar de “criança” e ajoelhar-me aos pés da árvore para ver quem recebeu o quê.

quando vivemos nas américas, o natal era ligeiramente diferente, não há criança nenhuma que abra prendas na véspera e casa que não tenha familiares vindos de outras paragens amontoados pela casa, há uma grande tradição de acolher a família num único espaço para que a manhã seja em família, claro está que nenhuma criança dorme nem bem, nem até tarde e acorda meio mundo com a excitação do natal. a grande diferença entre a minha pequena família emigrada e a california toda não era só o abrirmos as prendas na véspera e dormirmos com os brinquedos novos em cima, era também porque comíamos bacalhau em vez de peru.

foram os primeiros natais passados com calor, sem chuva e com tshirt! foram os primeiros natais sem a família alargada mas com pinheiros verdadeiros!

quando os meus filhos nasceram, decidimos dividir os natais deles entre os países dos pais, entre lisboa e milão, e o primeiro em milão deles foi também o meu primeiro.

é certo que meu marido ia contando como festejavam, mas vivê-lo é diferente.

o objectivo é o mesmo mas na realidade, nas casas cada família vive o seu natal. em itália não fazemos nada no dia 24, mas o dia 25 é vivido desde a madrugada até noite tarde.

é um frio que não se pode, mas um calor humano que só visto. a lareira é maior que algum de nós e sabe tão bem comer pandoro ou panetone ao sabor de uma grappa aquecida nas mãos. 

no meio disto tudo já passámos dois natais na nossa vida a 4 em moçambique, e esse sim, foi o mais diferente de todos, aquele que ficará na memória como o natal menos natalício típico das nossas vidas, não só em tshirt e chinelos, como na praia e a banhos no oceano mais bonito que eu alguma vez vi. na ponta do ouro os natais sabem a casa, mas são tão africanos, de cor morena e cheiro a creme nivea. são bons pelo relaxe que nos trazem, a falta de pressa, os sorrisos e corpos atrevidos.

pode-se dizer que já passei natais em três continentes diferentes e é talvez das coisas que mais guardo com ternura, é o que me faz dizer que há tradições que ficam para sempre, seja onde, como e com quem for. desde que haja sonhos na mesa, o natal é nosso.

BOM NATAL A TODOS!”

Andrea