Família > Crescer > Pais em crescimento

Eu, mãe, confesso. Confissões de uma Mãe que muitas mães vão entender.

Eu, mãe, confesso. Confissões uma Mãe muitas mães vão entender.

A propósito do Dia da Mãe, partilhamos as Confissões de uma Mãe, de um dos nossos blogues preferidos – o Café, Canela e Chocolate da mãe e médica obstetra Sofia Serrano. Ela tem imenso jeito para pôr por escrito e com muita graça aquilo que também nos vai na alma. 

“Eu, mãe, confesso

 

Apesar de os meus filhos serem a melhor coisa do mundo, nem sempre sou a mãe perfeita e fico muito longe da ideal.

Por isso, eu, mãe, confesso:

– foi difícil encontrar o momento ideal para decidir ter filhos. Acabou por ser uma coisa instintiva. E às vezes tenho saudades da liberdade que tínhamos antes de vocês nascerem (mas já não consigo imaginar a minha vida sem os dois);

– houve momentos em que não gostei de estar grávida – porque os pés inchavam, porque me sentia desconfortável naquele meu corpo, porque tinha saudades de vestir as minhas calças de ganga e dormir de barriga para baixo;

– nunca gostei do momento do parto, porque sei demais – penso sempre em mil coisas que podem acontecer, e vocês são o que há de mais precioso no mundo para mim ( e prefiro mil vezes estar do lado do obstetra do que ser a grávida)

– aquele instinto maternal imediato, de que tanto falam, não apareceu, por magia, assim que nasceram – foi uma coisa que se foi construindo devagarinho e de forma sólida, e agora é indestrutível;

– aquela altura do pós-parto imediato é difícil, MUITO difícil – temos o corpo diferente sem termos a magia da gravidez, dormimos pouco e passamos o tempo a pensar em mamas e cocó (e os maridos ainda acham que passamos o dia em casa sem fazer nada e que a licença de maternidade equivale a férias)

– as noites sem dormir são difíceis, principalmente quando estão doentes. E não é fácil faltar ao trabalho para ter de ficar a tomar conta de vocês (porque já se sabe que ninguém compreende as faltas das mães) e ao mesmo tempo é muito fácil, porque vocês são e sempre serão a minha prioridade;

– nem sempre tenho paciência para birras e chego cansada do trabalho sem paciência para disputas entre irmãos. E sinto que às vezes não vos dou a atenção que merecem. Mas esforço-me por ser melhor todos os dias e espero que sejam felizes.

– apesar de todas as coisas difíceis da maternidade, nunca me arrependi nem um segundo de ser vossa mãe, de ter prolongado o internato da especialidade por vocês, de faltar quando estão doentes ou de vos levar ao ballet ou ao parque ao invés de estar a trabalhar em mil e um consultórios.

Adoro (AMO!) estar presente em todos os momentos importantes da vossa vida e posso dizer com orgulho que não perdi o primeiro gatinhar, os primeiros passos, o primeiro sorriso, a primeira palavra ou as festas da escola.

Eu, mãe, confesso: esta coisa da maternidade é difícil e dá trabalho, mas é muito recompensadora. E não há nada no mundo como vocês.