É tempo de reinventar o amor - Pumpkin.pt

É tempo de reinventar o amor

reinventar o amor

Um texto sentido de Inês Faustino sobre as novas formas de dar e de receber amor que as famílias estão a descobrir neste contexto excecional de isolamento e de presença constante.

Nestes tempos de confinamento chegam-nos, através dos ecrãs e das redes sociais, histórias de quem (se) descobriu novas formas de relação e de presença.

Poemas escritos a quatro mãos nas janelas de um qualquer apartamento, vizinhos que se oferecem para apoiar os mais idosos nas suas compras diárias, avós que se iniciam nas novas tecnologias na tentativa de colmatar as saudades da voz e do rosto dos filhos e netos.

A vida mudou, a realidade mudou, e nós seguimos caminho abrindo brechas nas possibilidades de liberdade que nos tem sido permitida, encontrando novas formas, antes talvez inimagináveis, de dar suporte à solidão e ao isolamento, à saudade, à nossa sede de abraços e beijos.

É tempo de reinventar a forma de dar e receber afetos. É tempo de aprender a beijar e abraçar com palavras. É tempo de abrir espaço para ouvir, elogiar e agradecer. É tempo de dizer “estou aqui”.

No silêncio da distância, acolho com carinho (e fascinação!) as histórias das famílias que acompanho. Após um tempo inicial, mais ou menos prolongado, de adaptação a esta nova realidade de quem surpreendentemente vê a vida virada do avesso, de ajuste de rotinas familiares, de aprender a lidar com o medo e a insegurança do que o futuro nos trará, abriu-se espaço para a descoberta de novas formas de relação entre mães/pais e filhos. Novas formas de presença e de interação. Novas formas de amar.

Na presença constante, com todos os seus inquestionáveis desafios, aprende-se a observar e a escutar, a surpreender-se com a filha que “está a ficar uma bela senhorita” ou a descobrir-se como a sua melhor amiga, aquela que agora é a única que está sempre presente para brincar, para escutar os seus segredos (e também para acolher as suas frustrações).

Na presença constante, as famílias reinventam-se! Abrem-se à criatividade, nessa necessidade permanente de inventar novas brincadeiras que estimulem o interesse dos mais pequeninos, que os ocupem e os afastem das preocupações dos “grandes”.

Na presença constante, a família une-se, fortalece laços, envolvendo-se em conjunto na preparação de uma surpresa especial para a pequenina aniversariante, que este ano não terá os seus amigos presentes na sua grande festa, para no fim escutar, de coração derretido, “foi a melhor festa de sempre!”.

Na presença constante, o desespero, a extrema necessidade de um momento só nosso sem “mãe!”, a ânsia de que as escolas reabram… são uma realidade sim! Mas todas as descobertas e conquistas, todas as aprendizagens em família, toda a nossa capacidade de reinvenção, essas ficarão para sempre gravadas no livro das nossas vidas.

Porque agora que, de mansinho, as portas da liberdade novamente se abrem, pouco poderemos saber ou prever do que nos espera, mas de uma coisa estaremos certos. Nada será como antes…

Inês Faustino é Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno e organiza atividades para bebés e crianças (dança, histórias e canções) .

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