Crianças e Redes Sociais: partilhar ou não partilhar, eis a questão - Pumpkin.pt

Crianças e Redes Sociais: partilhar ou não partilhar, eis a questão

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A opinião de quem partilha fotos do filho na Internet e o porquê.

O último post “contra-corrente” que a Susana do blog A Espuma dos Dias escreveu e partilhou num grupo de pais no Facebook provocou insultos e reacções desagradáveis. Portanto e querendo salvaguardar que estas são as suas opiniões é o que ela acha e faz; e que não é necessário concordar mas sim sermos sempre corteses. Comentários com outras opiniões são sempre bem-vindos!


Quando comecei a escrever o meu blog, o Simão ainda nem sequer estava a ponderar entrar em cena. Mas quase todos os blogs que seguia eram de pessoas com filhos e esses filhos apareciam nas publicações, em nome, foto e história. Durante muito tempo não tive conta no Facebook e mesmo agora que tenho, é com regras especiais que implicam, entre outras coisas, não ter “amigos”. Portanto, a grande celeuma da exposição de crianças nas redes sociais passou-me completamente ao lado durante imenso tempo como sendo uma não-questão.

Depois comecei a ler uns blogs em que as crianças apareciam de cara cortada ou tapada e apenas pela inicial do nome. Eu não sou parva e percebi imediatamente que o objectivo era não partilhar detalhes da criança na internet. E isso fez-me pensar. E pesquisar. E ler várias opiniões sobre o assunto, especialmente do lado do contra para contra-balançar os anos que passei a ler blogs onde as crianças apareciam frequentemente. Principalmente porque engravidei e queria ter as minhas ideias bem definidas antes de sequer ter a hipótese de clicar “partilhar” numa foto da cria.

Parece-me então que as preocupações são, essencialmente, duas:

  1. Pedófilos (ou seja quem for que vá usar fotos nossas para seu proveito);
  2. O direito à imagem e privacidade.

E levo ambos muito a sério. No entanto, para nós, partilhar algumas coisas continua a ser a norma.

Primeiro, os pedófilos. Escusado será dizer que todas as mães/pais querem impedir qualquer criatura nojenta de usar as imagens dos nossos filhos. No entanto, eu abster-me de partilhar uma foto do Simão a comer um gelado na praia não vai impedir alguém com más intenções de tirar fotos ao meu filho na praia. Com um telemóvel actual, isso faz-se facilmente. E eu recuso-me a viver nesse tipo de pânico e policiamento pessoal, da mesma maneira que é hediondo acusar vítimas de abuso sexual de estarem vestidas de forma indecente ou mulheres vítimas de violência doméstica de merecerem porque ficam casadas com tipos violentos. O criminoso é o outro, não eu.

A melhor maneira de protegermos os nosso filhos é, não só estarmos atentos ao adultos com que têm contacto, mas sobretudo garantir que eles sabem que ninguém pode tocar-lhes sem eles quererem e que devem sempre contar aos pais se alguém tentar alguma coisa que os deixe desconfortáveis, sobretudo se essa pessoa disser que “é um segredo entre eles”.

Isso e uma questão de bom senso. A maioria dos abusos sexuais a crianças são cometidos por familiares ou conhecidos da criança do sexo masculino (seja porque já conhecem ou fazem-se por conhecer), não através de foto tiradas nos baloiços do parque.  Vamos impedir os nossos filhos de estarem com tios, primos e avôs na eventualidade de um deles ser um pedófilo muito bem escondido?

Segundo, o direito de imagem. O que leio relativamente a esta questão é que os pais não são donos da imagem dos filhos e que as crianças não têm idade para consentir serem expostas ao mundo. E sinceramente não sei bem o que responder a isto. Os pais não são “donos” de nada, claro, mas são quem decide o que é feito com a imagem dos filhos, obviamente. Não sou eu quem decide tudo o que resto? Não sou eu quem decide que nome ele tem, que roupa veste, como e quando sai à rua, em que escola está, o que come, o que lê, tudo? Sou eu quem decide quais as regras que ele tem de seguir, quais os castigos, como vivemos a nossa vida familiar. Portanto, sim, sou eu quem decide se há fotos dele no meu Instagram ou não.

Dois pontos importantes: claro que se chegarmos a uma idade em que ele compreende e não quer partilhar fotos, está no seu direito. Mas o mais provável é chegar a uma idade em que quer ter a sua própria conta de Instagram. E eu sigo a mesma regra com ele que sigo comigo, ou seja, não partilho fotos dele que não partilharia de mim, tipo nú, no bacio, nos seus momentos maus, etc.  Se ninguém aceitasse que os seus filhos participassem em actividades que os expõem ao mundo, podíamos dizer adeus a 90% dos filmes e séries, a anúncios (esse não me deixavam saudades…), catálogos de roupa infantil, de brinquedos, etc. As crianças fazem parte do mundo.

Eu gosto de partilhar fotos e histórias do meu filho, gosto do sentimento de comunidade que tenho com algumas pessoas no Instagram que ocasionalmente enviam mensagens em resposta a publicações acerca do Simão, gosto da facilidade com que todos os familiares podem seguir o crescimento dele e gosto de partilhar o quão normal/bonito/saudável/feliz uma criança vegana pode ser.

Sou extremamente cuidadosa ao partilhar fotos onde aparecem também outras pessoas, seja qual for a idade; a não ser que haja consentimento expresso dos adultos na situação, não partilho, ou partilho com caras cortadas. A mesma cortesia que espero que tenham comigo, sejam fotos minhas ou do meu filho.

Como em tudo, advogo o uso de bom senso. Programas como a Supernanny são uma ofensa à integridade de todos os envolvidos, não apenas das crianças; actores infantis trabalhando com dignidade e de forma adequada à idade possibilitam histórias fantásticas no grande ecrã.

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