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Brinquedos: para o menino e para a menina?!?

brinquedos sem género

Será que os meninos só gostam de brincar com bolas e carrinhos e as meninas com bonecas e mini serviços de cozinha? De onde vem esta nossa ideia?

Embora existam alguns estudos que apontem para uma preferência de origem genética, associada ao género, por determinado tipo de brinquedos, Inês Marques, Psicológica Clínica e Coordenadora da Equipa Infanto-juvenil da Oficina de Psicologia, não crê que existam brinquedos dirigidos especificamente a rapazes ou raparigas.

Devem existir, e é benéfico que as crianças tenham acesso, a brinquedos que lhes permitam explorar, livremente, em resposta a uma curiosidade inata do ser humano. Brinquedos “específicos” para rapazes ou raparigas são uma resposta a estereótipos ou construções sociais. São uma “escolha” cultural, mais do que inata.

A necessidade, e o direito, que existe é o brincar, variando-se os brinquedos e as brincadeiras, sem pressões sociais. Sendo os brinquedos e brincadeiras formas privilegiadas de ensaiar comportamentos, como poderia um rapaz desempenhar o seu papel de pai, se nunca tivesse dado de comer ou mudado a fralda a um boneco? Como poderia uma rapariga tornar-se arquiteta ou engenheira civil se nunca pudesse brincar com blocos de construções?… Poder podiam… Contudo, a experimentação de interesses, ensaios comportamentais e desenvolvimento de competências motoras, cognitivas, emocionais e sociais emergem através do brincar.

Então e isto não tem influência na personalidade? Não devo contrariar se vir o meu filho a brincar com as bonecas da irmã e ela de volta dos carros e garagens?

Mais do que os brinquedos em si, as brincadeiras são estruturantes na construção da personalidade da criança. Através de uma multiplicidade de brincadeiras, com recurso a diferentes brinquedos (ou materiais) as crianças espelham o seu interior, mostram a forma como compreendem o mundo, fazem perguntas, partilham dúvidas, constroem sentidos e significados.

A criança poder brincar é uma das tarefas da infância com maior responsabilidade no seu desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor. Pelo brincar a criança desenvolve a criatividade, a imaginação, a experimentação de papéis e a compreensão do mundo que a rodeia. Ao brincar a criança dá forma aos seus pensamentos, ao que observa, exprime emoções, interpreta o que lhe acontece e experimenta comportamentos.

Assim, os brinquedos e as brincadeiras a que tem acesso possibilitam a construção da sua personalidade em diferentes direções, sendo que brinquedos de tipos diferentes potenciam o desenvolvimento de capacidades específicas.

Se anda pelas compras de Natal, “arrisque fugir à tradição”…

 

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