Síndrome de Asperger: conheça a perturbação do espetro do autismo de nível 1, seus sintomas e tratamentos

Síndrome de Asperger: conheça a perturbação do espetro do autismo de nível 1, seus sintomas e tratamentos

Síndrome de Asperger - perturbação do espetro do autismo nível 1

Saibam mais sobre a perturbação do espetro do autismo de nível 1 anteriormente designada por Síndrome de Asperger, que afeta a interação social, comunicação e o comportamento do indivíduo.

A APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger – reuniu respostas para as pergunta mais recorrentes sobre o que era chamada a Síndrome de Asperger, podendo assim ajudar a esclarecer todas as questões de pais, na sua missão de divulgar, explicar e desdramatizar a perturbação do espetro do autismo, nível 1.

O que é a Síndrome de Asperger?

A Síndrome de Asperger era a designação dada a uma disfunção neuro comportamental de base genética, incluída nas Perturbações do Espectro do Autismo com nível 1, segundo o DSM-5.

Esta disfunção manifesta-se sobretudo por alterações e dificuldades destas pessoas na interação social, na comunicação e no comportamento.

O termo Síndrome de Asperger foi incluído como diagnóstico em 1994 no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM) 4ª Edição, e foi retirado na 5ª Edição em 2019, sendo considerado uma perturbação do Espectro do Autismo com nível 1, segundo o DSM-5.

A terminologia Síndrome de Asperger não deve ser usada como diagnóstico, mas algumas pessoas continuam a descrever-se usando esta terminologia, que teve um peso importante na definição da sua identidade.

Por esse motivo celebra-se ainda o dia da sensibilização do Síndrome de Asperger em fevereiro e existe a APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger para apoiar os pais e crianças com perturbação do espetro do autismo, nível 1.

Quais os sinais de alerta da perturbação do espetro do autismo, nível 1, anteriormente designada por Síndrome de Asperger?

Não obstante ser imprescindível uma consulta médica especializada ( pediatria de desenvolvimento, Neuropediatria ou pedopsiquiatria) para que seja feito o diagnóstico, existem algumas caraterísticas e sinais que podem constituir um alerta, para os quais se deve estar atento:

  • Atraso significativo na linguagem;
  • Linguagem ou comunicação, verbal ou não verbal, pobres;
  • Linguagem pedante, caraterísticas peculiares no ritmo e entoação, prosódia e ecolalias;
  • Interpretação literal dos enunciados;
  • Dificuldade no pensamento abstrato e dos conceitos;
  • Dificuldade no relacionamento social, designadamente na interação com os seus pares;
  • Dificuldades nas regras sociais;
  • Dificuldade em entender e expressar emoções;
  • Comportamentos social e emocional desajustados;
  • Jogo simbólico e atividade imaginativa pobres ou inexistentes;
  • Número limitado de interesses;
  • Obsessão por determinados temas;
  • Comportamentos repetitivos ou rotineiros;
  • Dificuldade na adaptação a alterações repentinas das rotinas;
  • Resistência à mudança;
  • Atitudes consideradas bizarras e excêntricas;
  • Atraso no desenvolvimento motor ou falta de coordenação motora;
  • Dificuldade na motricidade fina;
  • Hipersensibilidade sensorial a ruídos, cheiros, sabores, texturas, luzes, etc.;
  • Baixo nível de tolerância à frustração.

Quais as características mais comuns?

Entre as características mais comuns, que se podem verificar em crianças, jovens ou adultos, podemos destacar:

  • Dificuldade na interação social;
  • Dificuldade na comunicação verbal e não verbal;
  • Interpretação literal da linguagem;
  • Dificuldade na empatia;
  • Comportamentos rotineiros ou repetitivos;
  • Interesses limitados;
  • Peculiaridades do discurso e da linguagem;
  • Hipersensibilidade aos estímulos sensoriais;
  • Descoordenação motora.

Como diagnosticar a perturbação do espetro do autismo, nível 1?

Perante alguns dos sinais de alerta, é aconselhável que a criança/jovem seja observada numa consulta especializada: pediatria de desenvolvimento, Neuropediatria ou pedopsiquiatria, para que possa ser feita uma avaliação global das suas características, a nível físico e psicológico.

O diagnóstico precoce é muito importante, pois poder-se-á propor uma intervenção imediata e direta sobre as áreas especificas nas quais a criança apresenta dificuldades, estabelecendo um acompanhamento adequado e os recursos necessários a que têm direito, de forma a promover ao máximo as suas potencialidades, qua não raras as vezes se revelam surpreendentes.

O diagnóstico é, ainda, importante na medida em que se forem encontradas outras perturbações do desenvolvimento associadas perturbação do espetro do autismo, nível 1, como por exemplo hiperatividade e défice de atenção, possibilita uma intervenção, também, a esse nível.

Existe tratamento?

Não existe cura, mas existe tratamento para perturbação do espetro do autismo, nível 1, enquadrada nas Perturbações do Espectro do Autismo (PEA).

No caso de co-existir outro diagnóstico, como sejam a hiperatividade ou défice de atenção, poderá haver necessidade de medicação.

O que deve acontecer é uma intervenção precoce, o mais cedo possível, tendo em conta os sinais de alerta que se detetem na criança. Desta forma ela poderá ser acompanhada e ajudada a contornar determinadas características e muitas vezes ultrapassá-las.

Quando a intervenção é tardia, por vezes torna-se difícil superá-las, resultando daí a inflexibilidade característica de pessoas com perturbação do espetro do autismo, nível 1, nomeadamente no campo das competências sociais.

Intervir o mais cedo possível, tentar um programa de intervenção o mais objetivo e direcionado para a criança em questão é sem dúvida o melhor tratamento.

Importante também é ter presente que cada criança é única e individualizada e que não existe um “pacote” de soluções, devendo a intervenção ser personalizada e adaptada a cada criança.

A história da síndrome de Asperger e Asperger

De acordo com a National Autistic Society do Reino Unido, o termo ‘síndrome de Asperger’ foi introduzido no campo da pesquisa do autismo na década de 1980 pela psiquiatra britânica Dra. Lorna Wing, cofundadora da National Autistic Society do Reino Unido. A Dra Wing foi pioneira com a ideia de que o autismo é uma condição espectro pela variabilidade dos sintomas, e adotou a designação com referência ao trabalho muito anterior de Hans Asperger, que notou diferenças marcantes entre crianças autistas.

Embora o conceito de o autismo ser uma condição do espectro seja considerado importante e útil hoje em dia, a confiança explícita no trabalho de Hans Asperger é agora controversa. Hans Asperger trabalhou com os nazis durante o Holocausto e as suas descrições repugnantes de algumas crianças autistas como sendo menos “valiosas” do que outras levaram a que dezenas de crianças fossem enviadas para uma clínica nazi, onde foram assassinadas.

Anteriormente tinha havido debate sobre o quanto Hans Asperger sabia sobre o que os nazis estavam a fazer, e se de facto o seu trabalho tinha salvado algumas crianças autistas da morte. No entanto, pesquisas mais recentes desacreditaram esta narrativa ao mostrar que Hans Asperger estava ciente de que estava a enviar crianças para a morte numa clínica de “eutanásia” nazi e tinha feito declarações em linha com a ideologia assassina de “pureza racial” do regime nazi.

A designação de Síndrome de Asperger é por isso polémica e será progressivamente abandonada, mas algumas pessoas continuam a descrever-se usando esta terminologia, que teve um peso importante na definição da sua identidade.

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