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A primeira vez que conheci o Autismo

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A propósito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, um testemunho emocionante.

Para Beatriz Pereira, do blog Mais Q’Especial, o dia 2 de Abril é mais do que o Dia da Mundial da Consciencialização do Autismo: é o Dia Mundial da Consciencialização de que todos sentimos e expressamo-nos de forma diferente. Isto não acontece porque uns têm perturbações de desenvolvimento e outros não – mas porque somos todos pessoas diferentes.

O Autismo é para mim isso mesmo: uma forma diferente de expressão e de sentir à qual nem todos estamos dispostos ou conseguimos abraçar e perceber. É um mundo diferente do que vivemos, mas não é menos “mundo” por isso!  E neste mundo meus amigos vivem pessoas que são mais do que o Autismo que as acompanham e que, infelizmente, as define na sociedade. Vivem pessoas que são  definitivamente Mais que Especiais pela forma tão verdadeira e intensa – às vezes até demais eu sei – com que vivem cada momento, cada conversa ou cada toque.

É verdade que precisam muito da nossa ajuda para gerir tudo o que sentem, cheiram, ouvem, tocam mas nós também precisamos deles para nos lembrar-mos do quão importante é sermos fiéis ao que sentimos e queremos.

São pessoas muito leais para com aqueles que as cuidam e amam, são transparentes sobre o que/quem gostam, são divertidos de uma forma para além do esperado, muitos parecem bibliotecas com tanto que sabem e partilham, a sua obsessão pela rotina pode traduzir-se em organização e disciplina quando se aprende a moderá-la e a sua forma de se relacionar com o outro – por vezes, desadequada para muitos – deveria lembrar-mo-nos de que mesmo quando estamos fora da nossa zona de conforto, podemos continuar a tentar pois é isso que eles fazem: tentam mesmo sabendo que os outros irão dizer que estão a falhar!

Como conheci o Autismo

Se sempre pensei desta forma? Não. Eu apercebi-me desta forma de ver a Pessoa com Autismo desde que a primeira vez em que o conheci.

– O Autismo não me dizia olá, nem tão pouco me cumprimentava mas quando me deu a mão pela primeira vez senti que me tinha genuinamente aberto as portas do seu mundo.

– O Autismo não me perguntou se estava tudo bem comigo mas veio sentar-se perto de mim e deixou-se ali ficar sem se virar de costas.

– O Autismo não me perguntou se queria jogar um jogo com ele mas encostou-se a mim e sorriu quando o ajudei a percorrer um circuito com várias atividades.

– O Autismo não me disse que gostava de mim mas abraçou-me e olhou-me nos olhos para me mostrar o quão feliz estava.

Digo-vos tem sido um verdadeiro desafio conhecer o Autismo mas é esse mesmo desafio diário em querer conhecer este mundo que me ensinou que o amor e o respeito pela forma como o outro sente e vive são o caminho para que sejamos felizes todos juntos.

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