Sabe o que o divórcio causa no seu filho ?

Sabe o que o divórcio causa no seu filho?

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Está a passar por divórcio, e não sabe o que esse processo pode causar ao seu filho? O  Dr. Armando Fernandes diz-nos quais são os efeitos mais comum e de que forma pode diminui-los. 

Efeitos descritos nas crianças (de acordo com a idade):

 2,5-5 anos:

  • Ligeira regressão do desenvolvimento psicomotor
  • Aumento da ansiedade de separação
  • Problemas do sono
  • Medo do abandono
  • Exigências exageradas para com o familiar responsável pela custódia
  • Egocentrismo
  • Crises de agressividade

 6-8 anos:

  • Medo do abandono ou substituição
  • Auto-culpabilização pela separação dos pais
  • Dificuldades escolares
  • Fobias/medos
  • Comportamentos depressivos

 9-12 anos:

  • Crises de agressividade/hostilidade contra um ou ambos os pais
  • Auto-culpabilização pela separação dos pais
  • Dificuldades escolares e/ou má interação com os pares
  • Sensação de impotência e culpabilização dos pais pela separação (“não fizeram nada
  • para evitar”)
  • Comportamentos depressivos

 > 12 anos:

  • Depressão aguda ou ideação suicida
  • Perturbações comportamentais (toxicodependência, atividade sexual, gravidez, etc.)
  • Dúvidas quanto ao sucesso do seu próprio casamento

Outros efeitos a médio/longo prazo

  • Abandono por um dos pais
  • Violência física
  • Ambiente familiar pobre e inconsistente
  • Litígio persistente pela custódia e/ou pela visitação
  • Perturbações emocionais e/ou mentais nos pais
  • Má interação com o(s) pais ou com os companheiros
  • Falta ou ausência de apoio fora da família nuclear (ausência de irmãos, etc.)
  • Problemas económicos (custódia materna em 75-90% dos casos)

Como minorar os efeitos do divórcio?

  • Ajudar a família a estabelecer um plano para dizer à criança que ela é o mais importante para os pais, mesmo após a separação
  • A família deve informar o pediatra e os professores sobre o divórcio. Acordar a quem será entregue as informações médicas e escolares (um ou ambos os progenitores)
  • Manter a estrutura e a organização de forma a permitir que a criança mantenha o autocontrolo e permitindo a continuidade do relacionamento da criança com o progenitor sem a sua custódia
  • Responder às preocupações da criança de forma verdadeira (podendo omitir-se algumas informações que possam prejudicar a criança)
  • Evitar interações conflituais perante a criança, o que constitui uma violência para a criança
  • Escolher o “momento ideal” para a separação, evitando momentos considerados muito importantes na família (anos dos progenitores ou das crianças, natal, etc.)

Outras dicas:

  • Não tentar ser ou parecer o substituto do pai/mãe biológico(a)
  • Aceitar desde o início que a relação com o enteado pode não ser fácil. Contudo, com paciência, recetividade e disponibilidade, essa relação pode tornar-se bastante rica para todos os intervenientes
  • Não colocar obstáculos à convivência com um dos pais biológicos, a não ser que existam razões excecionais
  • Não entrar em competição com o pai/mãe biológico(a) para ver “quem é o melhor”
  • Não fazer comentários sobre a intimidade passada dos pais biológicos
  • Não impor a presença de uma só vez. Há que dar tempo ao tempo o que obviamente não implica aceitar humilhações ou situações desconfortáveis
  • Ninguém é obrigado a gostar dos enteados. No entanto, estes devem ser respeitados enquanto pessoas
  • Ter algum cuidado com o que prometem, em termos afetivos, aos enteados, sobretudo se a separação dos pais biológicos é recente, uma vez que a criança se encontra numa fase de grande vulnerabilidade e insegurança
  • Não tentar dar tratamento preferencial aos próprios filhos, nomeadamente em questões de educação e disciplina, mas não se abster de os amar naturalmente, uma vez que é natural a existência de ciúmes entre os próprios filhos e os enteados.
Em caso de dúvida, ligue para a SAÚDE 24 (808 24 24 00) ou contacte o Pediatra dos seus filhos.

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