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O que se passa no cérebro dos miúdos?

Cada cérebro, tal como cada rosto, é diferente de todos os outros. Embora todos possamos ter uma boca, um nariz, dois olhos e duas orelhas, muito dificilmente conseguimos encontrar alguém exatamente igual a nós.

“O mesmo se passa com o cérebro: podemos ter a mesma estrutura, ou seja, dois hemisférios, quatro lobos, etc., mas também aqui cada indivíduo tem as suas particularidades ao nível do desenvolvimento e funcionamento.

Há uma diferença importante entre o rosto e o cérebro: os gémeos idênticos distinguem-se, por regra, com dificuldade, mas os seus cérebros são diferentes, pois o seu desenvolvimento é moldado pelas experiências que vão tendo ao longo do dia.

Independentemente das idiossincrasias individuais que possam existir, a arquitetura básica do cérebro é construída através de um processo contínuo que começa antes do nascimento e continua na idade adulta.

Existem três fases distintas que contribuem para o crescimento diferencial do sistema nervoso central. Primeiro temos a divisão neuronal e a migração (surgimento de novos neurónios e a sua migração em direção à superfície cerebral externa), seguidamente a conectividade neuronal (após a migração neuronal, os neurónios corticais começam a criar conexões com outros neurónios e são estas novas conexões que originam alterações corticais – por exemplo, o início da formação das tais pregas sobre as quais reconhecemos a imagem de um cérebro), por fim ocorre a sinaptogénese (formação de algumas «novas» conexões neuronais) e a poda sináptica, que é a remoção
de estruturas neuronais desnecessárias.

As sinapses são as conexões entre os neurónios que transmitem mensagens químicas e nos primeiros três anos de vida formam-se com uma velocidade surpreendente. A partir desta altura ocorre o processo neurobiológico chamado poda sináptica, cuja função é ganhar espaço para conexões de qualidade superior que podem suportar funções mentais mais complexas.”

(Capítulo 2, “O que se passa no cérebro dos miúdos, do livro  “Quando o Cérebro do seu Filho vai à Escola”, de Joana Rato e Alexandre Castro Caldas.)

Quando o Cérebro do Seu Filho Vai à Escola

Os mais recentes desenvolvimentos no conhecimento do cérebro e o crescente interesse na sua aplicação para a área da educação levam à necessidade de clarificar e distinguir factos científicos de extrapolações precipitadas. O ritmo a que a ciência avança parece lento quando comparado com as expectativas associadas às questões do ensino e da melhoria dos processos de aprendizagem.

A curiosidade dá energia ao cérebro? 

Quanto maior a acumulação de dívidas de sono menor a capacidade de consolidação de novas informações? 

Questionar e socializar fortalece a cognição?

A propensão dos adolescentes para correrem riscos está relacionado com as zonas cerebrais que ainda não atingiram a sua maturação?

O exercício físico favorece a memória?

O treino musical modifica estruturalmente o cérebro?

Neste livro, os autores seguem o caminho percorrido pela ciência e destacamos o que atualmente se investiga, relançando o estudo do «cérebro que aprende», nas crianças e jovens em idade escolar, para um futuro que nos parece ser promissor.

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